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Porque qualquer que de mim e das minhas palavras se envergonhar, dele se envergonhará o Filho do Homem, quando vier na sua glória e na do Pai e dos santos anjos. Verdadeiramente, vos digo: alguns há dos que aqui se encontram que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam o reino de Deus (Lucas 9.26-27). 

Este é o primeiro registro nas Escrituras a respeito do ensino de Jesus a seus apóstolos sobre a glória de Deus e, em particular, como se relacionava essa glória com o Salvador. Seria interessante saber o que pensou Judas e como reagiu ao que Jesus revelou. Judas não veria glória alguma, nem sequer a esperança da glória. Naquele momento, a glória de Jesus era somente uma questão de fé, não de vista; mas isto, rapidamente mudaria para três deles. O relato paralelo em Marcos 9.1 nos informa: Dizia-lhes ainda: Em verdade vos afirmo que, dos que aqui se encontram, alguns há que, de maneira nenhuma, passarão pela morte até que vejam ter chegado com poder o reino de Deus. 

A Bíblia não revela se algum dos discípulos se ofereceu voluntariamente, ou pediu para ser uma daquelas testemunhas que iriam ver o reino de Deus. Talvez as múltiplas revelações de Jesus os deixaram atordoados. Tinham muito para analisar, pois receberam novos ensinos que não alcançavam e era difícil harmonizar, racionalmente falando. Nos dias anteriores, o Senhor havia apresentado sua primeira revelação, ao dizer que estabeleceria a sua igreja, mas também anunciou a sua morte. Os discípulos receberam suas palavras e, em boa medida, creram nelas, mas estavam longe de entende-las. Jesus era o Filho de Deus, o Cristo, e, não obstante, a morte Lhe esperava. Eles também tomariam a sua cruz e o seguiriam. Às vezes, ou quase sempre, associamos “tomar a cruz” com suportar as dificuldades e as provas da vida e, alguns, chegam até cantar músicas que propõem esse entendimento. 

Para aqueles primeiros discípulos, a frase equivaleria a dizer: “Tome a tua cadeira elétrica e siga a Jesus”. Este era um chamado para a morte, não para a vida. Convenhamos, não se trata de uma ideia nada agradável. Mas, apesar das predições trágicas, Jesus disse que regressaria e julgaria o mundo inteiro. Não somente isso, mas também prometeu retornar em um reino de poder e glória. Acrescentou ainda que, alguns dos que estavam ouvindo essas palavras, viveriam para ver esse reino e sua glória. 

A Transfiguração ocorreu uma semana depois dos acontecimentos de Mateus 16. Ufa! que semana havia sido essa! No período de sete dias, os discípulos receberam a primeira profecia de Jesus acerca da igreja que Ele mesmo estabeleceria, a primeira profecia explícita de sua crucificação e ressurreição, assim também como a promessa do regresso do Rei e de seu Reino. Para culminar, esta seção contém também o primeiro ensino de Jesus relativo à sua glória. É notável que, até este momento, o Senhor havia se referido muito pouco sobre a glória de Deus. Ele ensinaria muito mais a respeito, mas quase todos eles, ocorreriam depois da Transfiguração. Há somente um ensino sobre a glória de Deus com anterioridade à Transfiguração, quando Jesus repreendeu aos judeus incrédulos em João 5:41-44, dizendo-lhes: Eu não aceito glória que vem dos homens; sei, entretanto, que não tendes em vós o amor de Deus. Eu vim em nome de meu Pai, e não me recebeis; se outro vier em seu próprio nome, certamente, o recebereis. Como podeis crer, vós os que aceitais glória uns dos outros e, contudo, não procurais a glória que vem do Deus único? 

Finalizando o tópico de hoje, faço aqui uma constatação. Quantos cristãos pensam na glória de Deus ou sabem alguma coisa a respeito da glória do Senhor? Quando nos reunimos, nós o fazemos para dar glória a Deus? Se isso for correto, será que conseguiríamos acrescentar um milímetro à glória que Deus já possui? Reflita! Continuamos no próximo tópico. 

Paz e bem! 

Pr. Natanael Gonçalves