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O exemplo de Paulo (Filipenses 3:4-6). 

Antes de falar sobre a Justiça pela fé veremos hoje, o exemplo de Paulo (4-6). Paulo não está falando em termos hipotéticos; sabia por experiência própria como era inútil tentar obter a salvação por meio das boas obras. Quando era um jovem estudante, assentara-se aos pés do grande rabino Gamaliel (At 22:3). Tinha diante de si uma carreira promissora como líder religioso judeu (Gl 1:13, 14); no entanto, abriu mão de tudo isso para se tornar um membro odiado da “seita cristã” e pregador do evangelho! Na verdade, os judaizantes faziam concessões indevidas a fim de evitar a perseguição (Gl 6:12, 13), enquanto Paulo era fiel à mensagem da graça de Cristo e, como resultado, estava sendo perseguido. O texto em apreço é autobiográfico e, Paulo, como um avaliador, examina a própria vida. Ele se torna um “auditor” que confere os livros-caixa para ver quanta riqueza tem e descobre que está falido!

1) A relação de Paulo com a nação. Ele nasceu em uma família hebraica pura e, quando foi circuncidado, passou a fazer parte de uma aliança. Não era um prosélito nem tampouco um descendente de Ismael (o outro filho de Abraão) ou de Esaú (o outro filho de Isaque). Os judaizantes entenderiam a referência de Paulo à tribo de Benjamim, pois Benjamim e José eram os filhos prediletos de Jacó. Haviam nascido de Raquel, sua esposa mais amada. O primeiro rei de Israel era da tribo de Benjamim, e essa pequena tribo permaneceu fiel a Davi durante a rebelião de Absalão. O legado humano que Paulo havia recebido era algo de que poderia se orgulhar! Ao ser medido por esse parâmetro, ele era impecável.

2) A relação de Paulo com a Lei. “Quanto à lei, fariseu, […] quanto à justiça que há na lei, irrepreensível” (Fp 3:5, 6). Para os judeus do tempo de Paulo, o fariseu era o que havia alcançado o ápice da experiência religiosa, o ideal mais elevado que um judeu poderia almejar. Se alguém era digno de ir para o céu, esse alguém era o fariseu! Guardava a doutrina ortodoxa (At 23:6-9) e tentava cumprir fielmente todos os deveres religiosos (Lc 18:10-14). Apesar de, hoje em dia, empregar-se o termo “fariseu” em referência a pessoas hipócritas, esse não era o uso comum da palavra no tempo de Paulo. Ao ser medido pela justiça da Lei, Paulo era irrepreensível. Guardava a Lei e as tradições perfeitamente.

3) A relação de Paulo com os inimigos de Israel. Não basta crer na verdade; também é preciso opor-se às mentiras. Paulo defendia sua fé ortodoxa perseguindo os seguidores “daquele embusteiro”, Jesus (Mt 27:62-66). Ele participou do apedrejamento de Estêvão (At 7:54-60) e, depois disso, liderou os ataques contra a Igreja em geral (At 8:1-3). Mesmo anos depois, Paulo reconheceu seu papel na perseguição da Igreja (At 22:1-5; 26:1-11; 1 Tm 1:12-16). Todo judeu podia gloriar-se de sua linhagem. Alguns judeus, podiam vangloriar-se de sua dedicação e fidelidade à religião judaica. Paulo, entretanto, podia vangloriar-se de tudo isso e também de seu zelo em perseguir a Igreja.

A essa altura, podemos perguntar: “Como era possível um homem tão sincero quanto Saulo de Tarso estar tão errado?” A resposta é simples: ele usou os parâmetros errados! Como o jovem rico (Mc 10:17-22) e o fariseu na parábola de Jesus (Lc 18:1014), Saulo de Tarso olhava para o ser exterior, não para o ser interior. Comparava-se a padrões definidos por homens, não por Deus. No que se referia a seu cumprimento exterior dos requisitos da Lei, Paulo era impecável, mas se esqueceu de considerar os pecados interiores que cometia. No Sermão do Monte, Jesus deixa claro que, além dos atos pecaminosos, também existem atitudes e apetites pecaminosos (Mt 5:21-48). Ao olhar para si mesmo ou para os outros, Saulo de Tarso considerava-se justo. Mas, um dia, enxergou a si mesmo em comparação com Jesus Cristo! Foi então que mudou seus parâmetros e valores e abandonou sua “justiça pelas obras”, trocando-a pela justiça de Cristo Jesus. 

Para refletir: Como você avalia a sua vida? 

Pr. Natanael Gonçalves