Ele serve a outros (Fp 2:7)

 

Pensar nos “outros” apenas em sentido abstrato não é suficiente; devemos considerar a essência do verdadeiro serviço. Um filósofo conhecido escreveu palavras cheias de entusiasmo sobre a educação dos filhos, mas abandonou os próprios filhos. Não teve dificuldade em amar as crianças de maneira abstrata, mas a aplicação prática mostrou-se muito diferente da teoria. Jesus pensou nos outros e se tornou um servo! Paulo acompanha os passos da humilhação de Cristo: (1) esvaziou-se, colocando de lado o uso independente de seus atributos divinos; (2) tornou-se humano permanentemente, em um corpo físico sem pecado; (3) usou esse corpo para ser servo; (4) levou esse corpo à cruz e morreu voluntariamente. Que graça maravilhosa! Do céu à Terra, da glória à vergonha, de Senhor a servo, de vida à morte, “até à morte e morte de cruz”! Quando Cristo nasceu em Belém, entrou em união permanente com a humanidade, união da qual não poderia haver qualquer saída. Pela própria vontade, humilhou-se, a fim de nos exaltar! É interessante observar que, em Filipenses 2:7, Paulo volta a usar a palavra “forma”: “a expressão exterior da natureza interior”. Jesus não fingiu que era um servo nem fez o papel de servo como se fosse um ator. Ele se tornou, verdadeiramente, um servo! Essa era a expressão autêntica de sua natureza mais íntima. Ele foi o Homem-Deus, a Divindade e a humanidade unidas em um só ser: e ele veio como servo.

Ao ler os quatro Evangelhos, podemos observar Jesus servindo aos outros, não o contrário. Ele se coloca à disposição de pessoas de todo tipo: pecadores, meretrizes, coletores de impostos, enfermos e aflitos. “Tal como o Filho do Homem, que: não veio para ser servido, mas para servir e; dar a sua vida em resgate por muitos” (Mt : 20:28). No cenáculo, quando os discípulos se recusaram claramente a ministrar uns aos outros, Jesus levantou-se, pôs de lado seu manto, colocou uma toalha longa de linho ao redor da cintura e lavou os pés deles! (Jo 13). Assumiu a posição do mais humilde dos servos e colocou a submissão em prática. Não é de se admirar que Jesus tenha experimentado tanta alegria!

Durante a Guerra Civil nos Estados Unidos, o general George B. McClellan foi colocado à frente de um grande exército, em grande parte, porque contava com o apoio da opinião pública. Ele se considerava um líder militar extraordinário e  gostava quando as pessoas o chamavam de “o Pequeno Napoleão”. No entanto, seu desempenho ficou muito aquém do esperado. O presidente Lincoln nomeou-o comandante supremo de suas tropas, na esperança de estimula-lo a trabalhar com mais empenho, mas, ainda assim, ele procrastinou para entrar em ação. Certa noite, Lincoln e dois de seus assessores foram fazer uma visita ao general e descobriram que ele estava em um casamento. Os três se assentaram e esperaram; uma hora depois, o general chegou em casa. Sem dar qualquer atenção ao presidente, McClellan foi para seus aposentos e não voltou mais. Meia hora depois, Lincoln pediu a um empregado da casa para dizer ao general que se encontravam a sua espera. O servo voltou e avisou que McClellan já estava dormindo. Os assessores de Lincoln ficaram furiosos, mas o presidente levantou-se e se pôs a caminho de casa. – Não é hora de brigar por causa de questões de etiqueta ou de dignidade pessoal – explicou o presidente. – Eu seria capaz de segurar as rédeas do cavalo de McClellan se isso nos desse vitória. Essa atitude de humildade contribuiu para tornar Lincoln um grande homem e um grande presidente. Não pensava em si mesmo, apenas em servir aos outros. O serviço é o segundo sinal de submissão.

 

Para refletir: Sua vida cristã é usada para servir aos outros ou a você mesmo e aos seus interesses?

 

Senhor, derrama sobre o teu povo  a graça de servir e pensar nos outros, em nome de Jesus.

 

Pr. Natanael Gonçalves