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No último tópico, tratamos das figuras de Moisés e Elias no Monte da Transfiguração. Hoje, caminhamos com os olhos em Pedro, Tiago e João. Os três, após aquela experiência singular, não voltariam a ver Jesus da mesma maneira e nem mesmo as coisas deste mundo. Pelo resto de suas vidas, aquele momento de glória marcaria os seus corações e lembrança. Mais de trinta anos depois, quando Pedro escreveu sua segunda carta, o Espírito Santo o animou a recordar aquele dia em que havia contemplado a glória de Jesus. Pedro não lamentava estar tão próximo da morte, aliás, consciente dela, se concentrava mais e mais em seu Senhor. Em 2 Pedro 1:12-14, ele informa a seus leitores:

Por esta razão, sempre estarei pronto para trazer-vos lembrados acerca destas coisas, embora estejais certos da verdade já presente convosco e nela confirmados. Também considero justo, enquanto estou neste tabernáculo, despertar-vos com essas lembranças, certo de que estou prestes a deixar o meu tabernáculo como efetivamente nosso Senhor Jesus Cristo me revelou. 

Sempre discípulo e sempre aprendiz, o apóstolo, no verso 15, escolhe a mesma palavra que Lucas usou para se referir a Jesus: Mas, de minha parte, esforçar-me-ei, diligentemente, para fazer que, a todo tempo, mesmo depois da minha partida, conserveis lembrança de tudo. Pedro, falou de seu “exodos” e também de sua entrada. Em 2 Pedro 1:11, um pouco antes, havia escrito: Pois desta maneira é que vos será amplamente suprida a entrada no reino eterno de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Interessante notar que a palavra grega que se traduz como entrada em português, é formada sobre a mesma palavra para partida que é “exodos”, usando somente um prefixo diferente. Pedro esperava ambas: a partida (exodos) e a entrada (eisodos).

O apóstolo deixaria sua morada terrena, mas de nenhuma maneira deixaria de existir. Iria imediatamente estar em seu lar, o lar de glória. Ele o sabia, havia sido testemunha da glória décadas atrás, lá no Monte da Transfiguração. Observe como Pedro vincula a menção de sua morte com a lembrança da glória que havia presenciado, relacionando os seus pensamentos com a palavra “porque”. Porque não vos demos a conhecer o poder e a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo seguindo fábulas engenhosamente inventadas, mas nós mesmos fomos testemunhas oculares da sua majestade, pois ele recebeu, da parte de Deus Pai, honra e glória, quando pela Glória Excelsa lhe foi enviada a seguinte voz: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo. Ora, esta voz, vinda do céu, nós a ouvimos quando estávamos com ele no monte santo (2 Pedro 1:16-18). 

Os efeitos daquela visão, tampouco deixaram o coração e a mente do apóstolo João. Muitos anos depois daquele encontro santo, o velho João escreveu: E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai (João 1:14). João, com os olhos da mente, voltava atrás e recordava aquele momento especial. O ancião não podia considerar a vida de Jesus sem referir-se à sua glória. Mesmo no primeiro milagre que Jesus realizou ao converter a água em vinho nas bodas de Caná, o velho apóstolo destacou a glória: Com este, deu Jesus princípio a seus sinais em Caná da Galileia; manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele (João 2:11). João sabia que aqueles eram pequenos fragmentos da glória de Deus, contudo uma glória maior se fez evidente na Transfiguração e no Jesus glorificado a quem João contemplou e adorou em Apocalipse 1.

Finalizando o tópico de hoje, vimos que a palavra em evidência, é glória. Já insisti em postagens anteriores, afirmando que um dos propósitos de Deus para a vida de seus servos é que eles manifestem ao mundo a glória de Deus. Se você é um cristão verdadeiro, eu pergunto: uma vez que Jesus vive em você, a glória dele é manifestada aos outros através da sua vida? Essa questão não pode ser deixada de lado. Qual é a sua resposta? Reflita e responda a você mesmo. Continuamos no próximo tópico. 

No amor de Cristo, 

Pr. Natanael Gonçalves