Quando falamos de pessoas cristãs comprometidas com Deus, penso que elas desejam conhecer mais e mais o Senhor e estreitar comunhão com o Autor da vida. Se estamos entre essas pessoas comprometidas, almejamos que Ele seja o nosso Líder, Protetor, Provedor e Amigo. Anelamos também por direção, conselho e instrução. No entanto, há um ponto em destaque em nossos corações: desejamos desesperadamente a bênção de Deus, aliás, não podemos viver sem elas. Até mesmo o ímpio goza das bênçãos que o Senhor disponibiliza, pois Jesus afirma que Deus dá o sol e a chuva sobre os justos e injustos (Mateus 5.45).

Quando o assunto é a bênção de Deus, lembro de um personagem no Velho Testamento que desperta nossa atenção, posto que ele se deu conta da importância de ser abençoado. Encontramos no relato de Gênesis 32:24-32, um intrigante registro de uma luta entre Deus e Jacó, o personagem referido. Depois de uma peleja que durou toda uma noite e de sofrer um deslocamento na coxa, Jacó recusou deixar o “homem” ir sem, antes, o abençoar. Deus lhe concedeu o pedido respondendo-lhe: “Já não te chamarás Jacó, e sim Israel, pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste” (Gênesis 32:28). Jacó recebeu a bênção e exclamou maravilhado: “…Vi a Deus face a face, e a minha vida foi salva” (verso 30). Esse encontro nos intriga por seu entorno quase que ridículo: Deus lutou com Jacó! Por que lutaria o Deus Todo-Poderoso com alguém? Será que há algo que possamos aprender com esse episódio, quanto a receber a bênção de Deus? Permita-me fazer algumas observações:

Primeiro, a bênção não lhe foi entregue de qualquer modo, pois Jacó teve que demonstrar grande esforço e resistência para recebe-la. Segundo, Deus teve que fazer de Jacó um vaso apropriado para receber a bênção, e arrisco a dizer que ele não desfrutou do processo. Terceiro, ele recebeu a bênção de Deus e, daquele encontro, saiu transformado pelo resto de sua vida. As Escrituras não informam que Jacó foi curado da sua perna, todavia, muito provavelmente, haja caminhado pelo resto de sua vida, recordando aquele espetacular encontro com Deus e com a Sua bênção.

Deixando estas verdades de lado, há uma pergunta que não se pode calar: Por que lutaria Deus com um mortal? Obviamente, Deus poderia ter destruído a Jacó sem, sequer, aparecer em pessoa. Se Ele desejasse, poderia matar Jacó com a glória da Sua presença. Por que lutaria Deus com alguém, especialmente com alguém a quem ama? Jacó era neto de Abraão e herdeiro das promessas da Aliança. Dele viriam as doze tribos de Israel e, finalmente, a Cristo também. Toda nação judia receberia seu nome: Israel, um nome especificamente dado por Deus depois daquele embate. Quando analisamos o evento da luta de Jacó, nos perguntamos: o que sabemos sobre Deus? Sua presença é uma bênção, mas, e a luta? Comumente, lutamos contra um adversário, não contra o próprio benfeitor e, muito menos, em uma luta prolongada, frustrante, e até dolorosa. Nessa luta, Jacó sofreu um deslocamento na junta da coxa e, se fizermos uma leitura superficial dessa ocorrência, pode-se sugerir que o propósito de Deus foi causar-lhe dor e frustração, em lugar de abençoa-lo. Poderia parecer como se a bênção precisasse ser arrancada da mão do Pai, e que ao abençoar Jacó, Ele o fez de mau grado. Normalmente, não relacionamos a luta com o receber a bênção de Deus. Todavia, aqui, é preciso afirmar que não podemos fazer uma análise superficial, já que o Altíssimo tinha como propósito abençoar o seu filho, pois do contrário, nunca teria aparecido a Jacó.

Para finalizar essa introdução, estimulo você a ler e meditar no texto de Gênesis 32, pois temos algumas lições que aprender com relação às bênçãos de Deus em nossas vidas. Continuamos no próximo tópico, se Deus quiser.

Em Cristo Jesus, o Senhor da glória,

Pr. Natanael Gonçalves