CaminhoSomos leais à causa do céu 

A cruz de Jesus Cristo é o tema central da Bíblia, o coração do evangelho e o motivo principal de louvor no céu (Ap 5:8-10). A cruz é prova do amor de Deus pelos pecadores (Rm 5:8) e de sua aversão ao pecado. Ela condena o que o mundo valoriza, julga a humanidade e declara o veredicto incontestável: culpados! Em que sentido os judaizantes eram “inimigos da cruz de Cristo”? Em primeiro lugar, a cruz deu cabo da religião do Antigo Testamento. Através do véu do templo rasgado em duas partes, Deus anunciava que o caminho para Ele se encontrava aberto por meio de Cristo (Hb 10:19-25). Quando Jesus clamou: “Está consumado!”, fez um único sacrifício por todos os pecados e, desse modo, pôs fim ao sistema sacrificial (Hb 10:1-14). Por meio de sua morte e ressurreição, Jesus realizou a “circuncisão espiritual” que tornava a circuncisão ritual, desnecessária (Cl 2:10-13). Todas as coisas que os judaizantes defendiam haviam sido eliminadas pela morte de Cristo na cruz! Ainda mais, tudo aquilo a que se dedicavam era condenado pela cruz. Jesus havia derrubado o muro de separação entre judeus e gentios (Ef 2:14-16), e os judaizantes estavam reconstruindo esse muro! Obedeciam às “ordenanças da carne” (Hb 9:10), regras atraentes para a carne e não dirigidas pelo Espírito. O verdadeiro cristão crucifica a carne (Gl 5:24) e também o mundo (Gl 6:14). No entanto, os judaizantes preocupavam-se “com as coisas terrenas”. A cruz deve ser o centro da vida do cristão. Ele não se gloria em homens, em religião nem nas próprias realizações; ele se gloria na cruz (Gl 6:14). Por fim, Paulo chora porque sabe o que o futuro reserva para esses homens: “O destino deles é a perdição” (Fp 3:19). Essa palavra dá a ideia de desperdício e assim se traduz em Mc 14:4. Judas é chamado de “filho da perdição” em Jo 17:12. Isso significa uma vida desperdiçada e uma eternidade de perdição. Em contraste, o verdadeiro filho de Deus, cuja cidadania está no céu, tem um futuro esplendoroso. 

Aguardamos o Senhor do céu. 

Os judaizantes viviam no passado, tentando convencer os filipenses a voltar a Moisés e à Lei, mas o verdadeiro cristão anela o futuro, e espera o retorno de seu Salvador (Fp 3:20, 21). Como um avaliador em Filipenses 3:1-11, Paulo descobriu novos valores. Como atleta em Filipenses 3:12-16, demonstrou novo vigor. Agora, como estrangeiro, tem uma nova visão: “Aguardamos o Salvador!” É esta esperança da vinda de Cristo que motiva o cristão que possui a mente espiritual. Uma esperança futura exerce grande poder no presente. Por causa da expectativa de habitar em uma cidade, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11:13-16). Por causa da expectativa de recompensas do céu, Moisés dispôs-se a abrir mão dos tesouros na terra (Hb 11:2426). Por causa “da alegria que lhe estava proposta” (Hb 12:2), Cristo dispôs-se a sofrer na cruz. O fato de que Jesus Cristo vai voltar é uma forte motivação para vivermos de modo consagrado e para trabalharmos com dedicação hoje. “E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como Ele é puro” (1 Jo 2:28 – 3:3).

O cidadão do céu que vive na terra não fica desanimado, pois sabe que, um dia, seu Senhor vai voltar. Continua realizando seu trabalho com toda dedicação para que seu Senhor não volte e o encontre vivendo em desobediência (Lc 12:40-48). O cristão com a mente espiritual não vive em função das coisas deste mundo; antes, vive na expectativa das coisas do mundo por vir. Isso não significa que ignore suas responsabilidades diárias ou delas descuide, mas sim que seus atos no presente são governados por aquilo que Cristo fará no futuro. Paulo menciona, de modo específico, que o cristão receberá um corpo glorificado, como o corpo de Cristo. Hoje, vivemos em um “corpo de humilhação” (Fp 3:21); mas quando virmos a Cristo, receberemos um corpo de glória. Acontecerá num instante, num piscar de olhos (1 Co 15:52-53)! Então, todas as coisas do mundo deixarão de ter valor para nós, como não devem, relativamente, ter hoje em dia! Se vivemos com os olhos no futuro, exercitaremos a mente espiritual e viveremos para as coisas verdadeiramente importantes. Quando Jesus voltar, há de “subordinar a si todas as coisas” (Fp 3:21b). O termo “subordinar” significa “organizar em ordem de dependência, do inferior ao superior”. Esse é o problema hoje em dia: não colocar as coisas na devida ordem de prioridade. Uma vez que nossos valores encontram-se distorcidos, desperdiçamos nosso vigor em atividades inúteis, e mais: nossa visão está de tal modo obscurecida que a volta de Cristo não parece ter qualquer poder para motivar nossa vida. Viver com os olhos no futuro significa deixar que Cristo ordene as coisas de acordo com a verdadeira importância. Significa vislumbrar sempre os valores celestiais e ter a ousadia de crer na promessa de Deus que diz: “aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente” (1 Jo 2:17).  

Para refletir: O que significa a cruz de Cristo para sua vida? Você anseia pela volta de Cristo?, e, se isso é uma realidade, que motivo envolve esse anseio? As dificuldades da vida, por exemplo? Ou o amor ao Senhor e a expectativa das Suas promessas? Reflita e avalie! 

No amor de Cristo Jesus, 

Pr. Natanael Gonçalves