Perdas e Ganhos – Fílípenses 3:1-11 

Assim como as circunstâncias e as pessoas, as coisas também podem roubar nossa alegria e é sobre esse “ladrão” que Paulo fala em Filipenses 3. É importante entender a mensagem geral deste capítulo antes de examiná-lo em detalhes, de modo que o esboço a seguir pode ser proveitoso. Versículos 1-11: O passado de Paulo. De 12-16: O presente de Paulo. De 17-21: O futuro de Paulo.

Perdas e ganhosO que Paulo está descrevendo é a “mente espiritual”. Nos versos 18 e 19, fala dos que se dizem cristãos e “só se preocupam com as coisas terrenas”, mas em Filipenses 3:20, descreve o cristão autêntico que “pensa nas coisas do alto” (Cl 3:2). Convém lembrar que a cidade de Filipos era, na verdade, uma colônia romana, uma espécie de “Roma fora de Roma”. Nesse mesmo sentido, o povo de Deus é uma colônia do céu na terra. “Nossa pátria está nos céus” (Fp 3:20), e olhamos para a terra do ponto de vista do céu. Essa é a mente espiritual. É fácil envolver-se com as “coisas”, não apenas as tangíveis e visíveis, mas também as intangíveis, tais como a reputação, fama, realizações, etc. Paulo escreve sobre “o que, para mim, era lucro” (Fp 3:7); e também fala das “coisas que para trás ficam” e das “que diante de mim estão” (Fp 3:13). No caso de Paulo, algumas dessas “coisas” eram intangíveis, como, por exemplo, suas realizações no âmbito religioso (Gl 1:14), o sentimento de autossatisfação e a moralidade. Podemos cair na armadilha tanto das coisas tangíveis como das intangíveis e, como resultado, perder a alegria.

É bom dizer que as coisas tangíveis não são, em si mesmas, pecaminosas. Deus criou todas coisas, e a Bíblia declara que são boas (Gn 1:31). Deus sabe que precisamos de certas coisas para viver (Mt 6:31-34). Na verdade, ele “tudo nos proporciona ricamente para o nosso aprazimento” (1 Tm 6:17). Mas Jesus adverte que a vida não consiste na abundância das coisas que possuímos (Lc 12:15). A quantidade não garante qualidade. Muitas pessoas têm as coisas que o dinheiro pode comprar, mas perderam as coisas que o dinheiro não pode comprar.

A palavra-chave em Filipenses 3:1-11 é “considerar” (Fp 3:7, 8, 13). No grego, são usadas duas palavras diferentes, mas a ideia é a mesma: “avaliar, calcular”. “A vida que não é examinada não é digna de ser vivida”, disse Sócrates. No entanto, poucas pessoas se dão ao trabalho de examinar com seriedade os valores que controlam suas decisões e rumos. Hoje em dia, muitos são escravos das “coisas” e, como resultado, não apresentam a verdadeira alegria cristã. No caso de Paulo, as “coisas” em função das quais ele vivia antes de conhecer a Cristo pareciam extremamente louváveis: uma vida reta, obediência à Lei, a defesa da religião de seus antepassados. Mas nenhuma dessas coisas lhe dava satisfação nem o tornava aceitável diante de Deus. Como a maioria dos religiosos de hoje, Paulo tinha moralidade suficiente para não se colocar em situações difíceis, mas insuficiente para levá-lo ao céu! Não eram as coisas más que mantinham Paulo afastado de Jesus, mas sim, as boas! Ele teve de perder sua “religião” para encontrar a salvação.

Um dia, o rabino Saulo de Tarso encontrou-se com Jesus Cristo, o Filho de Deus. Nesse dia, os valores de Saulo mudaram (At 9:1-31). Quando Saulo fez um balanço do seu livro-caixa para avaliar sua riqueza, descobriu que, em Jesus Cristo, tudo pelo que havia vivido não passava de refugo. Veremos a seguir, no próximo post, onde o apóstolo explica que existem apenas dois tipos de justiça: justiça pelas obras e justiça pela fé, e somente a justiça pela fé é aceitável a Deus. 

Para refletir: Quando seu orçamento não lhe permite ter algo, que atitude ou sentimento te envolve? Seus valores se conformam com a Palavra de Deus? 

Pr. Natanael Gonçalves