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Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo (Mateus 16.16).

Pedro declarou que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, mas em vez de instruir os doze a proclamarem esta revelação, Jesus lhes advertiu que não dissessem a ninguém que Ele era o Cristo (Mateus 16:20). Observe que Pedro estava acompanhando Jesus e vendo as suas maravilhosas obras por quase três anos. Somente agora, no entanto, por inspiração divina, pôde dizer que Jesus era o Cristo. Quanto aos judeus comuns, estavam cegos espiritualmente falando, envolvidos com rituais desprovidos de vida, propiciados pelos fariseus e saduceus e também pelos corruptos sacerdotes Anás e Caifás. Os discípulos iriam anunciar a verdade ao mundo, mas este não era o momento. Jesus, que mantinha o controle de todos os acontecimentos, não queria mobilizar as autoridades judias antes que tudo estivesse em seu devido lugar, pois ainda faltava muita instrução àqueles que se tornariam seus apóstolos. O mesmo Jesus daria testemunho aos líderes da nação, tanto judeus como gentios, na noite em que seria julgado. Esse seria o momento indicado. Por agora, os discípulos deveriam manter reserva sobre o que haviam conversado. Não obstante, Jesus sabia que eles tinham muito a aprender e, além disso, entre eles havia um traidor que não cria que Jesus fosse o Cristo, o Filho do Deus vivo.

A declaração de Pedro abriu uma porta para uma revelação maior, parte da qual não estavam preparados para receber. Mateus 16.21 diz: “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo…” Observe que Mateus agregou seu próprio testemunho de que Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo. No geral, Mateus se referia a Jesus, simplesmente como Jesus. Com exceção dos versículos introdutórios de seu evangelho (Mateus 1:1 e 1:18), esta foi a primeira vez que Mateus se referiu a Ele como Jesus Cristo. “Desde esse tempo, começou Jesus Cristo a mostrar a seus discípulos que lhe era necessário seguir para Jerusalém e sofrer muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes e dos escribas, ser morto e ressuscitado no terceiro dia” (Mateus 16:21). É interessante notar que Jesus, aqui, atribuiu a sua morte aos judeus, não aos romanos. Mais adiante ele faria menção à cruz, o meio romano de execução. Independente da forma como se daria a sua morte, esta revelação não coincidia com a percepção que os discípulos possuíam do Filho de Deus ou do reino prometido do Messias. Acrescente a isso um dado importante: se Jesus houvesse feito este anúncio antes da declaração revelada por meio de Pedro, a fé dos discípulos se abateria em muito. Poderia alguns desertar? Talvez.

Aquele era o melhor momento para se fazer um anúncio daquela natureza, tanto pela missão de Jesus, como pelo treinamento dos discípulos. Pedro reagiu como Simão, talvez, assumindo com orgulho, que podia falar em nome de Deus, como havia feito apenas uns momentos antes. Jesus era o Cristo, o Filho do Deus vivo, mas, naquele momento, pretendia dar instruções a Jesus, orientá-lo e informá-lo. Quando Pedro intentou proibir Jesus de enfrentar a morte que acabara de predizer, Jesus não tolerou e respondeu-lhe com uma firme reprimenda.

O que sentiram os apóstolos diante de revelações que a eles pareciam contraditórias? Jesus, o que expulsava demônios, o que acalmava a tempestade com uma palavra, que nunca cedia aos ataques de Satanás, que ressuscitava os mortos e desconcertava seus oponentes… Ele ia morrer? Quem poderia mata-lo? Ele, que era o Filho do Deus vivo! Quem é capaz de fazer dano ao Filho, ao Amado? Quem é suficientemente forte para arrebatar o Filho do Pai? E sobre o reino prometido? A Bíblia apresenta centenas de profecias no Antigo Testamento sobre o reino que viria em poder e glória sobre todas as nações, e o Messias reinaria a partir do trono de Davi. Um Messias derrotado? Um Messias morto? Quanto mais pensavam, mais se confundiam.

Em Mateus 16:24-25 Jesus lhes disse: “Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, tome a sua cruz e siga-me. Porquanto, quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; e quem perder a vida por minha causa achá-la-á”. O Salvador estava chamando a qualquer um que desejasse segui-lo, incluindo a nós. Todavia, o chamado continha algumas exigências:  o negar-se a si mesmo e tomar sua cruz. Tomar a cruz? A cruz era um instrumento de morte e não de vida.

Ao terminar o tópico de hoje, preciso dizer que muitos afirmam ser cristãos, mas não negam a si mesmos e nem tomam a cruz para levá-la. Sendo a cruz um instrumento de morte, o cristão verdadeiro faz morrer, a cada dia, o seu eu, para que Jesus seja entronizado em sua vida. Isto é uma realidade para você? Ou você afirma ser um cristão por causa das bênçãos de Deus? Reflita!

Pr. Natanael Gonçalves