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Respondendo Simão Pedro, disse: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo. Então, Jesus lhe afirmou: Bem-aventurado és, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelaram, mas meu Pai, que está nos céus (Mateus 16:16-17). 

Considerando alguns fatores, podemos dizer que Deus fez a notável declaração através de Pedro. Algum tempo antes, quando Jesus caminhou sobre as águas, os discípulos o receberam em seu barco. A reação natural deles foi adorá-lo e dizer: Verdadeiramente és Filho de Deus! Apesar de ser bem mais do que o povo dizia acerca de Jesus, essa declaração, todavia, era incompleta. Observe que não usaram o artigo definido quando qualificaram o Salvador. Não disseram: Verdadeiramente és o Filho de Deus! O que disseram poderia ser traduzido assim: “Verdadeiramente és um Filho de Deus”.  O conceito deles a respeito do Messias era o de um ser humano normal, tal como o era Jesus. 

No entanto, que o Messias pudesse ser, humano e ao mesmo tempo divino, isso os confundia, do mesmo modo que confundia os fariseus. Pouco tempo depois desta cena, em Mateus 22.42, Jesus demoliu o sistema de pensamento religioso dos fariseus com uma simples pergunta: Que pensais vós do Cristo? De quem é filho? Responderam-lhe eles: De Davi. Sem dúvida, se sentiram humilhados com uma pergunta tão simples, posto que qualquer menino judeu podia responder. Todos sabiam que Deus havia feito um pacto com Davi, de quem, finalmente, viria o Messias. Jesus continuou no verso 43 com outra pergunta: Como, pois, Davi, pelo Espírito, chama-lhe Senhor…? O Messias seria humano e seria filho, mas também era Senhor. Na verdade, já era Senhor antes de tudo, mesmo antes de Davi escrever o Salmo, cerca de mil anos antes do nascimento de Jesus. Os fariseus não se atreveram a responder, tampouco o fazem muitos dos ascéticos modernos que examinam as declarações do Messias. Se um judeu dissesse que um ser humano possuía a mesma essência do Único Deus [Hahveh], isso seria considerado um ato de adoração ou uma blasfêmia desafiante. Não havia uma posição intermediária. 

Os discípulos sabiam que, de forma coletiva, Israel podia ser considerado filho de Deus, mas não que um deles fosse o único Filho de Deus. Chegaram bem perto da verdade, mas não de forma completa, no episódio da adoração Àquele que andou sobre o mar e veio ao barco onde eles estavam. Em Cesaréia de Felipe, Deus interviu, pois desta vez, Pedro declarou: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”. Ele não era um entre os muitos falsos deuses, não era também um profeta hebreu imortalizado e nem tampouco uma superstição espúria, erroneamente ligada à identidade de outra pessoa. Não! Ele é o Único! Demorou uns três anos para que os discípulos alcançassem esta declaração, e era, de fato, importante que o soubessem, pois isso vai além do que um simples crer. Pedro não disse: “Penso que és o Cristo” ou “Creio que és o Cristo”.  Isso, definitivamente, não teria sido suficiente. 

As crenças podem mudar, a fé pode vacilar. Observe, João, o Batista. Ele batizou a Jesus e ouviu a voz de Deus desde o céu, sim, o mesmo João que, anos antes, havia saltado no ventre de sua mãe diante da presença do Jesus que, todavia, não havia nascido. Sua fé foi provada ao máximo, nos últimos dias de sua vida. Estava preso, e antes de sua execução, enviou seus discípulos com uma pergunta para Jesus: “És tu aquele que havia de vir, ou esperaremos outro?”  Aquele que havia de vir, era o termo para designar o Messias. Se naquele momento, pudéssemos perguntar a João Batista quem era Jesus, certamente ele teria vacilado. As circunstâncias o fizeram titubear, pois as coisas não resultaram como ele esperava. A fé segue sendo necessária, mas a revelação divina é muito importante. Céus e terra passarão, mas não a Palavra de Deus. O que Pedro disse foi Palavra de Deus. Pedro foi simplesmente o canal. 

Ponha os olhos neste texto. Releia-o se for necessário, mas responda uma pergunta: O que Jesus é para você? Sua resposta pode ser uma questão de vida ou morte. Pense sobre isso e que Deus te abençoe, 

Pr. Natanael Gonçalves