Encerramos o tópico anterior, afirmando que Tiago experimentou uma tremenda mudança em sua vida depois que Jesus ressuscitou e apareceu a ele. As Escrituras não revelam o momento exato, mas Tiago ainda não havia crido em Jesus antes da ressurreição. O que sabemos é que ele se converteu num fiel seguidor do Senhor e se transformou em um instrumento útil. Chegou a ser o líder da igreja em Jerusalém, uma igreja estratégica, já que foi o centro de onde se espalhou o evangelho. Jesus ordenou aos apóstolos que fossem e pregassem a Palavra em todo lugar, até mesmo nos confins da terra. A igreja local necessitava de um líder firme e comprometido que cuidasse do rebanho, por isso viram esse líder em Tiago e o escolheram, não porque fosse meio irmão de Jesus, mas sim porque ele dera provas convincentes de que Jesus era seu Senhor. Ele não somente pastoreou a igreja de Jerusalém, como também escreveu o livro que leva o seu nome.

O tema geral abordado ao longo da sua epístola é: “Tu te denominas cristão? Aqui há algumas provas, segundo as quais, podes medir a fé que proclamas ter”, e em verdade, elas não são fáceis. Para Tiago, alguém apenas declarar ser um crente em Cristo, nada significa. A fé de um cristão deve ser viva e evidente para todos. O que é uma fé viva? É aquela que pode ser avaliada em resposta às provas e tentações com as quais o cristão se depara. Também ela evidencia as boas obras, o domínio da língua, a oração, uma vida limpa das manchas do mundo e muitos outros aspectos. A maioria das pessoas, não se sente confortável depois de ler a carta de Tiago; e essa foi a sua intenção. Ele não desejava que as pessoas fossem felizes, mas que fossem santas. Certamente, Tiago não seria um moderno conselheiro solidário. Se alguém se acercasse dele e comentasse: “Tiago, Tiago, não sei o que fazer. De onde virá o dinheiro que necessito para cumprir minhas responsabilidades?” Penso que a sua resposta seria a seguinte: “Nada tendes, porque não pedis; pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres” (Tiago 4.2-3). Se outro se aproximasse para relatar ou queixar-se de suas penúrias, ele daria uma só resposta: “Ore!” (5.13). Nada de palavras suaves e perfis psicológicos. Tiago nos atinge direta e repetidamente com o que deseja ressaltar. Às vezes, necessitamos de um Tiago em nossas vidas para remover a tinta e os buracos profundos que existem em nossos corações.

Não obstante, Tiago também possuía um lado terno. Não só compreendia a origem e a diferença das provas, especialmente aquelas que causam dor, como também o processo que Deus deseja que o cristão siga. Embora, muito do que Tiago escreve se harmonize com Pedro, difere, no entanto, quanto à motivação. Enquanto Pedro destaca, reiteradamente, o sofrimento de Jesus e como os cristãos deveriam seguir seu exemplo, Tiago, não. Uma vez que ele não havia participado de forma direta dos sofrimentos de Jesus, não se considerava a si mesmo digno de usar o Senhor como exemplo, já que ele mesmo, no passado, o havia rejeitado (João 7.5).

Tudo isto foi, sem dúvidas, parte do grande plano de Deus. Pedro foi testemunha dos sofrimentos de Jesus (1 Pedro 5.1) e continuamente dirigia seus leitores a Cristo. Tiago, ao contrário, não teve a experiência de Pedro, por isso destacava que era responsabilidade do cristão, suportar as lutas, as provas e os sofrimentos, por fé. Ambos os enfoques são necessários para dar equilíbrio. Aquele que se encontra em dificuldade pode afirmar: “Deus me dará forças”, mas corre o risco de ser sacudido pela profundidade e a intensidade do sofrimento.  Por outro lado, aquele que intenta passar pelo sofrimento unicamente com as forças da carne, encontrará o fracasso e o desalento. É necessário, portanto, contar com uma “Pessoa superior, sua força e Sua graça”. Deus sabia que necessitaríamos dos dois ensinos para suportar os tempos difíceis, por isso inspirou os dois escritores. Então, sem negar a presença de Deus em meio às provas ou recursos pessoais, Tiago enfatizou o papel do verdadeiro cristão. Para ele, o seguidor de Cristo deve responder às provas com fidelidade ao Senhor.

Ao terminar o tópico de hoje, ressalto que, enquanto estivermos aqui, neste mundo, passamos por provas e tentações, e elas, quase sempre, envolvem desconforto e dor. Algumas são mais intensas que outras, todavia temos a promessa de que Deus proverá a nosso respeito para que as possamos suportar. Por que devemos suportar? Porque há um propósito de Deus em nossas vidas e, certamente, é um propósito de bênçãos. Portanto, fique firme!

Naquele que é o nosso exemplo e nos concede forças,

Pr. Natanael Gonçalves