Por isso, também os que sofrem segundo a vontade de Deus encomendem a sua alma ao fiel Criador, na prática do bem (1 Pedro 4.19).

Pedro não apresenta uma resposta completa, mas resume bem qual deveria ser a nossa perspectiva dentro desse contexto: “todos os cristãos que sofrem segundo a vontade de Deus, encomendem suas almas ao fiel Criador, praticando o bem”.  O apóstolo havia ouvido a oração de Jesus: “Seja feita a Tua vontade, assim na terra, como no céu”.  Da mesma forma, testemunhou a agonia do Senhor expressada na frase: “passa de mim este cálice, todavia, não seja feita a minha vontade, mas a Tua.”  O sofrer segundo a vontade de Deus, tal como ocorreu com Jó, não significa sofrer até à morte. Observamos que a dor de Jó terminou quando ele recuperou tudo e muito mais do que havia perdido. Entretanto, essa aflição foi segundo a vontade de Deus, pois o Altíssimo possui propósitos específicos para cada vida em particular. Nesse quadro, acrescento que não podemos afirmar que toda tribulação tem que ser como a de Jó ou de outros que se tornaram mártires. Na vida, o cristão necessita manter seus olhos fixos em Jesus e seguir suas pegadas, como vimos em 1 Pedro 2:21. O Senhor nos deixou o exemplo para que sigamos os seus passos, mas os versos seguintes nos oferecem uma perspectiva adicional: “o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente” (versos 22-23). Parte do que significa seguir suas pisadas, é resistir e confiar em Deus, quando enfrentamos as provas que nos causam sofrimento. Devemos responder com fé, entregando a Ele tanto as nossas almas como também os resultados, tal como Jesus o fez. Quem está dentro do sofrimento deve exercitar sua fé, já que o desânimo poderá bater à porta, especialmente se a aflição for prolongada, o que, certamente não será fácil. Todavia, quem está no olho do furacão, não deve perguntar por que?, mas em vez disso, siga os passos d’Aquele que foi à cruz.

Pedro aconselhou: “Não estranheis o fogo ardente da prova que surge no meio de vós” (1 Pedro 4:12).  A vitória está ganha, todavia, as batalhas seguem. Na teoria, reconhecemos este conceito, mas não deixamos de estranhar ou de nos surpreender quando a dor nos envolve. Jesus afirmou que o servo não está acima de seu Senhor, contudo, observe: nós somos participantes de Seus sofrimentos, e seremos participantes da Sua glória. Não obstante, não somente deveríamos suportar com firmeza os sofrimentos, demonstrando confiança em Deus, mas, também alinhar a nossa perspectiva com a do Pai, uma vez que o resultado dessa aflição, pode ser motivo de grande gozo para nós. A alegria transcende o simples fato do fim da tribulação. Pronto! Acabou o sofrimento!!! Esse gozo merece outras considerações, já que há uma verdade velada que temos que explorar: “Deus utiliza as provas com o expresso propósito de abençoar-nos”. Mas isso, é assunto para o próximo Tomo. Não perca!

Senhor, fortalece o teu povo com a Tua graça e o sustenta com o poder do Teu Espírito, em nome de Jesus.

Pr. Natanael Gonçalves