corrida cristãDedicação – (Fp 3:13b)

Hoje abordamos dois elementos necessários para se chegar ao podium da carreira cristã.

2 – “Uma coisa” – essa é uma expressão importante para a vida cristã. “Só uma coisa te falta”, disse Jesus para o jovem rico que se considerava justo (Mc 10:21). “Pouco é necessário, ou mesmo uma só coisa”, explicou para Marta quando ela criticou sua irmã (Lc 10:42). “Uma coisa sei”, exclamou o homem que passou a ver pelo poder de Cristo (Jo 9:25). “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei”, testemunhou o salmista (SI 27:4). Muitos cristãos estão envolvidos demais com “várias coisas”, quando, na verdade, o segredo do progresso é concentrar-se em “uma coisa”. Foi a partir dessa decisão que a vida de D. L. Moody mudou. Antes do incêndio trágico de Chicago, em 1871, Moody estava envolvido com a divulgação da Escola Bíblica Dominical, com a Associação Cristã de Moços, com encontros evangelísticos e com várias outras atividades, mas, depois do incêndio, tomou o propósito de se dedicar exclusivamente ao evangelismo. A declaração “Mas uma coisa faço” tornou-se realidade para ele e, como resultado, milhões de pessoas ouviram o evangelho.

O cristão deve dedicar-se a “correr a carreira cristã”. Nenhum atleta é bem-sucedido ao fazer de tudo; seu sucesso deve-se a sua especialização. Existem uns poucos atletas proficientes em vários esportes, mas constituem uma exceção. Os vencedores são os que se concentram e mantêm os olhos fixos em seu objetivo, sem deixar que nada os distraia. Dedicam-se inteiramente a seu chamado. Como Neemias, o governador que reconstruiu os muros de Jerusalém, respondeu aos convites que podem distraí-lo dizendo: “Estou fazendo grande obra, de modo que não poderei descer” (Ne 6:3). Um “homem de ânimo dobre é inconstante em todos os seus caminhos” (Tg 1:8). A concentração é o segredo do poder. Se um rio transborda além de suas margens, a região ao redor transforma-se em um pântano, mas se esse rio é represado e controlado, torna-se fonte de energia. Trata-se única e exclusivamente de uma questão de valores e de prioridades, ou seja, viver em função do que é mais importante. 

Direção – (Fp 3:13b) 

3 – O incrédulo é controlado pelo passado, mas o cristão que participa da corrida olha para o futuro. Podemos imaginar o que aconteceria em uma corrida, se os condutores dos carros (ou os corredores) começassem a olhar para trás! Se o agricultor que está arando não deve olhar para trás (Lc 9:62), quanto mais o condutor, pois, se o fizer, o resultado poderá ser uma colisão e ferimentos graves.

Estamos acostumados a falar de “passado, presente e futuro”, mas devemos imaginar que o tempo flui do futuro para o presente e, então, para o passado. O cristão deve estar voltado para o futuro, “esquecendo-se das coisas que para trás ficam”. Convém lembrar que, na terminologia da Bíblia, o verbo “esquecer” não significa “deixar de lembrar”. A menos que se trate de um caso de senilidade, de hipnose ou de problemas neurológicos, nenhum indivíduo maduro é capaz de se esquecer do que aconteceu no passado. Às vezes, desejamos ter a capacidade de apagar certas memórias, mas sabemos que isso não é possível. Na Bíblia, “esquecer” significa “não ser mais influenciado ou afetado por algo”. Quando Deus promete: “Também de nenhum modo me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades, para sempre” (Hb 10:1 7), não está sugerindo que terá uma crise conveniente de memória curta! Isso é impossível para Deus. Antes, está dizendo: “não os acusarei desses pecados; não afetam mais sua situação diante de mim nem influenciam minha atitude para com eles”. Assim, “esquecendo-me das coisas que para trás ficam” não indica uma proeza mental impossível nem um exercício psicológico por meio do qual tentamos apagar os pecados e erros do passado. Significa, apenas, que quebramos o poder do passado sobre o futuro. Não é possível mudar o passado, mas mudar seu significado é algo que se pode fazer. Havia coisas no passado de Paulo que talvez servissem de peso para atrasá-lo em sua corrida (1 Tm 1:12-17), mas se tornaram inspirações para fazê-lo correr ainda mais rápido. Os acontecimentos não mudaram, o que mudou foi sua maneira de encará-los.

Um bom exemplo desse princípio é José (Cn 45:1-15). Quando se encontrou com seus irmãos pela segunda vez e lhes revelou sua identidade, não guardou mágoa deles. Sem dúvida, o haviam maltratado, mas ele olhou para o passado do ponto de vista de Deus. Em decorrência disso, não foi capaz de acusar os irmãos de coisa alguma. José sabia que Deus tinha um plano para sua vida (uma carreira para completar), e ao realizar esse plano e olhar para o futuro, rompeu o poder do passado.

Muitos cristãos encontram-se acorrentados às lembranças do passado. Lembranças que produzem peso! Tentam correr olhando para trás! Não é de se admirar que vivam tropeçando e atrapalhando outros corredores! Alguns corredores cristãos distraem-se com os sucessos do passado, não com os fracassos, o que é igualmente prejudicial. “As coisas que para trás ficam” devem ser deixadas de lado, e “as que diante de mim estão” devem tomar seu lugar.

Na publicação de amanhã, trataremos dos outros elementos essenciais para vencermos a corrida. 

Para refletir: Na sua vida cristã, você tem um foco? E quanto às coisas do passado, elas exercem algum tipo de influência sobre a sua vida? 

No amor de Cristo Jesus, 

Pr. Natanael Gonçalves