tempo que resta

O Tempo que resta – Parte I

1 Pedro 4:1-7  Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado, para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias. Por isso, difamando-vos, estranham que não concorrais com eles ao mesmo excesso de devassidão, os quais hão de prestar contas àquele que é competente para julgar vivos e mortos; pois, para este fim, foi o evangelho pregado também a mortos, para que, mesmo julgados na carne segundo os homens, vivam no espírito segundo Deus. Ora, o fim de todas as coisas está próximo; sede, portanto, criteriosos e sóbrios a bem das vossas orações.

Todos nós passamos por épocas distintas na vida. O tempo de criança, de adolescência, juventude, amadurecimento e velhice. Cada uma dessas áreas possui as suas características, peculiaridades e debilidades. Em todas elas, no entanto, vemos os desafios que nos exigem uma resposta. Ao escrever sua epístola, Pedro estava consciente do correr do tempo e dessas características, o que o faz reflexionar acerca das etapas espirituais da vida referindo-se ao tempo passado (verso 3), quando vivíamos, sem levar em conta a Deus e o tempo que nos resta (verso 2).

Os cristãos conheciam o perigo em que viviam. Provavelmente, suas vidas não estavam ameaçadas no momento em que receberam a carta de Pedro, mas sabiam que um dia ou outro, suas circunstâncias podiam agravar-se. Possivelmente, alguns queriam permanecer no anonimato e esconder-se dentro da sociedade que os prejudicavam. Todavia, o apóstolo não desejava que desperdiçassem os anos que lhes restavam de vida. Para Pedro, o fim de todas as coisas estava próximo. Ele adverte os leitores tendo em mente dois pontos:

1)  O retorno de Cristo, o qual está preparado para julgar os vivos e os mortos. 


2)  O tempo de vida aqui na terra é muito curto, para quem ouve ou lê esta palavra, o fim de todas as coisas está próximo.

Então, seja pelo retorno de Cristo ou pela morte, o cristão tem pouco tempo, e, no tempo que resta, o Espírito de Deus dá instruções a respeito da vida. Pedro distingue aqui o “estilo de vida do cristão verdadeiro” (muitos não passam neste teste) e a regra básica desse modo de vida está ligada à vontade de Deus.

O verso 1 nos diz: “Ora, tendo Cristo sofrido na carne, armai-vos também vós do mesmo pensamento; pois aquele que sofreu na carne deixou o pecado.” O termo “tendo” conecta ao que disse em 3:18 acerca do sofrimento de Cristo, e exorta o cristão a “armar-se” (armadura de um soldado), isto é, pôr a armadura com a mesma determinação e cuidado e, “adotar” (se armar) o pensamento de Cristo para com a perseguição [do mundo], pois isso produz “uma firme resolução em fazer a vontade de Deus.”

“Armar-se” significa identificar-se com Cristo na sua atitude e compartilhar seus sofrimentos e morte [o discípulo não é maior que seu mestre]. Cristo padeceu na carne e o crente padece também. “Aquele que sofreu na carne, terminou (cessou) com o pecado (verso 1)”. O cristão identificado com Cristo, rompeu com a vida pecaminosa (Rm 6.6,7).

Os versos 2 e 3: “Para que, no tempo que vos resta na carne, já não vivais de acordo com as paixões dos homens, mas segundo a vontade de Deus. Porque basta o tempo decorrido para terdes executado a vontade dos gentios, tendo andado em dissoluções, concupiscências, borracheiras, orgias, bebedices e em detestáveis idolatrias”.

Pedro inclui aqui dois contrastes marcantes: O primeiro é “o tempo que resta e, o segundo, o tempo passado”. Estas etapas devem ser diferentes e não se pode permitir o mal. A exortação é que se tome decisões firmes e definitivas a respeito. O autor contrasta a concupiscência dos homens com a vontade de Deus. Estas são opostas porque o ser humano sempre se rebela contra a vontade divina. Antes de conhecermos a Cristo, vivíamos segundo os caminhos terrenos, mas a partir da nossa experiência com Jesus, e pelo resto da nossa vida, devemos buscar e fazer a vontade do Altíssimo. Observe que os desejos humanos incluem tudo o que os homens mundanos buscam na vida, por exemplo: “Riquezas, poder, influência, sensualidade, sabedoria humana, fama, etc.” A ambição destas coisas, nos põe diretamente contra a vontade de Deus. Olhemos para trás apenas para recordar que a nossa vida agora é diferente. Temos prazer em fazer a vontade de Deus.

Para refletir: Muita gente pensa que Jesus pode demorar para voltar. Eu, todavia, penso que Ele está às portas. A questão é: como você vive a sua vida cristã? Você busca as mesmas coisas que o mundo?, ou você se consagra porque tem prazer em fazer a vontade de Deus?

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves