A Maldição Hereditária e o capítulo 18 de Ezequiel. – Parte I

Veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que tendes vós, vós que, acerca da terra de Israel, proferis este provérbio, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que se embotaram? Tão certo como eu vivo, diz o SENHOR Deus, jamais direis este provérbio em Israel. 20 – A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniquidade do pai, nem o pai, a iniquidade do filho; a justiça do justo ficará sobre ele, e a perversidade do perverso cairá sobre este.  (Ezequiel 18:1-3;20). 

Sugiro ao leitor que tome um tempo e leia todo o capítulo dezoito de Ezequiel. Isto seria importante para alguns esclarecimentos, pois, os defensores da doutrina da hereditariedade, interpretam o texto do profeta Ezequiel de outro modo.  Dizem que o verso três é uma promessa e que não há “justo” diante de Deus. O único “justo” que não pecou foi Jesus. Desta forma, prevalece a maldição sobre as vidas dos filhos pelos pecados dos pais.

Se entendermos que “o filho que não pecou” é a palavra chave para o entendimento do conceito de “justo” para com Deus, teríamos que dizer que, o que Deus pede ao povo no verso 30 e 31, ele não poderia fazer, pois, lançar fora as transgressões e as iniquidades, tornaria esse povo “justo aos olhos de Deus”. E essa “justiça” faria com que “nunca mais” dissessem o provérbio citado, uma vez que o povo reconheceria que era culpado diretamente por aquela situação em que vivia e não os seus pais. Conhecendo a época e o ambiente em que essa passagem foi escrita, entenderemos melhor a palavra profética. Abaixo transcrevo alguns comentários sobre o capitulo 18 de Ezequiel.

“Deus interrogou o profeta sobre a interpretação que o povo fazia do provérbio: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que embotaram. Essa profecia contradiz a ideia dos israelitas, os quais alegavam que seu castigo era devido aos pecados de seus pais, não pelas suas próprias transgressões. Como refutação a essa ideia, Deus declarou: “Tão certo com eu vivo, diz o Senhor Deus, jamais direis este provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como a alma do pai, também a alma do filho é minha; a alma que pecar, essa morrerá. Deus declarara que julgava os próprios filhos por seus pecados e os exortava a se arrepender, a fim de evitar seu juízo definitivo. Deus alistou os pecados do ímpio (vv.5-9) e declarou que, se uma pessoa justa não praticasse tais coisas, viveria (v.9). Em contraste, o que realizasse tais transgressões não viveria (vv.10-13). Se alguém fosse filho de uma pessoa ímpia, no entanto, e não seguisse a impiedade de seu pai; certamente viverá (v.17). O filho não herdaria nem os pecados nem a justiça do pai, mas cada um seria julgado de acordo com suas próprias ações (vv.18-24). Deus defendeu a justiça de suas atitudes, ao refutar a acusação de que Deus era injusto (vv.25-29). O apelo final do Senhor foi para que Israel se arrependesse (v.30). Deus declarou: Porque não tenho prazer na morte de ninguém, diz o Senhor Deus. Portanto, convertei-vos e vivei” (Todas as profecias da Bíblia – pg 146).

Nesse ponto, volto ao verso 20 que diz: “a alma que pecar essa morrerá”. Se Deus exorta o povo a se arrepender, posso compreender perfeitamente que, o que Deus pedia, era possível ao povo fazê-lo. Pecado é a transgressão, e quem transgride de forma costumeira é o ímpio, mas aqui ele abre uma porta para o tal, quando convida a todos a se livrarem do pecado. Por que o juízo tinha vindo sobre esse povo? Porque o povo tinha transgredido. Ao analisar a história de Israel, vemos os ciclos de obediência, caracterizado por paz, conquistas e bênçãos. Os ciclos da desobediência, já mostrava a perturbação em Israel, tais como: desavenças, pestes e submissão a outros povos (exílio), o que certamente Deus já havia predito e registrado nos livros de Moisés e dos profetas. No verso 30, Deus diz: “Tornai-vos e convertei-vos de todas as vossas transgressões, e a iniquidade não vos servirá de tropeço”. É esse o ponto de entendimento para o capítulo 18. E o que Ele pede? Convertei-vos…  “…que o homem pratique o juízo e a justiça” (v.5). Deus diz ao profeta que havendo um homem justo e que pratique a justiça (v.5), o tal justo viverá (v.9).

Que tipo de coisas ele deveria praticar para que Deus o considerasse justo?

Continua no próximo post….