pensativo1) – Insatisfação – (Fp 3:12, 13a) 

Inicio hoje onde paramos anteriormente, ou seja, com a pergunta: Quais são os elementos essenciais para vencer a corrida e, um dia, receber a recompensa prometida? 

“Não julgo havê-lo alcançado.” Essa é uma declaração de um cristão consagrado que nunca se deu por satisfeito com suas realizações espirituais. É evidente que Paulo estava satisfeito com Jesus Cristo (Fp 3:10), mas não com a própria vida cristã. Uma “insatisfação santa” é o primeiro elemento essencial para avançar na corrida cristã. 

Claudio saiu do escritório do gerente com uma expressão tão desconsolada que, por pouco, não fez murchar as rosas na mesa da secretária. – O que aconteceu? Você foi demitido? – perguntou ela. – Não. Mas ele arrasou comigo por causa de minhas vendas. Não consigo entender; no último mês recebi uma porção de pedidos e pensei que ele me elogiaria. Em vez disso, mandou que eu melhorasse meu desempenho. Mais tarde, a secretária conversou com o chefe sobre o Claudio. O chefe riu e disse: – O Claudio é um dos nossos melhores vendedores e não gostaria de perdê-lo. Mas ele tem a tendência de descansar em seus louros e de se contentar com seu desempenho. Se eu não o deixasse irritado comigo uma vez por mês, não venderia tanto.

Muitos cristãos contentam-se com a própria situação, pois comparam sua “carreira” com a de outros cristãos, normalmente com a dos que não fazem grande progresso. Se Paulo tivesse se comparado com outros, seria tentado a se orgulhar e, talvez, a relaxar um pouco. Afinal, eram poucos os cristãos de seu tempo que haviam tido experiências como as dele! Mas Paulo não se comparou com outros; antes, se comparou consigo mesmo e com Jesus Cristo! O uso dos termos perfeição e perfeitos, em Filipenses 3:12 e 15, explica seu raciocínio. Ainda não alcançou a perfeição (Fp 3:12), mas já é “perfeito” [maduro] (Fp 3:15), e uma das características dessa maturidade é a consciência da própria imperfeição! O cristão maduro faz uma auto- avaliação honesta e se esforça para melhorar.

Em várias ocasiões, a Bíblia adverte sobre o perigo de iludir-se quanto à própria condição espiritual. É dito da igreja de Sardes: “tens nome de que vives e estás morto” (Ap 3:1). Sua reputação não correspondia à realidade. A igreja de Laodicéia vangloriava- se de sua riqueza, mas aos olhos de Deus era “infeliz […] miserável, pobre, [cega] e [nua]” (Ap 3:17). Ao contrário da igreja de Laodicéia, os cristãos de Esmirna consideravam-se pobres, quando, na verdade, eram ricos! (Ap 2:9). Sansão pensou que ainda tinha força quando, na realidade, a havia perdido (Jz 16:20). Esses exemplos nos ensinam que, ao realizar essa auto-avaliação, corre-se o risco de cair em dois extremos: (1) considerar-se melhor do que é; ou (2) considerar-se pior do que é. Paulo não se enganava a respeito de si mesmo; ainda precisava “prosseguir” a fim de “conquistar aquilo para o que também foi conquistado por Cristo Jesus”. Uma insatisfação divina é essencial para o progresso espiritual. “Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando irei e me verei perante a face de Deus?” (SI 42:1, 2).

Seguimos amanhã, pois ainda temos mais quatro elementos que respondem à pergunta acima. Enquanto isso, reflita como está a sua vida espiritual. Você está satisfeito com ela? A quem você se compara? Quem é o seu modelo padrão? 

Que o Senhor te abençoe abundantemente, 

Pr. Natanael Gonçalves