O extraordinário ajudante Epafrodito (Fp 2:25-30)

Paulo era um “hebreu de hebreus”. Timóteo era parte judeu e parte gentio (At 16:1). E, tanto quanto sabemos, Epafrodito era inteiramente gentio. Era membro da igreja de Filipos e arriscou a saúde e a vida para levar a oferta missionária dos filipenses ao apóstolo em Roma (Fp 4:18). Seu nome significa “agradável”, um adjetivo que condiz com esse cristão!

Epafrodito era um cristão equilibrado. O equilíbrio é importante para a vida cristã. Alguns enfatizam tanto a “comunhão” que se esquecem do progresso do evangelho. Outros se encontram de tal modo envolvidos com a defesa da “fé evangélica” que não desenvolvem a comunhão com outros cristãos. Epafrodito não caiu nessas armadilhas. Era como Neemias, o homem que reconstruiu os muros de Jerusalém segurando a pá́ em uma das mãos e a espada na outra (Ne 4:17). Não podemos construir com uma espada nem combater com uma pá́! Precisamos desses dois instrumentos para realizar a obra do Senhor.

Era um cristão interessado pelo próximo (vv. 26, 27, 30). Como Timóteo, Epafrodito se preocupava com os semelhantes. Em primeiro lugar, demonstrou sua preocupação por Paulo. Quando a notícia de que Paulo era prisioneiro em Roma chegou a Filipos, Epafrodito se ofereceu para fazer a viagem longa e perigosa até a capital do império, ficar ao lado de Paulo e ajudá-lo. Levou consigo a oferta de amor da igreja, protegendo-a com a própria vida. As igrejas de hoje precisam de homens e mulheres que se preocupem com as missões em locais mais difíceis do serviço cristão. Nas palavras de um líder missionário: “O maior problema em nossas igrejas é que temos espectadores demais e participantes de menos”. Epafrodito não se contentou apenas em contribuir financeiramente, fez mais que isso: ofereceu a si mesmo para ajudar a levar a contribuição arrecadada. Também havia outra situação: ele se preocupava com sua congregação local. Depois de chegar a Roma, caiu doente com uma enfermidade grave e quase morreu. Em função disso, teve de adiar a volta a Filipos, deixando apreensivos os membros de sua igreja. Epafrodito não se afligiu com a própria situação, mas com a preocupação dos cristãos de Filipos! Vivia de acordo com Filipenses 1:21, e não de acordo com Filipenses 2:21. Como Timóteo, demonstrava preocupação natural pelo próximo. O termo “angustiado”, em Filipenses 2:26, é o mesmo usado para descrever Jesus no Getsêmani (Mt 26:37). Como Cristo, Epafrodito sabia o significado do  sacrifício e do serviço (Fp 2:30), as duas características marcantes da atitude submissa.

Era um cristão abençoado (w. 28-30). Como seria triste viver uma vida inteira sem ser bênção para alguém! Epafrodito foi uma bênção para Paulo. Ficou com ele na prisão e não permitiu que a própria enfermidade atrapalhasse seu serviço. Ele e Paulo devem ter passado bons momentos juntos. Além disso, foi uma bênção para a própria igreja. Paulo admoestou a igreja a honrá-lo por seu sacrifício e serviço (Cristo recebe a glória, mas não há nada de errado em um servo receber honra; – 1Ts5:12,13). Não há contradição alguma entre Filipenses 2:7 (a si mesmo se esvaziou) e Filipenses 2:29 (e honrai sempre a homens como esse). Cristo “se esvaziou” em seu ato bondoso de humilhação, e Deus o exaltou. Epafrodito sacrificou-se sem visar qualquer recompensa, e Paulo incentivou a igreja a honrá-lo para a glória de Deus. Epafrodito foi uma bênção para Paulo e para a própria igreja, assim como é uma bênção para nós hoje! Ele é prova de que a vida alegre é uma vida de serviço e de sacrifício e de que a atitude de uma mente submissa é eficaz. 

Para refletir: Epafrodito e Timóteo são um estímulo para que nos sujeitemos ao Senhor e uns aos outros no Espírito de Cristo. Jesus Cristo é o exemplo que devemos seguir. Paulo mostra o poder (Fp 4:12-19); Timóteo e Epafrodito são a prova de que essa atitude funciona. Você está disposto a deixar que o Espírito Santo reproduza em você “este sentir que também houve em Cristo Jesus?”

Pr. Natanael Gonçalves