Tenho vocês em minhas orações (Fp 1:9-11). 

Paulo alegra-se com as recordações que tem de seus amigos em Filipos e com seu amor cada vez maior por eles. Também se alegra em se lembrar deles diante do trono da graça em oração. O sumo sacerdote de Israel usava sobre o peito uma vestimenta especial chamada de “peitoral do juízo”. Nela se encontravam engastadas doze pedras preciosas, e em cada uma estava gravado o nome de uma das tribos de Israel (Êx 28:15-29). Como o sacerdote, Paulo trazia o povo junto ao coração em amor. Talvez a maior comunhão cristã e alegria que podemos experimentar nesta vida encontre-se diante do trono da graça, ao orarmos uns com os outros e uns pelos outros.

Vê-se aqui uma oração pedindo maturidade, e Paulo começa com o amor. Afinal, se o amor cristão se desenvolver corretamente, o resto será consequência. O apóstolo pede que os filipenses experimentem o amor abundante. O amor cristão não é cego! O coração e a mente trabalham juntos para que se tenha amor discernente e discernimento amoroso. Paulo deseja que seus amigos cresçam em discernimento, ou seja, na capacidade de “fazer distinção entre coisas diferentes”.

Paulo também ora pedindo que tenham um caráter cristão maduro e que sejam “sinceros e inculpáveis”. O apóstolo ora para que seus amigos tenham um caráter que possa ser testado e aprovado. Isso significa que a vida não deve ser motivo de tropeço para outros e que estamos preparados para o tribunal de Cristo em sua volta (ver 2 Co 5:10; 1 Jo 2:28). Paulo também ora para que tenham um serviço cristão maduro. Deseja que sejam plenos e abundantes em frutos (Fp 1:11). Não está interessado apenas nas “atividades da igreja”, mas sim no tipo de fruto espiritual produzido quando se está em comunhão com Cristo. Muitos cristãos tentam “gerar resultados” por meio dos próprios esforços em vez de permanecer em Cristo e permitir que ele produza os frutos. Qual é o “fruto” que Deus deseja ver em nossa vida? Sem dúvida, o “fruto do Espírito” (Gl 5:22, 23), o caráter cristão que glorifica a Deus.  A árvore frutífera não faz barulho enquanto produz sua safra; apenas permite que a vida interior trabalhe de maneira natural, redundando em frutos. “Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (Jo 15:5). A diferença entre o fruto espiritual e a “atividade religiosa” humana é que o fruto glorifica a Jesus Cristo. Sempre que alguém faz algo pelas próprias forças, há a tendência de vangloriar-se. O verdadeiro fruto espiritual é tão maravilhoso que ninguém é capaz de assumir o crédito; a glória deve ser dada somente a Deus.

Eis, portanto, a verdadeira comunhão cristã: o compartilhamento é um elemento em comum bem mais profundo que a simples amizade. Tenho vocês em minha mente, no coração e nas orações – esse é o tipo de comunhão que produz alegria e que é resultante de uma mente firme. 

Para refletir: Uma história verdadeira se passou tempos atrás: Muito a contragosto, Jerry teve de ir a Nova Iorque para se submeter a uma cirurgia complexa. Preferia ser operado na própria cidade, pois não conhecia uma viva alma naquela metrópole. Mas, quando Jerry e a esposa chegaram ao hospital, havia um pastor esperando por eles com um convite para que ficassem hospedados em sua casa até se adaptarem. A operação foi séria, e a recuperação no hospital foi longa e difícil, mas a comunhão com o pastor e sua família  renovaram a alegria de Jerry e de sua esposa. Eles aprenderam que as circunstâncias não precisam nos privar da alegria, se permitirmos que fortaleçam a comunhão no evangelho. 

Que Deus abençoe o seu coração, 

Pr. Natanael Gonçalves