Um dos benefícios de estudar seriamente a Bíblia, é a mudança que se opera em nós.  Se buscarmos honestamente a Deus e a Sua Palavra e se procurarmos viver as suas verdades, seremos tocados de modo tão intenso, que esta mudança não será passageira, ao contrário, seremos afetados para sempre. Cada vez que alguém se dedica de forma cuidadosa no estudo das Escrituras, tudo cobra um novo significado para essa pessoa. É como se os olhos do espírito se abrissem repentinamente enquanto ele se pergunta: por que não havia deslumbrado essas verdades antes? 

Esta foi a experiência dos discípulos que iam a caminho de Emaús. O Senhor que havia ressuscitado apareceu a eles, porém, eles não o reconheceram. Depois de relatar a Jesus os últimos acontecimentos da semana da crucificação, o Salvador, lhes respondeu de uma maneira inesperada. Lucas 24.25-26, relata que o Senhor lhes reprovou, dizendo-lhes: Ó néscios e tardos de coração para crer tudo o que os profetas disseram! Porventura, não convinha que o Cristo padecesse e entrasse na sua glória? Começando por Moisés e seguindo por todos os profetas, Jesus lhes certificou em todas as Escrituras, o que dele se dizia. Isto continua ocorrendo hoje. Uma vez que a nossa mente seja iluminada pela Palavra de Deus, e os nossos olhos espirituais sejam abertos, certamente nossos corações arderão, na boa expressão da palavra. Todavia, preste atenção: a Palavra viva e verdadeira do Deus vivo e verdadeiro, não pode ser substituída. Ela é o alimento para quem a recebe, enquanto revela o Pão da Vida àquele que tem fome, e ministra o bálsamo sanador ao que sofre. 

A Palavra de Deus é eterna e, assim sendo, há maravilhas incrustadas, ou seja, há tantas pérolas valiosíssimas a serem extraídas do tesouro escrito de Deus que, quando vêm à luz, causam um sentimento de profunda alegria que nos levam, invariavelmente, às lágrimas. Por exemplo, você já descobriu o quanto é mencionado na Bíblia a relação do sofrimento com a glória? Este conceito aparece em muitos lugares [e ao longo] da Palavra. Nos versículos citados a respeito dos discípulos a caminho de Emaús, Jesus havia mencionado que era necessário que Ele sofresse como condição para entrar em sua glória. Pedro descreveu a si mesmo em 1 Pedro 5.1, como testemunha dos sofrimentos de Cristo e também como coparticipante da glória que será revelada. Pedro explicou que os profetas do Antigo Testamento anunciaram “os sofrimentos de Cristo, e as glórias que os seguiriam” (1 Pedro 1:1). Após recomendar a seus leitores que não se surpreendessem com as duras provas, continuou: pelo contrário, alegrai-vos na medida em que sois coparticipantes dos sofrimentos de Cristo, para que também, na revelação de sua glória, vos alegreis exultando (1 Pedro 4:13). Ao terminar a introdução que inicia este novo Tomo, desejo lembrar o texto que abordamos várias vezes nos tópicos anteriores, onde Pedro vinculou a glória com o sofrimento: Ora, o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de terdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar, fortificar e fundamentar (1 Pedro 5:10). O sofrimento e a glória, aparecem relacionados uma e outra vez, mas sempre nessa ordem. 

Isto anima você? Ao andarmos pela estrada do sofrimento, necessitamos urgentemente nos agarrar às promessas de Deus. Não obstante, é bom saber que não apenas Ele intervirá, como também há algo de extraordinário à frente de todos aqueles que andam por essa estrada.

Paz a todos vós que vos achais em Cristo (1 Pedro 5.14), 

Pr. Natanael Gonçalves