O ajudante Timóteo (Fp 2:19-24) 

Timóteo

É provável que Paulo tenha encontrado Timóteo em sua primeira viagem missionária (At 14:6ss) e que o rapaz tenha se convertido nessa ocasião (1 Co 4:17). Tudo indica que a mãe e a avó de Timóteo se converteram antes dele (2 Tm 1:3-5). Ele era filho de mãe judia e de pai gentio, mas Paulo o considerava seu “amado filho” (2 Tm 1:2). Quando Paulo voltou de Derbe e Listra em sua segunda viagem missionária, chamou o jovem Timóteo para ser um de seus colaboradores (At 16:1-4). Em certo sentido, Timóteo substituiu João Marcos, o qual Paulo havia se recusado a levar consigo nessa viagem por causa de um incidente anterior em que Marcos havia abandonado seu trabalho (At 13:13; 15:36-41). Aprendemos, pela experiência de Timóteo, que a mente submissa não é algo que surge de modo repentino e automático na vida do cristão. Timóteo teve de desenvolver e de cultivar a “mente de Cristo”. Não tinha uma inclinação natural para servir, mas, ao longo de sua caminhada com o Senhor e de seu trabalho com Paulo, tornou-se um servo no qual Paulo poderia confiar e que Deus poderia abençoar. Observe algumas características desse rapaz.

Pensava como servo (vv. 19-21). Em primeiro lugar, Timóteo demonstrava preocupação natural pelas pessoas e por suas necessidades. Não estava interessado em “fazer amigos e influenciar pessoas”; importava-se sinceramente com o bem-estar físico e espiritual dos outros. Paulo preocupava-se com a igreja de Filipos e desejava enviar alguém para transmitir essa preocupação e descobrir exatamente o que se passava ali. Por certo, havia centenas de cristãos em Roma (Paulo saúda 26 pelo nome em Rm 16); no entanto, nenhum deles se mostrou disposto a fazer essa viagem! “Todos eles buscam o que é seu próprio, não o que é de Cristo Jesus” (Fp 2:21). Em certo sentido, todos vivemos em Filipenses 1:21 ou em Filipenses 2:21! Timóteo, no entanto, importava-se com o bem-estar de seus semelhantes e pensava como servo. É uma pena que os cristãos de Roma estivessem tão envolvidos com os próprios problemas e desavenças (Fp 1:15,16) a ponto de não ter tempo para a obra importante do Senhor. Essa uma das grandes tragédias causadas pelos problemas internos das igrejas; eles consomem tempo, energia e preocupação que deveriam estar sendo dedicados a coisas mais essenciais. Timóteo não estava interessado em apoiar um partido nem em promover alguma causa que provocasse divisões, mas apenas na situação espiritual do povo de Deus; e essa preocupação lhe ocorria naturalmente. De que maneira essa preocupação espontânea se desenvolveu?

A resposta encontra-se na característica seguinte desse jovem extraordinário. Havia sido treinado como servo (v. 22). Paulo não colocou Timóteo em sua “equipe” no mesmo dia em que o rapaz se converteu. O apóstolo era sábio demais para cometer um erro desses. Ele o deixou como membro da igreja de Derbe e Listra, uma congregação onde Timóteo cresceu nas coisas espirituais e aprendeu como servir ao Senhor. Quando Paulo voltou à região alguns anos depois, descobriu com grande alegria que “davam bom testemunho [de Timóteo] os irmãos em Listra e Icônio” (At 16:2). Anos depois, Paulo escreveu a Timóteo sobre a importância de permitir que os novos convertidos cresçam antes de coloca-los em cargos de maior responsabilidade no ministério (1 Tm 3:6, 7). Paulo deu-lhe tempo para desenvolver raízes profundas e, depois, chamou o rapaz para acompanhá-lo em suas viagens missionárias. Ensinou a Palavra a Timóteo e deixou que ele observasse como realizava seu ministério apostólico na prática (2 Tm 3:10-1 7). Foi assim que Jesus treinou seus discípulos. Junto com a instrução pessoal, deu-lhes oportunidades práticas de ganhar experiência. A experiência sem instrução pode gerar desânimo, e a instrução sem experiência pode gerar inatividade espiritual. As duas coisas são importantes.

Recebeu a recompensa de servo (vv. 23, 24). Timóteo sabia, por experiência própria, o que significava sacrificar-se e servir (Fp 2:1 7), mas Deus o recompensou por sua fidelidade. Em primeiro lugar, Timóteo teve a alegria de ajudar a outros. Por certo, houve tribulações e dificuldades, mas também houve bênçãos e vitórias. Pelo fato de Timóteo ser um “servo bom e fiel” (Mt 25:21), teve a alegria de trabalhar com o grande apóstolo Paulo e ajudá-lo em algumas de suas incumbências mais difíceis (1 Co 4:1 7ss; Timóteo é mencionado pelo menos 24 vezes nas epístolas de Paulo). Mas talvez a maior recompensa que Deus deu a Timóteo foi tê-lo escolhido para ser substituto de Paulo quando o apóstolo foi chamado para junto do Senhor (2 Tm 4:1-5). Paulo desejava ir a Filipos pessoalmente, mas teve de enviar Timóteo em seu lugar. Uma honra e tanto! Timóteo não apenas serviu a Paulo e foi como um filho para ele, mas também assumiu seu lugar! Hoje, cristãos de toda parte o têm em alta consideração, algo que o jovem Timóteo jamais imaginou enquanto estava ocupado servindo a Cristo. 

Para refletir: Não é possível gerar uma atitude submissa com uma hora de sermão, uma semana de retiro espiritual ou mesmo um ano de serviço. Como no caso de Timóteo, a submissão desenvolve-se dentro de nós à medida que nos entregamos ao Senhor e procuramos servir aos outros. 

Que o Espírito de Deus ministre em seu coração, 

Pr. Natanael Gonçalves