Quem é o Autor da Maldição? – Parte II 

Se você não leu a parte I (clique aqui), sugiro que o faça agora, antes mesmo de prosseguir. Continuo, (de onde paramos), citando ainda o Dr Augustus Nicodemus:

“O reconhecimento da soberania de Deus tem profundas implicações na vida do cristão”. Em meio às dificuldades, provações, sofrimento e adversidades da época presente, ele encontrará profundo conforto em confiar no Deus que está em perfeito controle da situação, e que a seu tempo e ao seu modo haverá de prover o que for necessário para o bem de seu filho. A Bíblia está repleta de exemplos de heróis e heroínas da fé que repetidamente afirmaram sua confiança no poder de Deus para fazer tudo certo. Segundo Jay Adams, “a soberania de Deus é a verdade última e definitiva que satisfaz as necessidades humanas”. 

Por que abordo essa questão? Porque compreendendo a soberania de Deus, teremos um correto entendimento de princípios. Se alguém, apanha a sua camisa no armário e, por estar escuro, começa abotoar errado, tudo o mais segue o erro. Do mesmo modo, creio que o “princípio correto” proporciona a base de uma doutrina sã.

Desta forma, vemos em Gênesis, a sentença promulgada por Deus sobre a serpente, sobre a terra, sobre a mulher e também sobre o homem. Deus é o Juiz. É Ele quem sentencia. Em toda a Bíblia vemos o desenrolar do juízo de Deus. Em Êxodo, ao dar os 10 mandamentos, Ele os dá com a expressão de que, se houver transgressão, Ele visitará com maldição (Ex 20.5) e isso dá a base para o entendimento da hereditariedade, cujo assunto trataremos mais adiante. Em Deuteronômio, cujo tema é a repetição da Lei ou a recapitulação da Lei, uma vez que o povo estava prestes a entrar em Canaã, vemos como tema principal a Lei e como subtema a maldição. A maldição está presente nos capítulos 11, 27, 28, 29 e 30. É importante notar que em todas as ocorrências, a maldição está diretamente ligada com o tema Lei. No capítulo 11: 26-28, lemos:

“Eis que, hoje, eu ponho diante de vós a bênção e a maldição: a bênção, quando cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, que hoje vos ordeno; a maldição, se não cumprirdes os mandamentos do Senhor, vosso Deus, mas vos desviardes do caminho que hoje vos ordeno, para seguirdes outros deuses que não conhecestes.” 

No capítulo 27, inicia-se uma série de instruções sobre as cerimônias de bênçãos e maldições. Seis tribos deveriam subir ao monte Gerizim e as outras seis deveriam subir no monte Ebal. As primeiras realizariam um ritual de Bênção e as outras realizariam um ritual de Maldição.  A lista de maldições era constituída por doze declarações. Todas iniciavam da forma como se segue: “maldito o homem”, ou “maldito aquele…”. Esta expressão tem o propósito de revelar o estado decorrente da quebra de mandamentos espirituais, sociais e sexuais. No capítulo 28 têm-se relatado algo semelhante ao capítulo imediatamente anterior: o estado decorrente da desobediência da lei. A obediência traria bênçãos e a desobediência acarretaria em maldição.

Nos capítulos 29 e 30 também vemos a mesma proposta dos capítulos anteriores; isto é, a bênção para os obedientes e a maldição para aqueles que quebrarem a aliança.

Pode-se notar, portanto, que a maldição no livro de Deuteronômio é um estado de ausência de bênção, decorrente da quebra dos mandamentos da aliança. Assim, maldição é consequência. É a “perda da presença e favor especiais de Deus… e a perda da condição de povo do reino de Deus.”

“A afirmação do apóstolo Paulo, “o salário do pecado é a morte” ( Rm 6:23) é um resumo adequado dessas maldições sombrias e amargas. Desdenhar as exigências da aliança divina ou rebelar-se contra elas era transformar o Salvador em Juiz.”  

 

Continua amanhã – Parte III