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Sofrimento e Alegria – Parte Final

1 Pedro 4.15-19  Não sofra, porém, nenhum de vós como assassino, ou ladrão, ou malfeitor, ou como quem se intromete em negócios de outrem; mas, se sofrer como cristão, não se envergonhe disso; antes, glorifique a Deus com esse nome.  Porque a ocasião de começar o juízo pela casa de Deus é chegada; ora, se primeiro vem por nós, qual será o fim daqueles que não obedecem ao evangelho de Deus? E, se é com dificuldade que o justo é salvo, onde vai comparecer o ímpio, sim, o pecador? Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.”

Pedro começou o tema no versículo 12. No entanto, caminha no sentido de instruir os cristãos afirmando que o sofrimento pode ser oriundo de uma prova pela qual o fiel precisa passar. Contudo, não para por aí. Ele afirma que esse tipo de aflição produz alegria, o que já vimos na publicação anterior. Hoje, porém, veremos como o apóstolo mostrou um outro lado que muitos parecem estar cientes, mas não atentam. Vamos lá…

2) Sofrer por desobedecer.

O autor já estabeleceu de forma clara que, se o cristão sofre por ter feito o bem, então, ele é, por Deus, aprovado.  No entanto, se um cristão fizer o que é mal, a sociedade o critica e o castiga. Neste caso, o sofrimento é diferente. Alguém assim, merece o sofrimento que recebe do mundo. Sua conduta mancha sua reputação, a da igreja e a do Senhor. Aliás, não raro temos presenciado alguns escândalos protagonizados por pessoas conhecidas como cristãs e, em alguns casos, líderes fazem parte do noticiário.

2.1. O que sofre como cristão pode sentir paz e gratidão. Os versos 15 e 16 nos afirmam que há dois tipos de cristãos: Os sinceros e os que podem cometer graves delitos que a sociedade castiga. Deste modo é justo que recebam a retribuição que merecem. Não sabemos o que Pedro quis dizer com aqueles que se intrometem em negócios de outrem. Pode ser que tratavam de impor suas normas cristãs a seus vizinhos, ou os criticavam. A lição, todavia, é que o cristão deve ter cuidado de seu comportamento para não ser um obstáculo às pessoas de virem ao evangelho. O verso 16 chama a nossa atenção para um detalhe: se sofrermos, que seja por causa do nosso bom testemunho. Assim não nos envergonharemos de nada. Além de evitar a vergonha, podemos glorificar a Deus, ou seja, adora-Lo por meio de um comportamento que lhe agrade. Em resumo, a boa conduta e o sofrimento, redundam para a glória do Altíssimo.

2.2. O que sofre como cristão escapa do castigo de Deus. As palavras de Pedro no versículo 17 deixam a impressão de que alguns membros das igrejas da Asia Menor atuavam de modo incorreto. A casa de Deus se refere à igreja, seu povo. O autor anuncia que o Senhor aplicará a disciplina para que o cristão se arrependa de seus pecados e endireite os seus caminhos. O juízo não se refere a um tempo futuro, mas iminente. Hebreus (12.5-11), ensina que Deus disciplina a seus filhos. Quando sofremos, devemos fazer uma avaliação da nossa vida. Diante de um espelho temos que perguntar: por que? Estou sofrendo por causa do nome de Cristo? Porque tenho sido fiel e obediente? Ou estou sofrendo por desobediência? Tenho testemunhado de forma negativa o evangelho, a ponto de impedir outros de virem a Cristo? Deus está me disciplinando para arrependimento? Tenho sentido vergonha porque a minha consciência me condena? Ou sofro por ser um cristão fiel que glorifica ao Pai Celestial?

O autor aproveita para introduzir uma advertência para os que não conhecem a Cristo. Isso ele o faz ao comparar o juízo dos cristãos com o que virá ao mundo, indicando a seriedade das consequências que traz a desobediência de certos seguidores de Cristo. A lógica é simples, porém impactante. Se Deus disciplina os salvos, então os que não aceitaram a Cristo estão em perigo muito maior.

Finalizando, o apóstolo diz que, o que sofre como cristão, deve confiar em Deus e praticar o bem. Vejamos o verso 19: “Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem.” Será que o sofrimento faz parte da vontade de Deus? Sem dúvida! Deus não impede que tenhamos problemas, lutas e aflições, porque são necessários para o fortalecimento da nossa fé e a construção do nosso caráter cristão. As tribulações ensinam que a vida está nas mãos de Deus e que somos frágeis. O que podemos fazer, conforme o verso 19 nos manda, é encomendar nossas almas ao Fiel Criador. O verbo encomendar é um termo bancário usado pelos gregos quando iam depositar os seus valores para que estivessem seguros. A partir desse entendimento, podemos inferir que Pedro nos manda, em meio às tribulações, depositar nossas vidas nas mãos do Altíssimo.

Para refletir: Estimulo você a pensar sobre a sua vida cristã. Como a vive? O nível de seu compromisso com Deus e do temor de pecar contra Ele, o afasta de um comportamento que fere o coração do Pai?

Àquele que vê o mais profundo do coração do homem e também as suas ações, seja toda a glória e louvor para todo o sempre!

Pr. Natanael Gonçalves