A crise de Paulo (Fp 1:20-26)

Por causa das cadeias de Paulo, Cristo tornou-se conhecido (Fp 1:13), e por causa dos críticos de Paulo, Cristo foi pregado (Fp 1:18). Mas por causa da crise de Paulo, Cristo foi engrandecido! (Fp 1:20). Havia a possibilidade de Paulo ser considerado traidor de Roma e de ser executado. Ao que parece, seu julgamento preliminar fora favorável, mas o apóstolo ainda não recebera o veredicto final. Mas o corpo de Paulo não lhe pertencia, e seu único desejo (resultante de sua determinação) era engrandecer a Cristo em seu corpo. Cristo precisa ser engrandecido? Afinal o que um simples ser humano pode fazer para engrandecer o Filho de Deus? Considere, por exemplo, as estrelas, muito maiores que o telescópio, mas bem distantes. O telescópio as “aproxima” de nós. O corpo do cristão deve ser um telescópio que diminui a distância entre Jesus Cristo e as pessoas. Para muitos, Cristo é uma figura histórica distante e nebulosa que viveu há séculos. Mas quando os incrédulos observam o cristão passar por uma crise, podem ver Jesus mais de perto. Para o cristão comprometido, Cristo está conosco aqui e agora. Enquanto o telescópio aproxima o que está distante, o microscópio amplia o que é pequeno. Para o incrédulo, Jesus não é grande. Outras pessoas e coisas são muito mais importantes do que ele. Mas, ao observar o cristão passar por uma experiência de crise, o incrédulo deve ser capaz de enxergar a verdadeira grandeza de Jesus Cristo. Paulo não temia a vida nem a morte! De uma forma ou de outra, desejava engrandecer a Cristo em seu corpo. Não é de se admirar que tivesse alegria!

Paulo confessa que se encontra diante de uma escolha difícil. Para o bem dos cristãos em Filipos, era necessário que ele permanecesse vivo, mas seria muito melhor partir e estar com Cristo. O apóstolo chega à conclusão de que Cristo permitiria que ele vivesse não apenas com o propósito de “[contribuir] para o progresso do evangelho” (Fp 1:12), mas também “para o progresso e gozo da fé [dos filipenses]” (Fp 1:25). Desejava que desbravassem novas áreas de crescimento espiritual. Dispôs-se a adiar sua ida para o céu a fim de ajudar os cristãos a crescerem e ainda estava disposto a ir ao inferno a fim de ganhar os perdidos para Cristo! (Rm 9:1-3).

É evidente que Paulo não tinha medo da morte, pois, para ele, significava apenas “partir”. Esse termo era usado pelos soldados e se referia a “desarmar a tenda e prosseguir viagem”. Que retrato da morte do cristão! A “tenda” em que vivemos é desarmada pela morte, e o espírito vai para o lar, viver com Cristo no céu (ver 2 Co 5:1-8). Os marinheiros também usavam essa palavra com o sentido de “soltar as amarras da embarcação e pôr-se a navegar”. Todavia, partir também era um termo burocrático e descrevia a libertação de um prisioneiro. O povo de Deus encontra-se preso às limitações do corpo e às tentações da carne, mas a morte os libertará dessa servidão. Ou, ainda, serão libertos quando Cristo voltar, se isso acontecer antes de morrerem (Rm 8:18-23). Partir e estar com Cristo significava colocar de lado todos os fardos, pois seu trabalho na Terra estaria consumado. Em todos os sentidos, não há coisa alguma que prive uma pessoa determinada de sua alegria. “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1:21). No caso de Paulo, Cristo era sua vida. Cristo o empolgava e fazia sua vida valer a pena. No entanto, Filipenses 1:21, para muitos,  seria dito dessa maneira:

“para mim, o viver é dinheiro, e o morrer é deixar tudo para trás”. Outros ainda diriam: “para mim, o viver é fama, e o morrer é ser esquecido” e, ainda: “para mim, o viver é poder, o morrer é perder tudo”.

O cristão verdadeiro possui alegria apesar das circunstâncias e contribui para o progresso do evangelho e, ao caminhar, afirma como Paulo: “Para mim, o viver é Cristo e o morrer é lucro!” Aleluia!

Pr. Natanael Gonçalves