Nosso personagem em destaque no tópico de hoje, é o apóstolo Paulo. Ele havia sido testemunha da glória divina e desnecessário dizer que o Senhor o havia usado de forma tremenda para realizar tarefas extraordinárias. Ele viu o Senhor ressuscitado, fundou muitas igrejas e realizou sinais e maravilhas, próprias de um apóstolo. Em 2 Coríntios 12.1-6, o apóstolo afirma que Deus lhe deu uma antecipação especial do céu, ou seja, foi arrebatado até o paraíso. Será que essa experiência não representou um incentivo à sua vida espiritual? Por que faço essa indagação? Porque o apóstolo escreveu que, em sua trajetória, em mais de uma ocasião, estava perplexo sobre o que Deus estava fazendo. Muitas vezes, pensamos que os personagens bíblicos estão numa esfera muito superior a nós. Achamos que eles operavam “no piloto automático” em sua relação com Deus. Ledo engano! Eles eram pessoas como nós e enfrentaram situações muito complicadas. Pense por um momento: depois de todos os privilégios e experiências espirituais que o Senhor havia concedido a Paulo, por que ele haveria de sentir-se em apuros ou perplexo com alguma coisa? Paulo não responde de forma direta, mas perscrutando os acontecimentos de certa ocasião no livro de Atos, veremos que o caminho pelo qual ele transitava não era, em absoluto, mais fácil que o nosso.

O capítulo 16 de Atos, relata sucessos da segunda viagem missionária de Paulo. O apóstolo vivia um momento esplêndido, uma etapa de intensidade espiritual. Havia evidências da bênção de Deus em quase todos os aspectos de sua vida. As coisas continuaram a favor dele, e Lucas registra grandes resultados de seus esforços. Todavia, depois de enumerar as múltiplas bênçãos de Deus, sem advertência e sem um motivo aparente, o cenário muda de forma abrupta. Vejamos os versos 5 a 8:

Assim, as igrejas eram fortalecidas na fé e, dia a dia, aumentavam em número (sucesso). E, percorrendo a região frígio-gálata, tendo sido impedidos pelo Espírito Santo de pregar a palavra na Ásia (obstáculo), defrontando Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não o permitiu (obstáculo). E, tendo contornado Mísia, desceram a Trôade (não haviam chegado ao lugar que haviam proposto).

Lucas detalhou as numerosas bênçãos visíveis de Deus, mas também mencionou três sucessivas frustrações desconcertantes que produziam confusão, e que não possuíam explicação do ponto de vista humano. Certamente, no contexto dos acontecimentos, haviam razões divinas para tal. Sabemos disso, mas Deus determinou não revelar a Paulo naquele momento. Quando escreveu o livro de 2 Coríntios, pouco tempo depois, ali expressou sua perplexidade. É possível que os acontecimentos de Atos 16 estivessem em sua mente. Com frequência passamos por alto e de forma despreocupada, de alguns dados registrados pelas Escrituras. Por exemplo, a distância que Paulo viajou desde Listra até Trôade, significava algo ao redor de 700 quilômetros. Muitos desses quilômetros eram feitos de caminhos montanhosos. Qualquer pessoa que excursionou por montanhas, pode descrever a diferença entre um quilômetro normal e um de montanha. Portanto, a viagem de Paulo deve ter sido bastante complicada e lenta. Pense nos assuntos de viagem, quando Paulo os descreve em 2 Coríntios 11.26-27:

Nas muitas viagens que fiz, tenho estado em perigos de inundações e de ladrões; em perigos causados pelos meus patrícios, os judeus, e também pelos não-judeus. Tenho estado no meio de perigos nas cidades, nos desertos e em alto mar; e também em perigos causados por falsos irmãos. Tenho tido trabalhos e canseiras. Muitas vezes tenho ficado sem dormir. Tenho passado fome e sede; têm me faltado casa, comida e roupas (Versão NTLH).

Algum voluntário para fazer a viagem de Listra a Trôade? É claro, falo de forma metafórica. Contudo, se você se oferece, saiba: uma longa travessia te espera. 

A Ele que nos diz: Não temas, pois eu te tomo pela mão e te conduzo,

Pr. Natanael Gonçalves

(Continuamos na próxima publicação).