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Submetidos à Prova – Parte II

Devemos ser conscientes de que, como cristãos, somos submetidos às provas. Por que? É sobre isso que Pedro trata neste texto. Tomei o cuidado de repetir o mesmo versículo por três vezes e isso cumpre uma função. Guarde-o em seu coração e lembre-se dos pontos abordados pelo apóstolo.

As Tribulações são Necessárias (v.6)

Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações.

Se Deus permite uma prova, é porque é imprescindível. Ele não deseja que soframos sem propósito, mas quando está levando a cabo seus maravilhosos e eternos desígnios é para o nosso bem, para o de outros e para Sua glória. O crente está na “escola de Deus”. Ele nos está forjando para que sejamos como seu Filho e transformando-nos dia a dia para que mostremos ao mundo como é Sua divina pessoa. Em outras palavras, Ele está nos preparando para a nossa chegada no Céu. Paulo escreveu aos Romanos 8:28 dizendo que, para os crentes, “todas as coisas cooperam para o seu bem”. Lembremo-nos como se prepara um bolo. As nossas esposas ou mães, ou até mesmo alguns maridos ou pais, metidos a chef, utilizam em sua elaboração ingredientes que, sozinhos, não possuem um bom sabor, como por exemplo a farinha e o fermento. No entanto, outros são apetitosos, como o açúcar e as frutas, quando são usadas. Deste mesmo modo, são as experiências que Deus desenha para seus filhos. Algumas são agradáveis e outras amargas. Todavia, todas contribuem para fazer um belo e saboroso “bolo” quando sai do forno.

As Tribulações são difíceis (v.6)

Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações.

A linguagem de Pedro demonstra que ele sentia junto com os destinatários a dor das provas que eles estavam passando. Pedro sabia quão pesadas eram e que podiam causar transtornos físicos e materiais, bem como, angústia mental e emocional. O autor sabia que os problemas que enfrentamos eram penosos, dolorosos e até mesmo deprimentes. Ele podia recordar o medo e a vergonha que sentiu na noite em que negou a seu Senhor. Lembrava dos açoites e ameaças que sofreu por parte do sinédrio. Trazia na memória a prisão e o perigo de morte em que havia se encontrado. Sim, Pedro havia experimentado, na sua própria carne, o que é sofrer por Jesus. Contudo, havia aprendido a enxergar todas as coisas a partir do ponto de vista divino e da eternidade.

As Tribulações são variadas (v.6)

Em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações.

Como as cores do arco-íris são variadas e diferentes, da mesma forma são os problemas da vida. Impactam o corpo, a mente e as emoções. Podem afetar nosso casamento, aos filhos, a família e aos amigos. Às vezes produzem mudanças difíceis no trabalho, nos estudos ou nos projetos e sonhos pessoais. Em certas ocasiões, podem pôr em perigo a vida, provocam solidão, nos tornam incapazes ou nos debilitam. Conscientes de tudo isso, nenhuma experiência deve surpreender-nos, mesmo a mais inesperada. Deus sabe o que necessitamos para cumprir Seus propósitos. Não devemos, no entanto, comparar nossas experiências com as de outras pessoas, ainda que nos pareçam que elas não enfrentem problemas tão difíceis como os nossos. O calendário de problemas e causas de sofrimento varia de pessoa para pessoa. O ser humano sempre sonha com o momento em que suas provas terminem e possa viver tranquilo. Deus não promete desaparecer com elas por completo, pois os exemplos na Bíblia nos mostram que as dificuldades são circunstâncias normais para os homens. Quando termina uma prova, pode começar outra, porém de natureza diferente, uma vez que já somos avisados pelo Senhor que passaremos por “várias provações”. 

As tribulações refinam a vida espiritual (v.7).

Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória na revelação de Jesus Cristo.

O que purifica o ouro é o fogo. O ourives submete o ouro ao fogo até que ele se torne líquido. Pouco a pouco, a chamada “escória” (sujeira), o que não é ouro, sobe à superfície. Com cuidado e paciência, o ourives tira tudo que boia. Depois, observa atentamente o metal até que não fique nenhum material que o contamine e ainda há outra prática a ser feita: a superfície do metal precisa brilhar de forma especial. Dizem que, quando o ouro é cem por cento puro, o ourives pode ver a sua própria imagem refletida nele, como se fosse um espelho. Jó disse no tocante a Deus: “Mas Ele sabe o meu caminho; se Ele me provasse, sairia eu como o ouro” (Jó 23:10). Que bela comparação do ourives com Deus e a comparação do ouro com a fé! O Criador está depurando pacientemente a nossa fé. Não é fácil, porque se requer que o crente passe pelo fogo das provas e das tribulações. No entanto, vale a pena! Pedro diz que a fé é mais valiosa que o ouro. O ouro perecerá, porém a confiança em Deus traz resultados eternos. As provas na vida do cristão possuem um propósito, mesmo quando não conseguimos entendê-las. Todavia, elas estão fazendo do crente pessoas melhores. A tribulação revela a debilidade e o caráter do crente se transforma, porque as tribulações o obrigam a buscar ao Senhor e a depender mais dEle. Deus desenvolve nossa fé por meio delas. Por fim, usando a analogia do ouro que se depura, o propósito de Deus para cada um de Seus filhos é que venham a ser como um espelho, ou seja,  que reflitam a imagem de Jesus a este mundo de trevas (Romanos 8:29).

Para refletir: Você está passando por algum tipo de tribulação neste momento? Em meio a ela, como você deve manifestar a sua fé em Cristo?

Que o discernimento de Deus envolva a sua vida,

Pr. Natanael Gonçalves