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Muitos não conseguem entender a situação de Elias. O encontro com os falsos profetas foi uma vitória, não uma derrota. Ainda que as Escrituras não façam uma alusão a isso, penso que se produziu uma tremenda batalha espiritual no interior de Elias. A idolatria a Baal e Asera (poste-ídolo) era uma evidência da forte atividade demoníaca naqueles dias. Em 1 Coríntios 10:20, Paulo afirma que, quando alguém sacrifica a um ídolo, na verdade sacrifica a demônios.  A idolatria proliferava em quase todo Israel, desde o rei ao simples servo, e isso equivale dizer que o povo de Deus, em sua terra prometida, vivia em uma fortaleza demoníaca. Outra dedução que fazemos, ainda que não se mostre de forma explícita na Palavra de Deus, se refere ao papel estratégico de Elias. Imagina Satanás observando sua fortaleza sendo destruída, seus falsos profetas também, e as pessoas começando um retorno a Deus. Não faria ele tudo que estivesse ao seu alcance para derrotar seu oponente humano? O mais provável é que Satanás tenha cirandado com o profeta, tal como faria com Pedro um tempo depois. Sem ânimo e com um sentimento de derrota, Elias deseja morrer. 

Deus veio ao encontro de Elias na caverna onde estava, e lhe deu a seguinte instrução: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR (1 Reis 19:11). Há uma diferença com o episódio de Moisés, onde este pediu para ver a glória de Deus. Elias, no entanto, não pediu o mesmo. Não obstante, Deus lhe deu pequenas amostras de seu poder (1 Reis 19:11). Do ponto de vista da perspectiva humana, um forte vento capaz de fender as rochas e os montes, um terremoto e um fogo consumidor, provocariam na maioria das pessoas uma reação de assombro, um temor que estremece ante o poder de Deus. Todavia, da perspectiva de Deus, quando alguém pensa na Sua criação e na grandeza de Sua glória, esta demonstração, limitada a uma pequena área ao redor do monte Horebe, não quer dizer muita coisa. Assim, Deus mostrou a Elias apenas uma microscópica partícula de Seu poder, mas era a lição objetiva que o abatido profeta necessitava naquele momento. 

Qualquer das três manifestações, era muito superior ao “poder” dos deuses silenciosos do altar pagão. Qualquer das três manifestações, poderia destruir a Jezabel, a rainha pagã, ou qualquer outro adversário, se assim Deus o desejasse. Quando passou junto a Moisés, Deus mostrou somente suas costas e, quando passou junto a Elias, mostrou apenas um eco do seu poder. Elias não viu a Deus, todavia, percebeu os efeitos da Sua presença. Há nisto, uma importante diferença. As Escrituras fazem uma enfática distinção ao dizer que “O Senhor não estava no vento”, “O Senhor não estava no terremoto”, “O Senhor não estava no fogo” (1 Reis 19:11). Elias foi testemunha do poder que Deus mostrou em uma pequena escala, no entanto, não teve comunhão face a face e nem presenciou a glória de Deus. 

Bem, nos encontramos com os dois personagens do Antigo Testamento que participarão da Transfiguração de Jesus. Agora, porém, vamos nos acercar de Pedro e João e vermos os passos que conduzem àquele maravilhoso acontecimento. Continuamos no próximo tópico. 

No amor de Cristo Jesus, 

Pr. Natanael Gonçalves