No tópico anterior mencionei sobre o sofrimento das igrejas da Macedônia, de sua pobreza e do espírito doador daqueles cristãos. Hoje em dia, essas igrejas não atrairiam a muitos que andam buscando uma que os satisfaça. Se um desses as visitasse, poderia pensar: “Eles não têm o que oferecer-me. São gente simpática, mas não possuem instalações adequadas. É óbvio que Deus não quer que eu faça parte de um grupo tão pequeno, já que o seu número limitado mostra, claramente, sua falta de visão para o ministério e sua falta de compromisso com Deus.” Você pensaria assim?

Penso que você pode medir sua profundidade espiritual avaliando as perguntas que seguem:

1) Gostaria de ser membro de uma dessas igrejas da Macedônia? 2) Você seria capaz de ofertar como aqueles irmãos ofertaram, ou veria esse ato como uma violação ao que você considera como seu? 3) Se Deus produzisse as mesmas situações em sua vida, você se consideraria abençoado ou abandonado por Deus? 4) Serias capaz de seguir caminhando com Jesus em meio à escuridão solitária, ou o seu andar está reservado somente para os dias ensolarados e transbordantes das bênçãos de Deus?

As perguntas mais penetrantes, dizem alguns, são aquelas que nunca responderíamos em voz alta, especialmente na frente de outros irmãos. Um exemplo: “se essas igrejas da Macedônia se entregaram por completo ao Senhor, então, em troca, por que não haveria Deus de abençoá-las? Se ofertaram tanto a Deus, não estaria Ele obrigado a retribuir-lhes?” Ao estudar um pouco sobre a condição daqueles irmãos, poderíamos pensar que Deus se deleitava em tomar o pouco que tinham e, em contrapartida, não lhes dar nada. Em vez da vida se tornar mais fácil, o que se via era que a situação se agravava, enquanto caminhavam com o Senhor. Você estaria disposto?

As igrejas macedônicas já haviam formulado o seu ponto de vista sobre o dar a Deus e receber Dele, razão pela qual davam com tanta liberalidade, mesmo em meio a intensos sofrimentos. Paulo revelou o segredo de tal atitude em 2 Coríntios 8.5. Vamos ler juntos: 

E não somente fizeram como nós esperávamos, mas também a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.

Observe a frase: “a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor”.  Novamente a ironia da verdadeira generosidade cristã se auto revela. Deus não quer e nem necessita do nosso dinheiro, antes, Ele quer a nós mesmos. Se Ele nos tem (nosso coração, nossa paixão, nossa motivação), o dinheiro não será um problema. Tampouco será o compromisso, o tempo, o sacrifício, as dificuldades, o sofrimento ou o andar por fé. Quando alguém, primeiramente, oferta a si mesmo ao Senhor, os encantos do mundo se tornam cada vez menos atrativos e cada vez mais superficiais. Não apenas isso, mas quando um indivíduo se oferta ao Senhor, essa entrega transparece e se torna evidente a todos aqueles que estão ao seu redor. Desta forma, a oferta sacrificial aos outros, fica tão natural como o respirar. Quando eles a si mesmos se deram primeiramente ao Senhor, ficou demonstrado que tudo aquilo que o mundo se apega e valoriza, até mesmo o mundo cristão, foi substituído pelo desejo de conhecer a Cristo de um modo mais profundo. Deus abençoou e honrou esse desejo de conhecê-Lo e os resultados continuam por toda a eternidade.

Paulo compreendeu essa mentalidade e logo a usou para exortar aos filipenses em outras áreas de seu andar cristão. Enquanto escrevia a respeito da entrega dos macedônios ao Senhor, sua entrega pessoal era igual ou maior. Ele assim o demonstrou na coerência de seu andar com Cristo.   Também abriu o seu coração aos filipenses (e a nós), e lhes permitiu conhecer a ternura de sua comunhão com Cristo e de que maneira nós podemos participar da mesma comunhão.

Por fim, uma pergunta: você está disposto a entregar-se total e verdadeiramente ao Senhor? Responda a você mesmo!

No amor de Cristo Jesus,

Pr. Natanael Gonçalves