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O Triunfo! – Parte I

No texto de hoje, Pedro continua atraindo a atenção de seus leitores para a pessoa de Jesus. Ele quer reafirmar que Jesus é o nosso modelo de vida. Em qualquer situação, Ele é o nosso parâmetro. No entanto, a partir desse ponto, Pedro desenvolve o tema sobre a obra de Cristo e retrata a “figura” da salvação.

1 Pedro 3:19-22. – no qual também foi e pregou aos espíritos em prisão, os quais, noutro tempo, foram desobedientes quando a longanimidade de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucos, a saber, oito pessoas, foram salvos, através da água, a qual, figurando o batismo, agora também vos salva, não sendo a remoção da imundícia da carne, mas a indagação de uma boa consciência para com Deus, por meio da ressurreição de Jesus Cristo; o qual, depois de ir para o céu, está à destra de Deus, ficando-lhe subordinados anjos, e potestades, e poderes.

O apóstolo nos põe diante de uma das passagens mais difíceis de interpretação. A questão é: a quem Pedro está se referindo aqui? Será que ele estava falando acerca de pessoas que morreram, cujos espíritos estavam em prisão? Estaria ele se referindo a um grupo especial? Bem, transcrevo abaixo uma opinião do Dr. Warren W Wiersbe, pastor e teólogo americano renomado no meio evangélico, sobre o assunto:

“De acordo com Pedro, em algum momento entre sua morte e ressurreição, Jesus fez uma proclamação especial “aos espíritos em prisão”. Essa afirmação levanta duas perguntas: (1) quem eram esses “espíritos” que Cristo visitou?; e (2) o que proclamou a eles? Os que afirmam que esses “espíritos em prisão” eram espíritos dos pecadores perdidos no inferno aos quais Jesus levou as boas-novas da salvação precisam resolver alguns problemas sérios. Em primeiro lugar, Pedro refere-se a indivíduos como “pessoas”, não como “espíritos” (1 Pe 3:20). No Novo Testamento, o termo “espíritos” é usado para descrever anjos ou demônios, não seres humanos. O verso 22 parece argumentar em favor desse significado. Além disso, as Escrituras não dizem, em parte alguma, que Jesus visitou o inferno. Atos 2:31 afirma que ele foi à “morte” ou Hades (arc), mas tal lugar não corresponde ao inferno. O termo “Hades” refere-se ao reino dos mortos incrédulos, um lugar temporário onde aguardam a ressurreição. Ao ler Apocalipse 20:11-15 em algumas versões mais atuais da Bíblia, vê-se essa distinção importante. O inferno é o lugar final e permanente de julgamento dos perdidos, enquanto o Hades é um lugar temporário. Quando o cristão morre, não vai para nenhum desses locais, mas sim para o céu, a fim de estar com Cristo (Fp 1:20-24). Jesus entregou o espírito ao Pai, morreu e, em algum momento entre sua morte e ressurreição, visitou o reino dos mortos, onde transmitiu uma mensagem a seres espirituais (provavelmente anjos caídos; ver Judas 6), de algum modo relacionados ao período anterior ao dilúvio, como 1 Pedro 3:20 deixa claro. O termo traduzido por “pregou” significa, simplesmente, “anunciou como arauto, proclamou”. Não se trata do termo que significa “a pregação do evangelho” e que Pedro usa em 1 Pedro 1:12 e 4:6. Pedro não diz o que Jesus proclamou a esses espíritos aprisionados, mas não pode ter sido uma mensagem de redenção, pois anjos não podem ser salvos (Hb 2:16). É bem provável que tenha sido uma declaração de vitória sobre Satanás e suas hostes (ver Cl 2:15; 1 Pe 3:22). Pedro não explica a relação entre esses espíritos e a era do dilúvio. Alguns estudiosos acreditam que os “filhos de Deus” mencionados em Gênesis 6:1-4 eram anjos caídos que coabitaram com mulheres e produziram uma raça de gigantes, mas não posso aceitar essa interpretação. Os anjos bons que não caíram eram chamados de “filhos de Deus”, mas essa designação não se aplicava aos anjos caídos (Jó 1:6; 2:1, observando a distinção feita entre Satanás e os “filhos de Deus”). O mundo antes do dilúvio era incrivelmente perverso, e, sem dúvida, esses espíritos contribuíram em muito para tal situação (ver Gn 6:5-13; Rm 1:18ss).”

Há outras interpretações, mas decidi transmitir o pensamento de Wiersbe. No entanto, o nosso foco é sobre o triunfo ou a vitória. Jesus, seja qual for a interpretação do texto, proclamou a sua vitória sobre a morte e, no próximo post, terminaremos o comentário acerca do tema.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves