Anteriormente, no final da introdução que fiz ao tema, mencionei a respeito de um presente que não desejamos receber. Se você não leu, é importante que o faça clicando aqui. Seguimos caminhando e refletindo a respeito do que Paulo escreveu. Antes de mais nada, assumo que é difícil harmonizar a nossa teologia com um texto que indica a todos nós que Deus, em Sua graça, nos concede o sofrimento. Vamos relembrar o texto de Filipenses 1.29:

Porque vos foi concedida a graça de padecerdes por Cristo e não somente de crerdes nele.

Não te parece estranho essa afirmação do apóstolo? Sendo convictos da bondade e do amor de Deus, como Ele pode nos dar um presente desse? Se fôssemos visitar alguém que está passando por um tremendo sofrimento e lhe disséssemos que a sua dor e aflição é um presente da graça de Deus, como ele receberia? Não seria isso uma crueldade? No entanto, é o que Paulo escreve aos irmãos de Filipos. O apóstolo não minimiza o sofrimento dos filipenses, mas também não tenta agradá-los. Não diz algo como: “coitadinhos!”, o que poderia ser proferido por um expectador compassivo e perplexo. Quando sofremos, buscamos alguém que aja desse modo. Aceitamos de bom grado que essa pessoa reconheça que estamos sofrendo e que se compadeça de nós. O próximo passo, entretanto, mesmo que seja de forma inconsciente, é o de assumirmos que o Senhor não se importa conosco e que não nos trata com amor.

 O que ressalto, porém, é o fato de não compreendermos que o sofrimento pode ser algo que provém de Deus. Em parte, isto se deve à nossa perspectiva terrena, haja vista que não  relacionamos o sofrimento com o bem, mas sempre o associamos com o mal. Dificilmente colocaríamos a dor na mesma categoria dos demais “presentes” que recebemos de Deus, tais como: a salvação, as bênçãos, os dons do Espírito, as curas e  tantos outros presentes. Poderíamos comparar o sofrimento com o presente de sermos admitidos ao céu? Não obstante, há uma outra razão que nos causa espanto com relação ao que estou tratando, até mesmo porque, ouvimos isso em muitos púlpitos. Trata-se do ensino de que Jesus experimentou o sofrimento por nós e, como Ele disse na cruz “está consumado”, muitos supõem que todo o sofrimento relacionado com “um filho de Deus”, também terminou na cruz. O que nos resta a fazer é, por fé, marcharmos triunfantes e alegres em direção ao céu. Além disso, ao caminharmos contentes, acreditamos que estamos distantes e imunes ao sofrimento profundo que aflige a tantos no mundo. Será isso uma realidade? No entanto, essa é a teologia pregada em muitos locais e com muita eloquência.

Ao finalizar, preciso ainda dizer uma coisa: a maioria de nós, quando encontra ou encara o sofrimento, os joelhos tremem e o coração desfalece. Sabemos que Deus poderia intervir em nossa crise, como antes, reiteradas vezes, o fizera, porém, quando isso não acontece, perguntamos a nós mesmos o que fizemos para ofendê-Lo. Se o sofrimento se prolonga e intensifica, como pode acontecer, chegamos a indagar se Deus sabe o quanto estamos sofrendo e, finalmente, duvidamos que Ele se importe.

Tenho convicção de que o assunto é difícil de ser digerido. Mas, ao longo desse tomo quero demonstrar que, de fato, se pode ver que o sofrimento por Cristo, é um presente de Deus. Não perca as próximas publicações, elas abençoarão o seu coração.

Em Cristo Jesus, o Senhor da glória,

Pr. Natanael Gonçalves