justiça pela fé

A Justiça pela fé – (Fp 3:7-11) 

Quando Paulo se encontrou com Jesus Cristo na estrada para Damasco (At 9), creu em Jesus e se tornou um filho de Deus. Foi um milagre instantâneo da graça de Deus, do mesmo  tipo que  acontece hoje,  quando os pecadores reconhecem sua necessidade e se voltam para o Salvador pela fé. Quando Paulo teve seu encontro com Cristo, percebeu como suas boas obras eram fúteis e como sua suposta justiça era pecaminosa, e uma transação maravilhosa ocorreu. Paulo perdeu algumas coisas, mas ganhou muito mais do que havia perdido!

As perdas de Paulo (v. 7). Para começar, perdeu tudo o que para ele era lucro quando se achava distante de Deus. Por certo, Paulo tinha uma excelente reputação como estudioso (At 26:24) e líder religioso. Orgulhava-se de sua herança judaica e de suas realizações religiosas. Todas essas coisas lhe eram preciosas e lhe traziam benefícios. Sem dúvida, tinha muitos amigos que admiravam seu zelo religioso. Mas ao comparar esses tesouros com aquilo que Jesus Cristo poderia oferecer, Paulo percebeu que todas as coisas que lhe eram mais caras não passavam de “refugo”. Os próprios “tesouros” davam-lhe glória pessoal, mas não glorificavam a Deus. Isso não significa que Paulo repudiasse sua rica herança como judeu ortodoxo. Ao ler as cartas do apóstolo e acompanhar seu ministério no Livro de Atos, vemos como ele estimava tanto seu sangue judeu quanto sua cidadania romana. Converter-se ao cristianismo não o tornou menos judeu. Na verdade, fez dele um judeu completo, um verdadeiro filho de Abraão, tanto em termos espirituais quanto físicos (Gl 3:6-9). Ele também não rebaixou seus padrões de moralidade ao perceber como a religião farisaica era superficial. Em vez disso, aceitou um padrão mais elevado de vida – a conformidade com Jesus Cristo (Rm 12:1, 2). Quando uma pessoa torna-se cristã, Deus remove o que é pernicioso e aperfeiçoa tudo o que é bom.

Os lucros de Paulo (w. 8-11). Mais uma vez, somos lembrados das palavras de Jim Elliot: “Sábio é aquele que dá o que não pode guardar a fim de ganhar o que não pode perder”. Essa foi a experiência de Paulo: perdeu sua religião e reputação, mas ganhou muito mais do que perdeu. 

O conhecimento de Cristo (v. 8). Trata-se de algo muito maior do que o conhecimento sobre Cristo, pois Paulo possuía esse tipo de informação histórica antes de ser salvo. Ter “conhecimento de Cristo” significa ter um relacionamento pessoal com ele pela fé. É essa experiência que Jesus menciona em João 17:3. “O cristianismo é Cristo.” A salvação é conhecer a Cristo de maneira pessoal.

A justiça de Cristo (v. 9). Quando Paulo era fariseu, a justiça era o grande objetivo de sua vida, mas era uma justiça própria e por obras, algo que ele jamais conseguiria obter completamente. Mas quando Paulo creu em Cristo, perdeu essa justiça própria e ganhou a justiça de Cristo. O termo técnico para essa transação é imputação (Rm 4:1-8) e significa “depositar na conta de alguém”. Paulo olhou para a própria “conta bancária” e descobriu que estava espiritualmente falido. Olhou para a vida de Cristo e viu que o Senhor era perfeito. Quando Paulo aceitou a Cristo, descobriu que Deus havia depositado a justiça de Cristo em sua conta! Descobriu também que seus pecados haviam sido colocados na conta de Cristo na cruz (2 Co 5:21). E Deus prometeu ao apóstolo que jamais imputaria contra ele suas transgressões. Que experiência maravilhosa da graça de Deus! Romanos 9:30 a 10:13 é uma passagem paralela a ser lida com bastante atenção. O que Paulo diz sobre a nação de Israel vale para a própria vida dele antes de ser salvo. Também vale para muitos religiosos de hoje; recusam abrir mão da própria justiça para receber o dom gratuito da justiça de Deus. Muitos religiosos sequer admitem que precisam de qualquer justiça. Como Saulo de Tarso, usam a si mesmos ou aos Dez Mandamentos como parâmetro e não conseguem ver a interioridade do pecado. Paulo teve de abrir mão de sua religião para receber a justiça, mas não considerou isso um sacrifício.

A comunhão de Cristo (vv. 10, 11). Para Paulo, sua conversão não foi o fim, mas sim o começo. Sua experiência com Cristo foi tão extraordinária que transformou sua vida e continuou ao longo dos anos subsequentes. Foi uma experiência pessoaI (“para o conhecer”), à medida que o apóstolo caminhou com Cristo, orou, obedeceu à sua vontade e procurou glorificar seu nome. Quando vivia debaixo da Lei, tudo o que Paulo tinha a seu dispor era uma série de regras. Mas em Cristo, tinha um Amigo, um Mestre, um Companheiro constante! Também foi uma experiência poderosa (“e o poder da sua ressurreição”), à medida que o poder da ressurreição de Cristo passou a operar na vida do apóstolo. “Cristo vive em mim” (Gl 2:20). Além disso, foi uma experiência dolorosa (“e a comunhão dos seus sofrimentos”). Paulo sabia que era um privilégio sofrer por Cristo (Fp 1:29, 30). Na verdade, o sofrimento havia estado presente nessa experiência desde o princípio (At 9:16). Ao crescer em nosso conhecimento de Cristo e em nossa experiência de seu poder, sofremos ataques do inimigo. Paulo, que em outros tempos havia sido o perseguidor, aprendeu o que significava ser perseguido. Mas valeu a pena, pois andar com Cristo também foi uma experiência prática para ele (“conformando-me com ele na sua morte”). Paulo viveu para Cristo porque morreu para si mesmo (Rm 6 explica essa verdade); tomou sua cruz diariamente e seguiu seu Mestre. O resultado dessa morte foi uma ressurreição espiritual (Fp 3:11) que levou Paulo a andar “em novidade de vida” (Rm 6:4). O apóstolo resume sua experiência toda em Gálatas 2:20, de modo que convém ler esse versículo. Sem dúvida, Paulo ganhou muito mais do que perdeu. Seus lucros foram tão admiráveis que, em termos comparativos, o apóstolo considerou que todas as outras coisas não passavam de refugo. 

Para refletir: Para Paulo, sua vida não dependia das coisas baratas do mundo, mas dos valores eternos achados em Cristo. E você? 

Pr. Natanael Gonçalves