A Maldição Sobre o Homem em Gênesis 3.

O tópico de hoje, segue o anterior. Se você não o leu, sugiro que o faça (clique aqui). Seguimos com o tema:

4. Sobre o homem 

No verso 17, como me referi anteriormente, temos:

a) “Com dor comerás dela (terra),”

b) “No suor (fatiga, cansaço) do teu rosto, comerás o teu pão,”

c) “Até que te tornes à terra; porque dela foste tomado, porquanto és pó e em pó te tornarás (morte física).”

Aqui vale um comentário, pois, muitos advogam que o trabalho é uma maldição. Quero deixar claro que temos um entendimento diferente. Não vejo dentro da Palavra de Deus que o trabalho adquiriu essa conotação, pois em Gn 2.15: “Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar”. Deus colocou o homem no jardim do Éden para o lavrar, e isso antes do pecado. A palavra em hebraico é abad que tem o sentido de:

1.    trabalhar, servir

1.1  labutar, trabalhar, fazer trabalhos

Por  outro   lado,  Jesus  disse   em   João  5.17:    “Mas ele lhes disse: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também”. Maldição é o CANSAÇO, a FADIGA. Se não houvesse a maldição, todos trabalhariam, mas não se cansariam. Esse é o ponto.

Que dizer do apóstolo Paulo que deixou registrado em 1 Tes 2.9 “Porque, vos recordais, irmãos, do nosso labor e fadiga; e de como, noite e dia labutando para não vivermos à custa de nenhum de vós, vos proclamamos o evangelho de Deus”. Também em 2 Ts 3:8 “nem jamais comemos pão à custa de outrem; pelo contrário, em labor e fadiga, de noite e de dia, trabalhamos, a fim de não sermos pesados a nenhum de vós”. Uma pergunta: “Por que será que o apóstolo dos gentios não requereu para si uma vida melhor?” Dentro dos comentários que fazem os seus defensores, pergunto ainda: “Será que Paulo não compreendia que era necessário requerer trabalhar menos?”

Outro aspecto que abordamos é a morte física. O verso 19 diz: “porquanto és pó e em pó te tornarás”. Aqui pesa a sentença divina sobre o homem: a morte física! Todos nós entendemos que no dia em que o homem pecou, ele morreu espiritualmente (não vamos discutir esse ponto agora). Uma vez que compreendemos a “maldição” como uma sentença pela sua propriedade forense, podemos também dizer que ela é, em si mesma, uma condenação. Assim, em Adão, todos sofrem os efeitos da maldição. O Juízo divino veio sobre o casal no Éden e passou a todos os homens. Resumindo: por Gênesis 3, compreendemos que o homem foi fadado a dores, cansaço e morte. Dentro dessa ótica o verso 2 de Eclesiastes 9 reforça esse entendimento:

“Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; tanto ao que sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como ao que teme o juramento”.

Aqueles que defendem e apoiam o ensino das maldições dizem que todas elas podem ser quebradas. Ora, pensando assim, quem pode quebrar a maldição do cansaço, da dor e da morte? Trabalhamos muito ou pouco e nos cansamos, sentimos dor e o peso da idade trás consigo vários inconvenientes ao corpo físico.

Quando falamos de “efeito colateral do pecado”, quero dizer que todos o sofrem, não sendo necessariamente por causa de um pecado cometido, mas por causa do pecado que há no mundo. Recordamos as palavras de Jesus em João 16.33 “neste mundo tereis aflições”, e por que as temos? Por causa do pecado presente neste mundo. A anomalia que existe na vida de alguém, como um aleijão, por exemplo, não se trata de uma maldição, mas dos efeitos dela sobre o mundo atingindo a todos, conforme o que Jesus ensinou em João 9.2,3 “E os seus discípulos perguntaram: Mestre, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi para que se manifestem nele as obras de Deus.” 

Quando tratamos do assunto no Livro dos começos, podemos entender da seguinte maneira:

O livro de Gênesis relata a origem do pecado e, diretamente ligada a ele, a origem da maldição. É como disse alguém: “Em cada caso foi declarada a razão da maldição: (1) Satanás logrou a mulher; (2) a mulher escutou a serpente; e (3) o homem escutou a mulher – ninguém escutou a Deus”. 

Concluindo, a maldição (condenação, sentença) em Gênesis alcançou a humanidade e se manifestou sobre o espiritual (morte espiritual, separação de Deus, estado de banimento da presença de Deus), sobre o físico (cansaço, dor e morte) e sobre a natureza e, isto, com propósitos definidos. Um comentário da Bíblia pentecostal informa:

“O castigo imposto sobre o homem e a mulher (vv.16-19), bem como o efeito do pecado sobre a natureza, tinham o propósito de relembrar à humanidade as consequências terríveis do pecado e de levar cada um a depender de Deus, com fé e obediência.” 

Próximo tópico: “Quem é o autor da Maldição?”