Os instrumentos de Deus (Fp 2:12-18). 

A Palavra de Deus. “Outra razão ainda temos nós para, incessantemente, dar graças a Deus: é que, tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está operando eficazmente em vós, os que credes” (1 Ts 2:13). A energia de Deus é liberada em nossa vida por meio de sua Palavra inspirada. A mesma palavra que fez o universo existir pode liberar poder divino em nossa vida! A Palavra de Deus é singular: é inspirada, infalível e investida de autoridade. Se não dermos o devido valor à Palavra, Deus não poderá liberar seu poder em nossa vida. Devemos, também, nos apropriar da Palavra, isto é, “acolhê-la”. Isso significa mais do que ouvi-la ou mesmo lê-la e estudá-la. “Acolher” a Palavra de Deus significa recebê-la de bom grado e assimilá-la como parte do nosso ser interior. A verdade de Deus é o alimento do ser espiritual. Por fim, devemos aplicar a Palavra, pois ela só opera nos que creem. Quando cremos na Palavra de Deus e agimos de acordo com essa fé, o poder de Deus é liberado em nossa vida. A promessa do anjo a Maria em Lucas 1:37 – “Porque para Deus não haverá impossíveis” – pode ser traduzida por: “Nenhuma palavra de Deus é destituída de poder”. A Palavra de Deus tem o poder de realização, e a fé libera esse poder. Vemos essa verdade na prática ao observar a vida de Jesus. Ele ordenou a um homem aleijado que estendesse a mão, e sua ordem deu poder para que o homem obedecesse e fosse curado (Mt 12:13). Ele ordenou que Pedro fosse a seu encontro andando sobre as águas, e sua ordem capacitou Pedro a obedecer enquanto ele exerceu fé (Mt 14:22-33). É a fé nas promessas de Deus que libera o poder de Deus. Ele não só ordena, mas também nos capacita a obedecer. O Espírito Santo registrou as promessas para nós na Palavra e Ele nos dá fé para nos apropriarmos dessas promessas. “Porque quantas são as promessas de Deus, tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de Deus, por nosso intermédio” (2 Co 1:20).

A oração. Assim, quem deseja que o poder de Deus opere em sua vida, deve dedicar um tempo diário à Palavra de Deus. Também deve orar, pois a oração é o segundo instrumento que Deus usa para operar na vida de seus filhos. “Ora, àquele que é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos ou pensamos, conforme o seu poder que opera em nós” (Ef 3:20). O Espírito Santo está intimamente relacionado à prática da oração em nossa vida (Rm 8:26, 27; Zc 12:10). O Livro de Atos deixa claro que a oração é uma fonte divinamente ordenada de poder espiritual (At 1:14; 4:23-31; 12:5, 12), e que a Palavra de Deus e a oração andam juntas (At 6:4). A menos que o cristão separe tempo para orar, Deus não pode operar nele nem por meio dele. As pessoas que Deus usou ao longo da Bíblia e da história da Igreja eram indivíduos que oravam.

O sofrimento. O terceiro instrumento de Deus é o sofrimento. O Espírito de Deus opera de maneira especial na vida dos que sofrem para a glória de Cristo (1 Pe 4:12-19). O próprio Paulo experimentou o poder de Deus na cadeia em Filipos, onde foi açoitado e colocado no tronco; a prova disso é que, mesmo em meio ao sofrimento, o apóstolo conseguiu cantar e louvar a Deus (At 16:19-33). O “fogo ardente” de sua tribulação também permitiu que ele perdoasse o carcereiro. Não foi o terremoto que convenceu esse homem de seu pecado; pelo contrário, o terremoto quase o levou ao suicídio! Foi a palavra de encorajamento de Paulo que tocou seu coração: “Não te faças nenhum mal, que todos aqui estamos!” (At 16:28). Esse amor bondoso quebrantou o coração do homem; ele se prostrou diante de Paulo e perguntou como poderia ser salvo. A Palavra de Deus, a oração e o sofrimento são os três instrumentos que Deus usa em nossa vida. Da mesma forma que a eletricidade precisa de um condutor, o Espírito Santo opera pelos meios que Deus proveu. Ao ler a Palavra e orar, o cristão torna-se mais semelhante a Cristo; e quanto mais semelhante a Cristo ele se torna, mais o mundo se opõe a ele. Essa “comunhão dos seus sofrimentos” (Fp 3:10) a cada dia conduz o cristão de volta à Palavra e à oração, de modo que os três instrumentos trabalham juntos para prover o poder espiritual necessário para glorificar a Cristo. A fim de ter uma atitude de submissão e a alegria que a acompanha, é necessário reconhecer que é preciso cumprir um propósito (o plano de Deus para a vida), receber poder (o Espírito Santo) e crer em uma promessa. Seguimos amanhã, quando o assunto é: o cristão deve crer nas promessas de Deus.  

Que a bênção de Deus seja sobre a tua vida, 

Pr. Natanael Gonçalves