QUEM ESTÁ DEBAIXO DE MALDIÇÃO?

Tomando o texto de 1 Coríntios 10.32, vemos como Deus divide a humanidade: Judeus, gentios e a igreja. Mas, para a consideração da pergunta formulada, entendemos que a divisão deve prevalecer sobre duas classes de pessoas: Crentes no Senhor Jesus – crentes verdadeiros, aqueles que O amam – e ímpios, os que são considerados transgressores e aborrecedores de Deus. Dentro desse contexto, entendemos que todos os ímpios estão debaixo de maldição. Sobre os transgressores e aborrecedores pesa a sentença divina (Ex 20.5). A respeito do assunto, o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, emenda:

“A maldição da Lei significa ser entregue ao juízo e à ira de Deus, e ela abrange a totalidade da humanidade pecaminosa”. 

É interessante lembrar que a língua portuguesa indica o sentido de quem está debaixo de maldição, e nesse sentido, esse ou aquele é “maldito”.  Não há como contradizer ou impor um duplo “status”, pois, aqueles que são abençoados, não podem ser malditos e vice-versa.

De conformidade com 1 Timóteo 1.9, a Lei não é dada, ou no dizer de Paulo, não se promulga para quem é justo, mas para os infratores e rebeldes, irreverentes e pecadores (aqueles que estão sob o domínio do pecado), ímpios, profanos, parricidas, matricidas, homicidas, etc. Note-se que o princípio está firmado. A Lei (no dizer de Paulo, é justa e o mandamento santo e bom) foi promulgada para os transgressores. Do mesmo modo a maldição, como julgamento de Deus, só pode ser entendida dentro do mesmo princípio de 1 Tm 1.9. Assim sendo, quem é justo diante de Deus (vamos tratar disso mais adiante), não carrega maldição alguma, não é “maldito”, mas, abençoado (um fato concreto) com toda a sorte de bênçãos (Ef 1.3), pois foi lavado no sangue de Jesus. Malditos são aqueles que recusaram o perdão de Deus através de Jesus. Malditos são aqueles que recusaram o presente de Deus: Cristo Jesus! Malditos são aqueles que um dia ouvirão da boca do Senhor dos senhores: “Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos” (Mt 25.41). O Espírito Santo nos alenta com a Escritura que está registrada em Provérbios 6.33 “A maldição do SENHOR habita na casa do ímpio, porém a morada dos justos ele abençoa.”

Por fim, cito ainda o Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento que menciona:

“O adj. Verbal, epikataratos (amaldiçoado), ocorre duas vezes no NT (Gl 3:10-13). Emprega-se no contexto de exposições nas quais Paulo fala da maldição da Lei e da redenção que há através de Cristo. A maldição da Lei significa ser entregue ao juízo e à ira de Deus, e ela abrange a totalidade da humanidade pecaminosa (Rm 1:18; 2:5). A maldição afeta todos quantos não permanecem no cumprimento de todos os mandamentos da Lei (Gl 3:10). Paulo conclui, a partir de Lv 18:5 e Dt 27.26, que todas as ações vêm sob o domínio da lei. Os judeus e gentios que viveram sob o domínio do pecado, porém, não são cumpridores da lei (Rm 3:19), e, assim permanecem sob a maldição. Jesus, que ficou pendurado na cruz como se fosse um maldito, e que morreu a morte de um criminoso, tomou sobre Si a maldição que pairava sobre a humanidade pecaminosa, e, com ela, o julgamento divino. A prova bíblica é tirada de Dt 21:23. Aqui também se acha a ideia de substituição que é tão frequentemente expressada por Paulo (Rm 3:25; 1 Co 1:30; 2 Co 5.21). Através da redenção por Cristo, a maldição da interdição foi rompida. A bênção de Abraão agora pode vir àqueles que se apegam a Cristo pela fé (grifo meu). Como os redimidos que são chamados à filiação divina e que têm a vida através da crença, também recebem a plenitude da salvação que se vincula com a promessa do Espírito Santo (Gl 3:14; 4:5 e ss.).

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