…Só uma coisa te falta: Vai, vende tudo o que tens dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; então, vem e segue-me (Marcos 10.21).

Anteriormente afirmei que a pergunta que o jovem rico fez ao Senhor, revela algo mais sobre o seu sistema de valores. Com isso em mente, note a reação do homem, após a resposta de Jesus: “…com esta palavra, retirou-se triste, porque era dono de muitas propriedades” (verso 22). O Senhor, ao adentrar no terreno daquele homem, isto é, no seu mundo material, pôs em evidência que ele havia quebrado o primeiro mandamento: “Não terás outros deuses diante de mim” (Êxodo 20.3). Sim, como muitos hoje em dia, aquele jovem se apegava aos bens materiais que havia acumulado, mesmo sentindo que estes não poderiam dar-lhe a paz e o descanso.

Foi precisamente por esta razão que ele havia procurado Jesus. Agora, no entanto, diante da resposta do Salvador, se retirou pior do que quando se encontrou com o Mestre e, invadido pela tristeza, se foi. O que aquele jovem escutou foi somente a indicação de Jesus para vender tudo o que possuía, mas não captou o convite para segui-lo. Ele não alcançou o sentido de perder um para ganhar o Outro. Pense: quando alguém como ele rejeita esse convite e se vai sem Jesus, vai sem paz e sem Deus.

Voltemos aos discípulos. Eles não teriam conduzido aquele encontro do mesmo modo como o Senhor o fez. Ainda que não expressassem em voz alta, não estavam convencidos de que Jesus houvera administrado a situação da melhor maneira. A reação que tiveram, mostra o que pensavam. Marcos 10.24 afirma que os discípulos ficaram assombrados com as Suas palavras, mas, logo no verso 26, vemos que se assombraram ainda mais, quando Jesus afirmou ser difícil um rico ser salvo. Por que se espantaram pelo que o Senhor dissera? Eles já estavam caminhando com Jesus por uns três anos. Nesse período de tempo, viram tantas coisas maravilhosas e poucas vezes revelaram espanto como este. Que havia nesta declaração que provocasse tão grande sobressalto?

A perspectiva dos discípulos com relação ao homem rico era a de que ele já estava abençoado por Deus. O modo como reagiram aos comentários do Senhor, revela a percepção que possuíam com relação às bênçãos do Pai Celestial. Anote, no entanto, o seguinte: “o entendimento deles, não é muito diferente do nosso”. Acrescente ainda que, se considerarmos a essência da maioria de nossas orações, não estamos pedindo também as coisas pertencentes a esta vida? Buscamos possuir bens, queremos maiores ganhos ou salários para comprar as coisas que desejamos, queremos a liberdade econômica que nos fará menos dependentes de Deus. Queremos ser como aquele jovem rico; jovens, no sentido de boa saúde, vitalidade, pessoas destacadas na sociedade, possuir segurança e que os outros nos sirvam. Podemos resumir da seguinte maneira: liberdade econômica para fazer tudo o que desejamos, boa saúde para desfrutar a vida, o respeito de outros, mesmo que não seja pelo que somos ou fazemos, mas pelo que temos. O conteúdo das nossas orações evidencia que gostaríamos de ocupar o lugar do jovem rico. Ter o que ele possuía e, no caminho da vida, ter um encontro com Jesus. Este era o modo como os discípulos (e nós também), habitualmente concebiam as bênçãos de Deus.

Quando você ora, por que coisas você ora? Reflita!

Continuamos na próxima publicação.

Em Cristo Jesus, o Senhor,

Pr. Natanael Gonçalves