DENUN1

Padecendo por amor à Justiça!

1 Pedro 3.13-18: Ora, quem é que vos há de maltratar, se fordes zelosos do que é bom? Mas, ainda que venhais a sofrer por causa da justiça, bem-aventurados sois. Não vos amedronteis, portanto, com as suas ameaças, nem fiqueis alarmados; antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós, fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo, porque, se for da vontade de Deus, é melhor que sofrais por praticardes o que é bom do que praticando o mal. Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos, para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito.

Ao meditar no texto de hoje, me lembrei de um missionário que viu algo que lhe impactou. O caso se deu por volta de 1950, num país de língua hispana, onde ele e outros missionários viveram. O missionário em apreço, contou ter visto um caminhão chegar com muitos cadáveres a uma praça pública. Se acercou e perguntou quem eram. O soldado lhe respondeu: “São esses desgraçados evangélicos!” Ele, imediatamente, pensou na carta de Pedro.

Ora, o apóstolo escreve a cristãos que estavam sob ameaças de perseguição, e sofrendo por isso. O apóstolo os anima a avaliar que a perseguição é injusta, mas é por uma causa nobre e transcendente.

Por que os cristãos sofrem?

Porque o sofrimento faz parte desta vida. 


Porque o cristão não abre mão da justiça, da retidão e não se pactua com o mundo. 


Porque ele é fiel a Deus. 


Porque o mundo espiritual é contra ele. 


A lógica humana, bem como a teologia de muitos, procura fazer crer que Deus protegerá do mal todo aquele que lhe obedece. Alguns vão mais longe, dizendo que o fiel terá direito à cura de suas enfermidades e gozarão de abundância para viver em paz. Ora, os versículos 13 e 14 demonstram claramente o contrario, pois Pedro faz assertivas sobre o sofrimento e conclama os irmãos em Cristo a não ficarem alarmados. Os cristãos podem sofrer o mal precisamente porque praticam a justiça. Hebreus 11:36-40 descreve os sofrimentos de muitos fieis, o que denota que o cristão não está livre deles. O que padece por causa da justiça, é feliz porque obedece a Deus e goza de sua comunhão e apoio. Esta é a chave do triunfo!

Aqueles que nos perseguem ou até mesmo as circunstâncias que são orquestradas no mundo espiritual contra nós, podem até ferir-nos ou machucar-nos, mas nunca poderão causar-nos danos reais (Mateus 10:28). Ainda que estejamos passando por duras provas e tribulações, andar dentro da vontade perfeita de Deus é o que importa, pois Ele nos diz que somos bem-aventurados, o que, no original, significa sermos altamente privilegiados.

Quando os crentes confrontam as crises, são tentados a ceder ao medo e tomar decisões equivocadas. Se santificarmos a Cristo como Senhor, podemos ficar firmes, sem temor. Qual o significado dessa expressão? Santificar a Cristo como Senhor, é lançar sobre Ele as nossas cargas e viver para agrada-Lo e glorifica-Lo. Quando assim procedemos, certamente provocaremos reações nos outros. As pessoas perguntarão: Como é possível ser tão otimista e estar tão seguro em meio a crises e aflições? É por isso que devemos estar sempre preparados para responder a razão da esperança que há em nós. Quando o fizermos, Pedro recomenda que devemos fazer com mansidão, com humildade e respeito para com os demais.

A expressão boa consciência do verso 16, se refere a uma tranquilidade interna, onde não há acusações porque a nossa conduta é correta. Se formos afligidos, sabemos que não é por algo errado que tenhamos feito, mas em razão do nosso comportamento. Quando se fala em comportamento, a expressão envolve o relacionamento com os outros, o cumprimento das leis e a postura correta diante desse mundo incrédulo. Somente se justifica a desobediência às leis, quando elas proíbem algo que Deus nos manda especificamente ou quando elas nos obrigam a fazer algo expressamente proibido pela lei divina. Antes de rebelarmos contra as normas humanas, devemos estar seguros de que a Palavra de Deus não nos deixa outra alternativa. A vida do cristão deve ser tão correta e agradável que, aqueles que não conhecem a Cristo, sintam vergonha por haver-nos criticado ou maltratado.

No versículo 17, quando Pedro diz: se for da vontade de Deus…, ele ressalta que, quer seja a vontade diretiva ou permissiva, “tudo está no controle” do Senhor. Portanto, é melhor padecer fazendo o bem, o que significa ser “aprovado diante de Deus” (2.20). No versículo 18, mais uma vez Pedro insiste em que Jesus é o exemplo perfeito para ser imitado. Ele sofreu como ninguém. Não evitou o ódio e a crueldade de seus perseguidores, mas mesmo sofrendo, demonstrou sua natureza de pacificador. Fazia o bem e não temia a seus inimigos. Vejo nesse texto específico (v.18), também uma das passagens mais claras das Escrituras acerca do propósito da morte de Jesus. O Senhor padeceu uma só vez, pelos pecados, para levar-nos a Deus. A salvação destinada a todos os homens, custou ao Pai um preço infinito, mas foi de graça para nós. Glória a Deus!

Para refletir: O que significa para você a vida cristã? Você estaria disposto a dar a sua vida por Cristo? Em Lucas 14:28, Jesus estimula a seus seguidores a avaliarem o custo de segui-Lo. Quando olhamos para os sofrimentos, seriam eles parte desse custo? Encare todas essas perguntas com total franqueza. Ao responder, você poderá fazer um exame da sua fé e da sua vida cristã.

Pr. Natanael Gonçalves