Eis que temos por bem-aventurados os que sofreram. Ouvistes qual foi a paciência de Jó e vistes o fim que o Senhor lhe deu; porque o Senhor é muito misericordioso e piedoso (Tiago 5.11).

Preste atenção na frase porque ela é muito útil: “Ouvistes qual foi a paciência de Jó”. Ao ler o livro de Jó, algumas vezes pode parecer, pelas suas respostas, que ele não era tão paciente assim, mas, por outro lado, se estivéssemos em seu lugar não seríamos pacientes ao passar por provas tão complicadas e exaustivas. Jó, todavia, ao atravessar os vales das águas profundas do sofrimento, declarou que esperaria em Deus, mesmo se Ele o matasse (Jó 13.15). Jó, passou por tremenda aflição e quantas vezes não sentiu a presença de Deus e pensou que Ele o abandonara? Experimentou a dor, a frustração, a perda, o abismo e a escuridão. Tiago, contudo, diz que ele foi paciente. Nós podemos experimentar uma variedade de reações ao percorrer a estrada do sofrimento, mas o ponto alto de Tiago é o estímulo aos seus leitores, lembrando-lhes as tribulações de Jó, sua paciência e o fim que o Senhor lhe deu. Se analisarmos mais atentamente, podemos ver que, a despeito da tremenda dor e prova a que Jó foi submetido, ele se manteve fiel, ou melhor, apesar de sentir-se extremamente frustrado, se apegou a Deus com a mesma força e determinação de Jacó, e isso, é o que os leitores de Tiago e nós também, devemos fazer. 

Quando um cristão enfrenta o caos do sofrimento (sim, para ele, seja o que for, é o pior), poderá ver, algumas vezes, a mão de Deus operando. Em outras, no entanto, poderá sentir-se rodeado pela dor da escuridão e da miséria, e ainda suspirará, recordando experiências agradáveis que desfrutou no passado. Ao passar por toda essa situação, qualquer um pode afirmar que se trata de uma viagem complicada, árdua, solitária e desalentadora, mesmo quando se está rodeado de pessoas queridas ou de familiares. Às vezes, a dor pode ser acrescida quando alguns amigos e irmãos em Cristo aparecem com esse estímulo: “Bem, a principal coisa que você deve fazer, é ser paciente como Jó”. Por que é doloroso? Porque é possível que a paciência não esteja entre as principais qualidades da pessoa, e tampouco haverá pelo conselho recebido. Deus sabe que o desenvolvimento da paciência ou perseverança, é um processo doloroso, e que a dor causa lamentos e queixas. Ele também não se surpreende com os nossos vales espirituais, mas sai ao nosso encontro nesses lugares, e mais, as provas permitidas ou ordenadas por Ele, têm como propósito e destino nos levar ali.

Embora o sofrimento guarde muitos mistérios, ao passar por eles, temos o suficiente para pôr em prática durante toda a vida. Nossa responsabilidade é, por fé, perseverar em meio às provas, mesmo quando aparece aquela ferrenha vontade de jogar a toalha e desistir. Devemos lutar em oração (lembre-se da luta de Jacó) e aguentar tenazmente até que a prova termine. Em lugar de urdir uma escapatória ao sofrimento, ou procurar os por quês, devemos perseverar por fé. Quando Tiago escreveu o verso 10, ele esperava que todos os cristãos que estivessem debaixo das provas, mostrassem a fé dos profetas do Velho Testamento. Não obstante, sabemos que isso não é fácil. 

Finalizando, é preciso saber que o sofrimento tem o poder de operar mudanças em nós. Nossos conceitos e valores mudam, e mudam sim, para que a nossa vida se conforme com a Palavra de Deus. Sabemos que o caminho é difícil, mas também é transitável. Se permitirmos que Deus reine em liberdade e respondermos como Ele deseja, o sofrimento dará lugar a mudanças transformadoras de dentro para fora. Além das transformações internas que se produzem, veremos que a Palavra de Deus contém uma promessa especial reservada unicamente para aqueles que suportam, com perseverança, suas provas de sofrimento. Mas isso, veremos no próximo Tomo, se Deus quiser.

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves