oração-1Orar corretamente – (Fp 4:6, 7)

Vamos discorrer hoje sobre a primeira condição para triunfar sobre a preocupação e ansiedade.

Paulo não escreve: “ore sobre isso!” É sábio demais para dar esse tipo de conselho. Antes, usa três palavras para descrever a “oração correta”: oração, súplica e ações de graças. Orar corretamente envolve esses três elementos. Oração é um termo geral usado para se referir às petições que fazemos ao Senhor. Possui a conotação de reverência, devoção e adoração. Sempre que estivermos ansiosos ou preocupados, nossa primeira ação deve ser a de ficar sozinhos com Deus e adorá-Lo. Devemos ver a grandeza e a majestade de Deus e recordar que Ele tem o poder para resolver nossos problemas. Muitas vezes, nos colocamos apressadamente diante do trono de Deus, quando deveríamos nos aproximar dele com calma e com profunda reverência. O primeiro passo para orar corretamente é a adoração. O segundo é a súplica – a apresentação sincera das nossas necessidades e problemas. Não há lugar para orações indiferentes e insinceras! Apesar de sabermos que não somos ouvidos em função de “vãs repetições” (Mt 6:7, 8), também sabemos que o Pai deseja que sejamos honestos em nossas petições (Mt 7:1-11). Foi assim que Jesus orou no Getsêmani (Hb 5:7) e, enquanto seus discípulos mais próximos dormiam, ele transpirava gotas de sangue. A súplica não é uma questão de energia carnal, mas sim de fervor espiritual (Rm 15:30; Cl 4:12). Depois da adoração e da súplica, vem a gratidão, ou seja, a ação de graças a Deus (Ef 5:20; Cl 3:15-17). Sem dúvida, o Pai se alegra ao ouvir os filhos dizerem: “muito obrigado!” Quando Jesus curou dez leprosos, só um deles voltou para agradecer (Lc 1 7:11-19). Hoje, no entanto, perguntamos se a porcentagem é mais elevada… Ninguém hesita em pedir, mas demonstrar gratidão é mais raro.

É possível observar que orar corretamente não é algo instantâneo no cristão, pois depende de uma mente correta. Por isso, a fórmula de Paulo para obter paz encontra-se no final de sua Epístola aos Filipenses, não no começo. Se temos a determinação de Filipenses um, então, podemos adorar (como poderia uma pessoa de duplo ânimo ou mente divida adorar a Deus?). Se temos a mente submissa de Filipenses dois, então, podemos apresentar súplicas (como pode uma pessoa com uma mente orgulhosa pedir algo a Deus?). Se temos a mente espiritual de Filipenses três, somos capazes de demonstrar gratidão (uma pessoa preocupada com as coisas terrenas não reconhece que tudo o que possui, vem de Deus e, portanto, não acredita que tem motivos para ser agradecida). Em outras palavras, deve-se colocar em prática os ensinos de Filipenses um, dois e três, a fim de ser possível experimentar a mente segura de Filipenses quatro.

Paulo aconselha levar tudo a Deus em oração – “sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições” – e admoesta a que não andemos ansiosos de coisa alguma e que oremos sobre todas as coisas. Existe a tendência de orar pelas “grandes coisas” e esquecermos de orar pelas “pequenas coisas”, que muitas vezes acabam crescendo e se transformando em coisas grandes. Conversar com Deus a respeito de tudo o que nos preocupa é o primeiro passo para vencer a ansiedade. Como resultado, a “paz de Deus” guardará a mente e o coração. Não podemos nos esquecer de que, nessa ocasião, Paulo encontrava-se acorrentado a um soldado romano que o guardava dia e noite. Da mesma forma, a “paz de Deus” nos guarda em duas áreas que geram preocupação: o coração (sentimentos incorretos) e a mente (pensamentos incorretos). Quando entregamos o coração a Cristo e recebemos a salvação, “temos paz com Deus” (Rm 5:1); mas a “paz de Deus” conduz a níveis mais profundos de suas bênçãos. Isso não significa ausência de provações exteriores, mas significa segurança interior tranquila a despeito das circunstâncias, pessoas ou coisas.

Daniel dá um exemplo maravilhoso da paz experimentada por meio da oração. Quando o rei anunciou que todos os seus súditos deveriam adorar somente a ele, Daniel foi para seu quarto, abriu as janelas e orou, como sempre fazia (Dn 6:1-10). É importante observar a maneira de Daniel dirigir-se ao Senhor: “orava, dava graças” (Dn 6:10) e suplicava (Dn 6:11). Oração, súplica, ações de graças! O resultado foi a paz perfeita em meio às dificuldades. Daniel conseguiu passar uma noite com leões na mais perfeita paz, enquanto o rei não conseguiu dormir no próprio palácio (Dn 6:18). A primeira condição para ter a mente segura e a vitória sobre a preocupação é orar corretamente. Amanhã, postaremos a segunda, se Deus quiser.

Para refletir: Para muitas pessoas, a oração pode ter um significado que não passa do “religioso”. Então, pergunto: como é a sua vida de oração? Você tem paz com Deus? Desfruta da paz de Deus?

Que o Senhor te abençoe imensamente,

Pr. Natanael Gonçalves