Relembrando o comentário anterior como ponto de partida, ressalto que muitos cristãos, em suas orações, pedem coisas que não fazem muito sentido. Há um exemplo claro nas Escrituras que aponta para tal situação. Leiamos juntos Marcos 10.35-41:

Então, se aproximaram dele Tiago e João, filhos de Zebedeu, dizendo-lhe: Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir. E ele lhes perguntou: Que quereis que vos faça? Responderam-lhe: Permite-nos que, na tua glória, nos assentemos um à tua direita e o outro à tua esquerda. Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis. Podeis vós beber o cálice que eu bebo ou receber o batismo com que eu sou batizado? Disseram-lhe: Podemos. Tornou-lhes Jesus: Bebereis o cálice que eu bebo e recebereis o batismo com que eu sou batizado; quanto, porém, ao assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me compete concedê-lo; porque é para aqueles a quem está preparado. Ouvindo isto, indignaram-se os dez contra Tiago e João. 

Observemos alguns pontos interessantes no registro de Marcos. Antes, porém, preste atenção na frase: “Mestre, queremos que nos concedas o que te vamos pedir…” Antes de continuar, poderíamos anotar os nossos nomes junto aos destes discípulos. Nossas orações, com frequência, revelam que o nosso coração deseja receber de Deus qualquer coisa que lhe pedimos. O que Tiago e João pediram a Jesus, é algo que transcende o presente e ultrapassa a esfera terrena. Receberam, no entanto, uma reprimenda pelo que pediram. Muitos comentaristas os descrevem como homens egoístas, espiritualmente imaturos, ambiciosos, desejosos de fama terrena, orgulhosos e carnais. Uma pausa para, outra vez, anotar os nossos nomes junto aos deles. Tiago e João teriam muito o que aprender a respeito das exigências que pesam sobre aqueles que decidem seguir a Jesus. Até agora eles não haviam sentido o coração partido, mas logo o sentiriam. A despeito das afirmações acerca deles, devemos levar em conta outros fatores importantes sobre os filhos de Zebedeu:

  1. Deixaram tudo para seguir a Jesus.
  2. Mudaram suas prioridades quando conheceram a Cristo e souberam avaliar o que era de verdadeiro valor.
  3. Ficaram firmes e não renunciaram (João 6.66).
  4. Desejavam estar na glória com o Senhor.
  5. Pelo menos se davam conta que se tratava da glória de Jesus, não a deles, e que sem Ele, não haveria glória.

Quando você ora ao Pai, o que você pede em oração?

Pelo menos eles criam que Jesus responderia a suas petições. Pelo menos, suas orações continham um elemento espiritual. Não oravam por bens deste mundo, por riquezas, um casamento, um trabalho, saúde, profissão, uma empresa de sucesso, ou uma longa lista de outras coisas que aparecem no inventário dos nossos desejos, a qual chamamos de oração. Pelo menos, queriam ser parte da glória do Salvador e anelavam estar relacionados eternamente com Ele. Isto significava muito mais do que Judas cria ou desejava.

Outros fatores são relevantes: Ao menos criam na identidade de Jesus e em sua missão. Somente esse fato excedia em muito aos fariseus, saduceus e outros líderes religiosos da época. O que estes líderes desejavam era autoridade, os primeiros lugares, reverência das multidões e uma vida relativamente próspera. O que se destaca, porém, é que as orações de Tiago e João centravam na eternidade.

Quando você ora ao Pai, o que você pede em oração?

Meu desejo é que você considere o que leu. Pense no pedido desses dois discípulos de Jesus, mas fique atento (a), porque vem mais pela frente.

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves