Os exemplos que Paulo usa – Filipenses 2:1-11 

Introdução: 

As pessoas podem nos privar da alegria. Paulo enfrentava problemas com os alguns que pregavam a Cristo, provavelmente doutores judaizantes (Fp 1:15-18). Também com os filipenses, e, estes últimos, eram os que mais o preocupavam. Quando Epafrodito lhe trouxe a oferta generosa da igreja de Filipos, também trouxe más notícias sobre uma possível divisão na igreja. Ao que parece, sua união estava sendo ameaçada tanto por elementos exteriores (falsos profetas; Fp 3:1-3) quanto interiores (membros que não se entendiam; Fp 4:1-3). Paulo não explica o motivo da discussão entre Evódia e Síntique.

O apóstolo sabia de algo que certas pessoas da igreja de hoje parecem ignorar, ou seja, há diferença entre unidade e uniformidade. A verdadeira unidade espiritual é de origem interior, vem do coração. A uniformidade é resultante de pressão exterior. Por isso, Paulo começa esta seção apelando para as motivações espirituais mais elevadas possíveis (Fp 2:1-4). Uma vez que os cristãos de Filipos estão “em Cristo”, isso deve lhes servir de estímulo, a fim de se esforçarem para ter unidade e amor, não divisão e rivalidade. Com bondade, Paulo, em outras palavras, diz à igreja: “Suas desavenças revelam que há um problema espiritual entre vós. Esses desentendimentos não serão resolvidos com regras nem com ameaças, mas sim com um coração sendo posto em ordem com Deus e uns com os outros”. Paulo desejava que compreendessem que a causa fundamental dos problemas ali era o egoísmo, o qual, por sua vez, nasce do orgulho. Não pode haver alegria na vida do cristão que se coloca acima de outros.

O segredo da alegria apesar das circunstâncias encontra-se na mente firme. O segredo da alegria apesar das pessoas encontra-se na mente submissa. O versículo-chave é: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo” (Fp 2:3). No capítulo 1,  “Cristo está em primeiro lugar”, enquanto que no capítulo 2 Paulo fala dos “outros em seguida”. Paulo, o evangelista, em Filipenses 1, torna-se Paulo, o servo, em Filipenses 2.

É importante entender a que a Bíblia refere-se quando fala de “humildade”. O cristão verdadeiramente humilde conhece e aceita a si mesmo (Rm 12:3). Entrega-se a Cristo para ser um servo, a fim de que sua vida e seus talentos sejam usados para a glória de Deus e para o bem dos outros. Os “outros” são o elemento-chave deste capítulo (Fp 2:3, 4); os olhos do cristão não estão voltados para si mesmo, mas sim para as necessidades dos outros. Reflita sobre essa frase: A humildade é a graça que perdemos quando descobrimos que a possuímos.

Ser submisso não significa que o cristão está à disposição de todos para satisfazer seus desejos, ou que seja um “capacho” para todos! Há quem tente comprar amigos e manter a unidade da igreja “cedendo” aos caprichos e desejos de todos. De maneira alguma é isso o que Paulo sugere. As Escrituras expressam o conceito com perfeição: “nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus” (2 Co 4:5). Se tivermos a mente firme de Filipenses 1, não será difícil termos a  mente submissa ou a submissão de Filipenses 2. Hoje foi apenas uma introdução, amanhã, porém, começamos a destacar alguns exemplos instrutivos para nossas vidas. 

Que o Senhor te abençoe grandemente, 

Pr. Natanael Gonçalves