Tenho muitos amigos e colegas pastores aos quais dedico muito carinho e apreço. Esta palavra de introdução é para eles, se porventura, alguns lerem este estudo sobre o tema. Por que faço isto? Porque, apesar da amizade, carinho e amor que lhes devoto, como enfatizei no princípio, pensamos de modo diferente quanto a matéria em questão. Muitos desses irmãos, defendem o ensino de que “crentes em Cristo, lavados e remidos pelo sangue do Cordeiro” podem carregar o fardo pesado das “maldições” em suas vidas, seja por herança ou por algum pecado cometido no passado, mas que não foi confessado.

Antes de abordar esse assunto, faço esta prévia para dizer que já estive do outro lado. Já saboreei esse prato e defendi, até certo ponto, o mesmo ensino. No entanto, com o passar do tempo e sentindo um incômodo a respeito, busquei estudar e pesquisar nas Escrituras. Sei que os ministérios que tratam do assunto das “maldições” recorrem a vários textos da Palavra para respaldarem essa doutrina, contudo a partir de hoje, começo a publicar um trabalho que fiz há tempos atrás e que compartilho com você. Meu propósito não é publicar textos longos para não ficar cansativo. Continuarei nessa mesma linha e, em doses homeopáticas, vou compartilhando o meu entendimento. Submeto tudo o que for divulgado  aqui à Palavra da Verdade, enquanto estimulo você a ler e também aplicar a lupa correta das Escrituras. Como hoje faço apenas a introdução, recorro ainda a alguns exemplos que aconteceram no passado para reforçar o que disse acima. Diferenças e controvérsias teológicas sempre existiram. Desde os primórdios, a igreja esteve envolvida com questões que despertavam os ânimos e acirravam os debates. No tempo do apóstolo Paulo foi o problema da relação entre judeus e gentios; depois apareceu a ameaça do gnosticismo e de outras doutrinas semelhantes. No transcorrer dos anos, aos estudarmos a história da igreja, vemos que os concílios se reuniam para resolver questões divergentes e que em alguns casos algumas doutrinas poderiam pôr, de um modo ou de outro, em perigo a mensagem cristã. Foi o caso, por exemplo, da controvérsia ariana. Ário, um presbítero de muito prestígio em Alexandria, se pôs em desacordo teológico com Alexandre, bispo da mesma cidade. Os pontos em debate eram vários e sutis, pois versavam a questão se o Verbo era co-eterno com o Pai ou não. Ário não dizia que o Verbo não tivesse preexistido antes do nascimento de Jesus. Nessa preexistência todos estavam de acordo. O que Ário dizia era que o Verbo tinha sido criado por Deus, se bem que antes de toda a criação. Alexandre dizia que o Verbo, por ser divino, não era criatura, mas sempre tinha existido com Deus.

Os dois partidos tinham, além de certos textos bíblicos favoritos, razões lógicas que faziam a posição do oponente parecer insustentável. Ário, de um lado, dizia que Alexandre estava propondo, no fim das contas, que o monoteísmo cristão fosse abandonado, pois no esquema de Alexandre havia dois que eram Deus, e, portanto dois Deuses. Alexandre respondia que a posição de Ário, negava a divindade do Verbo, e em consequência de Jesus Cristo. E já que a igreja desde o começo tinha adorado a Jesus Cristo, se a proposta de Ário fosse aceita pela igreja teria de, ou deixar de adorar a Jesus, ou adorar uma criatura. As duas alternativas eram inaceitáveis, e por isso Ário deveria estar equivocado.

Há que se registrar aqui o zelo pela santa Palavra de Deus e que, esse mesmo zelo me faz posicionar assumindo-a como bússola e prumo que endireita as paredes da nossa vida. Certas doutrinas são relativamente novas em nosso meio. Apareceram como uma nova revelação. Seus defensores dizem que elas sempre estiveram ali, mas que só agora, no final do século XX e início do século XXI é que foram reveladas à igreja, e isso com o intuito (da parte de Deus) em fortalecer e preparar o seu povo para a volta de Jesus. Cumpre a todo cristão, líder ou não, examiná-las à luz da Bíblia como fazia os nossos irmãos de Bereia (Atos 17.11) e assim com os olhos na Palavra de Deus e no tempo em que vivemos estejamos preparados para ouvir a última trombeta.

Neste trabalho, farei uma pequena análise sobre alguns pontos do ensino e colocarei aqui meu parecer. Em alguns momentos estamos juntos e de acordo, pois não desdenhamos e nem tampouco deixamos de admitir que maldições existem e que estão sobre aquelas pessoas que vivem em estado de pecado, ou seja, aquelas que não conhecem a Deus ou não querem conhecê-Lo e que a Bíblia os chama de ímpios.

Que o Senhor abençoe a todos e que o Espírito Santo ilumine os olhos do nosso entendimento.

Pr. Natanael Goncalves

Veja no próximo: O QUE É MALDIÇÃO?