Bem-aventurado o homem que suporta, com perseverança, a provação… (Tiago 1.12).

Iniciamos o tópico de hoje com a primeira parte do versículo 12 de Tiago 1. A palavra suportar no grego, “hypomeno”, carrega o sentido de permanecer debaixo e, nas Escrituras, é reiteradamente traduzida como paciência ou perseverança. Era uma das palavras favoritas de Paulo quando ele se referia aos múltiplos aspectos do andar do cristão quando era necessário a perseverança fiel. A palavra expressa ação, não passividade. “Suportar debaixo” não é uma atitude derrotista de adesão desesperada, mas uma perseverança ativa quando se passa por uma prova, tendo a fé em Deus como base.

Consequentemente, o pensamento de Tiago é: “Bem-aventurado o homem que suporta [hypomeno], com perseverança, a provação”. Para ele, esta perseverança era a responsabilidade mais importante dos cristãos em meio às provas. Antes de abordar de forma mais profunda alguns aspectos sobre o sofrimento, penso que Tiago nos faria uma pergunta: “Estão perseverando nas provas, que Deus tem permitido em suas vidas? Se este não é o caso, deveria sê-lo, pois não poderão ir mais longe até que tenham êxito na perseverança”. Podemos concluir que a perseverança é necessária quando o cristão sofre, mas não devemos pensar que é algo que ocorre automaticamente. A maioria de nós, senão a sua totalidade, não busca “permanecer debaixo” do sofrimento quando este se interpõe em nosso caminho. Pelo contrário, procuramos uma saída, e esta é a resposta humana normal. É perfeitamente natural que intentemos aliviar, dentro de nossas possibilidades, qualquer tipo de sofrimento. Não obstante, passar por uma prova, não é o mesmo que permanecer nela. Pode-se estar em meio ao sofrimento, não ter a chance de escapar e, mesmo assim, não permanecer debaixo dele. Um cristão pode guardar ressentimento contra Deus pelo que Ele tem feito, ou, pelo menos, pelo que parece que Ele tem feito. Embora o cristão descontente não possa mudar suas circunstâncias, tampouco perseverará sob a situação que o Senhor permitiu em sua vida. Adota uma resistência obstinada do coração e da vontade.

A paciência ou a perseverança [hypomeno], não é para os covardes, pois implica uma submissão ativa da vontade e um coração confiante que ultrapassa qualquer circunstância atual. No entanto, é bom saber que essa atitude é um pré-requisito de Deus para dar-nos bênçãos mais profundas. De fato, Tiago começa sua epístola com este ensino:Meus irmãos, tende por motivo de toda alegria o passardes por várias provações [peirasmos], sabendo que a provação [dokimion] da vossa fé, uma vez confirmada, produz perseverança [hypomeno]” (Tg 1:2-3). Note que Deus produz a paciência (perseverança), não nós. Ele trabalha especificamente em nossas vidas para a produzir, coisa que não poderíamos elaborar por nossos próprios esforços. Ele o faz na medida em que respondemos corretamente às provas, do mesmo modo que alguém se fortalece fisicamente quando, até de forma dolorosa, pratica exercícios físicos numa academia de ginástica. Nós o fazemos intencionalmente com o exercício físico, Deus opera de igual modo com o nosso exercício espiritual. Tiago ainda destaca que, sem essa condição, o cristão não se desenvolve em todo propósito de Deus para sua vida. Vejamos o que ele diz em 1.4: “Ora, a perseverança deve ter ação completa, para que sejais perfeitos e íntegros, em nada deficientes”. Este versículo mostra, claramente, que Deus tem um propósito diferente e que busca alcançá-lo mediante a prova da nossa fé. Nossa responsabilidade é nos submeter, enquanto suportamos. Temos muito que aprender de Tiago e de Jesus, o Bom Pastor, sobre as provas e sofrimentos, nas quais nos encontramos.

Finalizando, peço a você que abra o seu coração para o ensino da Palavra de Deus, e, fique atento com os ensinamentos modernos que têm surgido no meio da igreja. Como os de Beréia, aos quais Deus os chamou de nobres por conferir se estas coisas eram, de fato, assim (Atos 17.11); estimulo você a meditar não só no que leu, mas também nas Escrituras, para também conferir se são assim.

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves