Para o conhecer, e o poder da sua ressurreição, e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte (Filipenses 3:10).

Para que todos possam entender o que significa a “participação dos seus sofrimentos”, abordo o tema relacional entre pai e filho. Neste e no próximo tópico, procuro traçar um caminho para uma melhor compreensão da frase. Assim sendo, vamos juntos nessa trilha.

Falamos anteriormente que a ressurreição de Jesus proporcionou uma nova relação com Deus. Mesmo que Jesus tenha feito referência, em múltiplas ocasiões, aos termos “vosso Pai” ou “nosso Pai”, a palavra “pai” pode ser um termo que provoque certa desilusão em algumas pessoas. Por certo, para elas, a experiência que vivenciaram com seus pais terrenos, seja a responsável por essa desilusão. O destaque, todavia, se concentra no fato de que essa é a única ideia de pai que conhecem.

Para indicar uma relação mais pessoal, Paulo usou uma palavra que vai além do conceito de “pai”, ao empregar o termo arameu “Abba.” Alguns dizem que esse termo é o equivalente a “papai” ou “papi”, um dos primeiros nomes que uma criança pode verbalizar. Outros estudiosos também afirmam que Abba expressa o amor de um pai para com seu filhinho, a ternura e o aconchego nos braços e o sentimento de ser amado e protegido. Em Romanos 6, Paulo fala da luta contínua com o pecado para muitos cristãos. Quando alguém encontra a salvação, descobre que alguma área da vida segue sendo uma batalha persistente. Essa luta envolve situações complicadas, pois, em algum momento pode surgir o sentimento de fracasso e, assim, esse cristão é levado a raciocinar: “Talvez Deus não me ame. Eu lhe disse que não voltaria a pecar, e aqui estou eu novamente.” Paulo, ainda que não tolerasse o pecado, compreendia essa batalha, bem como a profundidade do amor de Deus através de Jesus. O apóstolo informou aos seus leitores em Romanos 8.15, afirmando que eles podiam se apoiar nessa verdade: “Porque não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai.

A palavra “clamamos” descreve apropriadamente a luta. Não é um clamor que expresse louvor ou adoração, mas um clamor a Deus a partir da própria miséria. Ele usou, então o termo “Abba”, ou seja, Papai. Isso é pessoal e relacional e demonstra que o nosso Pai Celeste, de modo afetuoso e íntimo, nos ama, mesmo em meio aos nossos fracassos e lutas.

O outro uso que Paulo deu ao termo “Abba”, se encontra em Gálatas 4.6. Aqueles cristãos recebiam os falsos profetas que procuravam afastá-los da graça e confina-los à lei. Paulo enfatizou que seguir a Cristo não era seguir um sistema, mas a uma Pessoa. Possuir uma relação com um Ser vivo e não com um sistema codificado. Em vez de ser escravos da lei e de trabalhar sob o seu peso, os gálatas deviam lembrar que haviam sido salvos por graça. Paulo se admirava que aqueles cristãos pudessem abandonar Jesus e abraçar a escravidão legalista. Procurou mostrar-lhes que pertenciam a Cristo e que deveriam permanecer firmes. Por isso, escreveu: “E, porque vós sois filhos, enviou Deus ao nosso coração o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai!” Aqui, é o Espírito que “clama Abba”, não os cristãos. Com isto, ele demonstra que o Espírito está expressando amor e preocupação pelos gálatas. Será que você já chegou a imaginar essa situação com relação à sua vida, em particular? Digno de nota, no entanto, é a associação do termo “clamar” com “Abba”, a qual denota a intensidade da súplica. Temos mais um exemplo de uso da palavra “Abba” acompanhada de um intenso clamor. Todavia, veremos no próximo tópico.

No amor de Cristo,

Pr. Natanael Gonçalves