Respondeu Jesus: Darás a vida por mim? Em verdade, em verdade te digo que jamais cantará o galo antes que me negues três vezes (João 13.38).

Após as perguntas que Pedro fizera ao Senhor, a Bíblia não registra que ele voltou a falar até que chegassem ao Getsêmani. Ele deve ter caminhado cabisbaixo, pensativo. Não compreendia o que Jesus havia dito e isso era muito doloroso, mas o que o Senhor acrescentou, ao predizer sobre a sua negação diante dos demais discípulos, pôs um freio nos lábios de Pedro. A esta altura, sua única opção era escutar e tratar de absorver, enquanto sua mente dava voltas. O fato de não receber permissão para ir onde Jesus iria, fere o orgulho do apóstolo. Por outro lado, os sentimentos o apertavam ainda mais, uma vez que Jesus lhe disse que ele haveria de negá-Lo. Como o Senhor poderia pensar uma coisa dessa? O Senhor havia falado sobre separação e, provavelmente, Pedro se perguntava: quando nos deixará? Na verdade, seria o oposto, conforme registro do profeta Zacarias: …fere o pastor, e as ovelhas ficarão dispersas (fugirão) (Zacarias 13.7).

Pedro, em seu último intento de coragem, ao ficar perto do lugar onde o Sinédrio inicialmente julgou a Jesus, cumpriria a profecia do Senhor, negando-o três vezes. A promessa de dar a sua vida em lugar da de Jesus, havia, neste momento, ficado para trás. Em um dos versículos mais aflitivo das Escrituras, Lucas registra que Jesus voltou e fixou os olhos em Pedro quando este o negava pela terceira vez (Lucas 22.61). O texto diz que Pedro saiu e chorou amargamente. Naquele instante ele não tinha ninguém a quem recorrer para abrir o seu coração, e, como resultado, o grito e o lamento profundo que vem da alma, se esvai em lágrimas e pranto.

Agora, preste atenção: o olhar de Jesus não era somente para Pedro. Esse olhar também nos encontra, quando nós o negamos. Nos encontra quando estamos consumidos pelo sofrimento e a injustiça do mundo e, seja com os pensamentos ou com palavras, murmuramos e o censuramos por não intervir de forma apropriada, como desejávamos. O olhar de Jesus nos encontra quando afirmamos com soberba que o seguiremos por onde quer que vá, inclusive até à morte, se preciso for. Porém, logo reclamamos, quando recebemos uma ordem contrária ao que esperávamos. Se você põe os olhos apenas em sua dor, você não poderá olhar para a face de Jesus. Se você olhar atentamente para Jesus, sua dor pode não desaparecer, mas certamente, passará a ser algo secundário. Quando contemplamos o sofrimento de Jesus por nós, ou melhor, em nosso lugar, nosso sofrimento se torna mais suportável. Em vez de dizer: “Ele não sabe o que estou passando”, você tem a sólida garantia de que Ele sabe sim, e, de fato, o sabe melhor que nós, por causa da nossa capacidade limitada. Compreender o sofrimento de Jesus a um nível um pouco mais profundo, muda nossa perspectiva, e nos converte em adoradores em meio ao nosso sofrimento.

Finalizando, gostaria que você gravasse em seu coração o que vem a seguir: Muitos, no desespero do sofrimento, chegam a dizer que Deus se esqueceu deles, ou não se importa com eles e até mesmo que Jesus não compreende o que estão passando. Em lugar dessa atitude, ao passarmos pelas aflições e angústias, deveríamos estar convictos de que essa situação nos faz, em certa medida, participantes nos sofrimentos do Senhor (Filipenses 3:10). Deus permite o sofrimento na vida de Seus filhos com propósitos em mente e, um dos mais importantes, é o de fazer-nos parecidos com Cristo (Romanos 8:29). Reflita sobre isso!

Que Deus te abençoe imensamente.

Pr. Natanael Gonçalves