Sem dúvida, estamos vivendo os últimos dias. Paulo a Timóteo nos alerta com relação a essa época quando afirma em 2 Timóteo 4.3: Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos. Alguém duvida que estamos vivendo este tempo? Hoje, o desejo de muitos é ouvir a respeito de um evangelho que lhes proporcione bênçãos materiais e uma qualidade de vida melhor. Quem prega essa mensagem conta com uma plateia cativa que cresce a cada dia. Observe a sutileza e o logro: “o evangelho da prosperidade” ensina que Deus quer que você seja rico, que tenha saúde e que seja feliz (é claro, a felicidade baseada nas coisas terrenas). Contudo, se você não alcançou esse patamar, então, a culpa é sua, pois você necessita de mais fé para tal. Na realidade, a verdade é exatamente o oposto. Precisamos de muito mais fé, se é que podemos dizer assim, para suportar as hostilidades por amor a Cristo e seguir caminhando com o Senhor. Quantas pessoas que sustentam o ensino da “teologia da prosperidade” continuariam seguindo a Cristo, depois de passar por uma só das coisas que sofreu o apóstolo? Seria interessante ver isso.

Quando Paulo escreve aos filipenses sobre o sofrimento e o apresenta como um “presente de Deus”, fala por experiência própria, coisa que poucos cristãos, ao longo da história, são capazes de afirmar. De fato, Paulo pôde escrever: “a vocês vos foi concedido não somente o crer, mas também o padecer” (Filipenses 1:29) e, isso, somente depois de haver experimentado, ele mesmo, reiteradas vezes, as mesmas penúrias e também de ter sido testemunha fiel dos resultados benéficos em sua própria vida. O apóstolo se transformou numa demonstração de como Deus usou o seu sofrimento para o bem da fé dos filipenses. Ele estava apto para reconhecer, de modo adequado, a origem e a razão do sofrimento dos irmãos de Filipos e, ao mesmo tempo, animá-los. Em parte, isto pode explicar porque Deus permite o sofrimento na vida de um filho seu. Não obstante, tenha em mente: Deus, é um Deus de propósitos!

Os que sofrem debaixo dos planos do Senhor, entendem também que o sofrimento é um meio da graça de Deus estendida a outros. Paulo explicou isso aos cristãos de Corinto quando escreveu 2 Coríntios 1.3-4:

Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus.

Em outra carta, Paulo escreveu que os cristãos são criados em Cristo Jesus para as boas obras (Efésios 2.10). Parte dessas boas obras pode ser o uso que Deus faz do nosso sofrer, juntamente com as lições que aprendemos, para animar e fortalecer a outros irmãos que estão entrando na arena do sofrimento, muito similar ao que Paulo fez pelos filipenses. Encerro por hoje, lembrando que Atos 16 revela que a fundação da igreja de Filipos, aconteceu, em grande medida, a como Paulo e Silas responderam aos seus próprios sofrimentos. Mas, o assunto, continua na próxima publicação.

Se você está passando por uma situação de angústia e desespero, muitas vezes os sentimentos que nos rondam e nos apertam, despertam em nós a vontade de pularmos fora. Contudo, saiba que Deus está no controle de todas as coisas. Ele tem o controle do termostato e do relógio e, certamente, as bênçãos virão. Ele, é um Deus amoroso e tem propósitos em sua vida. Depois, você olhará para trás e lembrará do teu sofrimento como de águas que já passaram (Jó 11.16).

Em Cristo, que nos fortalece,

Pr. Natanael Gonçalves