Como disse anteriormente, não podemos entender porque Deus permite que seus amados filhos sejam atacados por Satanás e passem por aflições tremendas. Nessas situações, proclamamos versículos de liberação e proteção, mas o maligno segue atuando. Clamamos ao Pai, mas o sofrimento se intensifica. Buscamos a Deus e suas respostas, porém estas não chegam, não ao menos, na forma que consideramos como solução. Sofremos, e Deus não alivia essa tribulação. A intensidade e a profundidade da dor nos surpreendem. Como Deus pode fazer isso conosco?  Mesmo que Deus não seja o Autor direto dessas adversidades, por que não as evitou, posto que Ele tem o poder e a autoridade para fazê-lo? Adicionamos ainda um outro aspecto que nos surpreende:  o tempo da dor parece se alongar mais e mais.

Às vezes, pensamos que o nosso sofrimento já terminou, quando de repente, pasmados, observamos o início de uma nova rodada, e esta, mais intensa que a anterior. Quanto tempo devo sofrer em solidão? Muitos detalhes do sofrimento nos desconcertam porque não os entendemos. Por exemplo, uma das verdades mais assombrosas na história de Jó, é a constatação de que foi Deus que iniciou a prova perguntando a Satanás: “Observaste o meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desvia do mal” (Jó 1.8). A resposta capciosa do Adversário ao Altíssimo, nos faz pensar: “Porventura, Jó debalde teme a Deus?”  O argumento usado por Satanás, foi o de que Jó servia a Deus por aquilo que recebia Dele, não porque era o Deus Verdadeiro, Único e digno de ser amado e adorado. “Estende, porém, a mão, e toca-lhe em tudo quanto tem…”, em outras palavras: “Retira dele todas as bênçãos que lhe deste”, e ele blasfemará contra ti na tua face (Jó 1.11).

Essa acusação pode nos deixar gelados interiormente, se, com sinceridade, considerarmos as implicações de um ataque satânico como esse em nossas vidas. No verso 10, vemos que o Senhor havia posto um cerco de proteção ao redor de Jó, o qual dificultava os ataques do diabo. Então, era de se esperar que Satanás pleiteasse que Deus retirasse essa proteção, todavia, o que nos choca, é que o Senhor o concedeu. Aqui há um outro exemplo de como nossos caminhos e pensamentos são opostos aos do Deus Altíssimo. Nós, como pais, jamais permitiríamos que se retirasse dos nossos filhos a proteção, nem tampouco que o diabo pudesse atacá-los. Não obstante, Deus permitiu esse ataque.

O Senhor pôs um limite ao Adversário para que não matasse a Jó, porém o resto ficou disponível a Satanás para a sua carnificina diabólica: seus filhos, sua saúde, suas possessões, sua paz, sua posição social e seu bem-estar. Apesar de tudo, uma das feridas mais profundas neste cenário, foi a de que Deus Se escondera intencionalmente, mesmo à despeito do clamor intenso e reiterado de Jó. Esta é a recompensa que Jó receberia por ser o homem mais justo da terra naqueles dias? Entendemos que Satanás desfira seus ataques em todo o tempo, mas não que Deus permita esses ataques. Ficamos surpresos quando tomamos conhecimento do que aconteceu com Jó, e também no fato de Deus não ter respondido, quando o seu servo clamava por socorro. Nos surpreende ainda mais, quando somos acossados por sofrimentos diversos. As raízes da dúvida poderiam brotar em nossa mente ao concluirmos que o Pai não protege a seus filhos e ainda permite que eles sofram intensamente.

Nesta vida, nunca teremos as respostas completas a todas as perguntas que fazemos aqui. Deus não promete uma revelação plena, mas por outro lado, não nos deixou em completa ignorância espiritual. Por exemplo, ao observar a vida de Jó, podemos perceber uma das razões pelas quais sofrem os fiéis seguidores de Deus. Há uma guerra espiritual invisível à percepção humana, na qual Satanás é o adversário do Altíssimo e de seu povo, e isso nos inclui dentro do contexto. Temos um pouco mais de luz do que Jó, porém, não muito mais.

Uma vez que não se pode ver todos os fatores envolvidos, também não se tem certeza da origem ou do propósito do sofrimento dos filhos de Deus.  Não existe nenhum barômetro espiritual que indique que este sofrimento possui uma intervenção direta de Satanás, e aquele não. Como ocorreu a Jó, as circunstâncias somente nos permitem observar os sintomas da dor e, a partir daí tirar as nossas próprias conclusões, as quais, provavelmente, não serão mais acertadas do que as de Jó. Deus, em sua graça, nos deu mais informações nas Escrituras a respeito da “surpresa” da dor que Ele permite sobre os Seus. Temos uma melhor compreensão dos aspectos do sofrimento, e uma maior esperança se, todavia, crermos e nos apropriarmos dela. Encontramos muito mais acerca do sofrimento e da esperança na primeira carta de Pedro. Como sempre, tudo o que ele escreveu em suas epístolas, teve como origem a aprendizagem que recebeu de Jesus durante os Seus três anos de ministério terreno. Mas isso, é assunto para o próximo tópico. Não perca!

Que Deus te abençoe abundantemente,

Pr. Natanael Gonçalves