Paulo pensa nos outros, não em si mesmo (Fp 2:5, 6) 

O termo “sentimento” de Cristo refere-se à “atitude” demonstrada por Cristo. O versículo 5 pode ser traduzido, literalmente, assim: “sua atitude deve ser a mesma que a de Jesus Cristo”. Afinal, nossa visão de mundo tem consequências. Se for egoísta, nossos atos serão destrutivos e trarão desunião. Tiago diz a mesma coisa ( Tg 4:1-10). Paulo afirma que Jesus era “igual a Deus”. Outros versículos, como João 1:14; Colossenses 1:15 e Hebreus 1:1-3, também afirmam que Jesus Cristo é Deus.

Sem dúvida, como Deus, Jesus Cristo não precisava de coisa alguma! Tinha toda a glória e o louvor do céu e, juntamente com o Pai e com o Espírito, reinava sobre o universo. Mas Filipenses 2:6 declara um fato extraordinário: ele não considerava sua igualdade com Deus “usurpação” nem “algo a que se apegar egoisticamente”. Jesus não pensava em si mesmo, pensava nos outros. Sua visão de mundo (ou atitude) era de preocupação abnegada pelos outros. Esse é “o mesmo sentimento que houve também em Cristo”, uma atitude que diz: “não posso guardar meus privilégios para mim mesmo, devo usá-los para beneficiar a outros e, a fim de fazê-lo, colocarei esses privilégios de lado e pagarei o preço necessário”.

Um repórter entrevistava um consultor famoso da área de recursos humanos, responsável pela colocação de centenas de funcionários em diversas empresas. Quando o repórter lhe perguntou qual era o segredo de seu sucesso, o consultor respondeu:

– Se você deseja descobrir o verdadeiro caráter de um funcionário, não lhe dê responsabilidades, e sim privilégios. A maioria das pessoas consegue lidar com as responsabilidades se tiver um salário à altura, mas só os verdadeiros líderes conseguem administrar seus privilégios. Um líder usará seus privilégios para ajudar a outros construir a organização; um homem de menos caráter usará os privilégios para promover a si mesmo.

Jesus usou seus privilégios celestiais para o bem de outros: para nosso bem. Pode ser interessante fazer um contraste entre a atitude de Cristo, a de Lúcifer (Is 14:12-15) e a de Adão (Gn 3:1-7). Muitos estudiosos da Bíblia acreditam que a queda de Lúcifer é uma descrição da queda de Satanás. Em outros tempos, ele era o maior dos seres angelicais, próximo ao trono de Deus (Ez 28:11-19), mas desejou assentar-se no trono de Deus! Lúcifer disse: “Seja feita a minha vontade!”, enquanto Jesus disse: “Seja feita a tua vontade”. Lúcifer não se contentou em ser uma criatura; quis ser o Criador! Jesus era o Criador e, no entanto, se tornou homem voluntariamente. A humildade de Cristo é uma repreensão ao orgulho de Satanás. Lúcifer não se contentou em ser rebelde sozinho; invadiu o Éden e provocou o ser humano para que também se rebelasse. Adão tinha tudo de que precisava; na realidade, era “rei” sobre a criação de Deus (“tenha ele domínio” Gn 1:26). Mas Satanás disse: “como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal”. O homem tentou, deliberadamente, se apropriar de algo fora de seu alcance e, como resultado, lançou a humanidade inteira no abismo do pecado e da morte. Adão e Eva pensaram apenas em si mesmos; Jesus pensou nos outros.

É de se esperar que pessoas incrédulas sejam egoístas e cobiçosas, mas não esperamos isso de cristãos que experimentaram o amor de Cristo e a comunhão do Espírito (Fp 2:1, 2). Em mais de vinte ocasiões, ao longo do Novo Testamento, Deus nos instrui sobre como viver “uns com os outros”. Devemos mostrar deferência para os outros (Rm 12:10), edificar uns aos outros (1 Ts 5:11) e carregar os fardos uns dos outros (Gl 6:2). Não devemos julgar uns aos outros (Rm 14:13), mas sim admoestar uns aos outros (Rm 15:14). O termo “outros” é a palavra- chave do vocabulário do cristão que exercita a submissão. 

Reflita sobre isso! 

No amor de Jesus, 

Pr. Natanael Gonçalves