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Cidadãos do Céu – (Filipenses 3:1 7-21)

E estranho ver Paulo chorando em uma carta cheia de alegria! Será que ele está se lamentando por si mesmo e por sua situação difícil? Não, ele é um homem de determinação, e as circunstâncias não o desanimam. Será que está chorando por causa do que alguns cristãos de Roma faziam com ele? Não, ele tem uma atitude de submissão e não permite que as pessoas o privem de sua alegria. Essas lágrimas não são por si mesmo, mas por outros. Uma vez que Paulo tem disposição espiritual, encontra-se profundamente entristecido pelo modo de vida de alguns que se dizem cristãos, pessoas que “se preocupam com as coisas terrenas”. Apesar de não ser possível afirmar com certeza, é bem provável que Filipenses 3:18, 19 seja uma descrição dos judaizantes e de seus seguidores. Sem dúvida, Paulo está escrevendo sobre cristãos professos, não sobre gente de fora da igreja. Os judaizantes eram “inimigos da cruz de Cristo”, pois acrescentavam a Lei de Moisés à obra da redenção que Cristo havia realizado na cruz. Por causa de sua obediência às leis alimentares do Antigo Testamento, pode- se dizer que “o deus deles é o ventre” (Cl 2:20-23). Esses indivíduos não tinham disposição espiritual, mas sim inclinação para as coisas terrenas. Apegavam-se a credos religiosos e a rituais terrenos que Deus havia dado a Israel e se opunham às bênçãos que o cristão tem em Cristo (Ef 1:3; 2:6; Cl 3:1-3).

O adjetivo “espiritual” é usado tão indevidamente quanto o termo “comunhão”. Muita gente acredita que o “cristão espiritual” é místico, distante, sem qualquer senso prático e dado a devaneios. Quando ora, sua voz adquire um tom lúgubre e trêmulo e faz grandes esforços para informar a Deus coisas que ele já sabe. Infelizmente, esse tipo de piedade fervorosa é um péssimo exemplo do que vem a ser a verdadeira espiritualidade. A pessoa que possui uma disposição espiritual não precisa ser mística nem deixar de ser prática. Pelo contrário, a disposição espiritual leva o cristão a pensar com mais clareza e a fazer as coisas com mais eficiência.

Ter “disposição espiritual” significa, simplesmente, olhar para a terra do ponto de vista do céu. “Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra” (Cl 3:2). D. L. Moody costumava repreender os cristãos por “pensarem tanto no céu a ponto de não valerem coisa alguma na terra”, e sua exortação continua sendo pertinente. Os cristãos possuem dupla cidadania – celestial e terrena -, e nossa cidadania no céu deve nos tornar pessoas melhores na terra. O cristão com disposição espiritual não se sente atraído pelas “coisas” deste mundo. Toma suas decisões com base em valores eternos, não nos modismos passageiros da sociedade. Por causa de seus valores terrenos, Ló escolheu as planícies irrigadas do Jordão e acabou perdendo tudo. Ao contrário, Moisés recusou os prazeres e tesouros do Egito, pois sua vida tinha um propósito infinitamente mais excelente (Hb 11:24-26). “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mc 8:36). “Pois a nossa pátria está nos céus” (Fp 3:20). O termo grego traduzido por “pátria” ou “cidadania” dá origem à palavra “política” em nossa língua. É relacionado ao comportamento de um indivíduo como cidadão de uma nação. Paulo nos incentiva a ter a mente espiritual e, para isso, ressalta as características do cristão cuja cidadania está no céu. Assim como Filipos era uma colônia de Roma em território estrangeiro, também a Igreja é uma colônia do céu em solo terreno.

Para refletir: Quando deixamos a nossa pátria para viver em outro país, deixamos para trás raízes fortes que envolvem cultura, língua, família, etc. Não passamos um só dia sem lembrar da nossa terra e familiares. Como cristãos, nossa pátria é o Céu. Você vive como aquele que possui a cidadania celestial? Pensa no céu? Busca as coisas que são lá do alto?

Que o Espírito Santo ministre ao seu coração,

Pr. Natanael Gonçalves