Para entendermos um pouco mais sobre a presença de Moisés e Elias no Monte da Transfiguração, precisamos voltar atrás, lá no Velho Testamento, para observarmos alguns aspectos interessantes. Primeiramente, vamos com Moisés. Depois que os judeus receberam a primeira entrega da Lei, ratificaram um pacto de obediência a Deus (Êxodo 24). Não obstante, esta obediência voluntária durou pouco tempo. Durante o seu encontro com Deus, Moisés esteve fora por muitos dias. Por causa da demora, alguns pensaram que seu líder morrera. Então, pressionaram Arão para que este fizesse um bezerro de ouro, o qual seria o seu novo deus. O Senhor informou a Moisés o que estavam fazendo e declarou:

Agora, pois, deixa-me, para que se acenda contra eles o meu furor, e eu os consuma; e de ti farei uma grande nação (Êxodo 32.10).

Foi nesse momento que Moisés ponderou com Deus sobre suas promessas e o lembrou do pacto incondicional e eterno que Ele havia firmado com Abraão, no sentido de que Israel nunca deixaria de existir. Como resultado da intercessão de Moisés, Deus não destruiu a Israel, embora a nação merecesse. O pecado do povo provocou em Moisés uma ira santa, causando a execução de uns três mil homens (Êxodo 32.25-28). No entanto, também são evidentes o amor e a humildade de Moisés.  Em Êxodo 32.32, Moisés implorou a Deus: Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me, peço-te, do livro que escreveste. Que amor imenso para com um povo rebelde e ingrato! Você seria capaz de pedir a Deus que lhe tirasse a salvação e desse a outra pessoa? Isto não é possível e Deus não atendeu o pedido de seu servo.

Mais adiante, no capítulo 33, vemos algumas coisas que nos ajudam entender o episódio da Transfiguração. A questão envolve o incidente com o bezerro de ouro, pois Deus decidiu não habitar mais no meio do seu povo, para não o destruir (Êxodo 33:3). No verso 7, por causa desses acontecimentos, vemos Moisés tomando a tenda e armando-a bem longe do arraial, chamando-a de “tenda da congregação”. Quando Moisés entrava ali, a glória de Deus descia e se manifestava. O povo, por sua vez, contemplava e adorava de longe. Êxodo 33.11 declara: “Falava o SENHOR a Moisés face a face, como qualquer fala a seu amigo”. Imagina! Falar com Deus face a face como você fala com um amigo? No verso 33, Moisés rogou: Agora, pois, se achei graça aos teus olhos, rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Deus animou Moisés ao expressar em 33.17: “…Farei também isto que disseste; porque achaste graça aos meus olhos, e eu te conheço pelo teu nome”. Imagine o coração de Moisés ao clamar: “Rogo-te que me mostres a tua glória”. A resposta do Senhor veio imediatamente: “Farei passar toda a minha bondade diante de ti e te proclamarei o nome do SENHOR; terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer” (Êxodo 33:19).

Antes que Moisés pudesse reagir, Deus acrescentou: Não me poderás ver a face, porquanto homem nenhum verá a minha face e viverá (33:20). Moisés teria o seu pedido respondido, mas dentro dos parâmetros de Deus: Quando passar a minha glória, eu te porei numa fenda da penha e com a mão te cobrirei, até que eu tenha passado. Depois, em tirando eu a mão, tu me verás pelas costas; mas a minha face não se verá (33:22-23). Êxodo 34 menciona que depois desses acontecimentos, o rosto de Moisés demonstrava que ele estivera na presença de Deus, ou seja, o seu rosto brilhava. Deus havia mostrado a Moisés apenas uma porção de sua glória, o bastante para que resplandecesse diante de todos. Em certo sentido, Deus não concedeu a Moisés a sua petição, pelo menos, não nesse momento. É claro, ele queria ver a glória de Deus, mas viu apenas uma porção dela.

Hoje, nos encontramos com o primeiro participante da Transfiguração. Voltaremos a ele depois de termos um encontro com o segundo personagem do Antigo Testamento, o profeta Elias.

Guarde em seu coração o que você leu aqui, hoje. Em breve descobriremos os vínculos com a Transfiguração. Enquanto isso, imagina a experiência de se estar tão perto de Deus, a ponto de seu rosto resplandecer. De fato, quando alguém anda e vive na presença do Deus de toda a glória, pode não ter o seu rosto reluzente, mas a sua vida resplandecerá neste mundo de trevas. Como cristão, você pode afirmar essa realidade em sua vida? As pessoas que vivem ao seu redor, podem notar algo diferente em você?

Em Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves