Quem é o Autor da Maldição? – Parte III

Continuando na mesma direção, procuramos definir hoje, quem é o autor da Maldição. Antes, porém, abordamos ainda o tema nos livros proféticos:

Vemos na história do povo de Deus que Ele levantou profetas para despertar esse mesmo povo que se desviava dos caminhos do Senhor. O reino do norte, dentre tantas coisas, adotou o culto a Baal, e consequentemente deixou o culto a Javé. O ápice desta apostasia e o acontecimento central deste período foi a destruição de Jerusalém. Esse fato histórico desencadeou a maior intensidade de atividade profética para, se possível, evitá-lo. A mensagem profética é resumida por Halley da maneira como se segue:

  • Procurar salvar a nação de sua idolatria e impiedade.
  • Falhando nisso, anunciar que a nação seria destruída.
  • Não, porém, completamente destruída. Um remanescente seria salvo.
  • Do meio desse remanescente sairia uma influência que se espalharia pela terra e traria a Deus todas as nações.
  • Essa influência seria um grande Homem, que um dia se levantaria na  família de Davi. Os profetas chamaram-no de REBENTO”. A árvore da família de Davi, que fora a mais poderosa do mundo, foi cortada nos dias dos profetas, para governar um reinozinho desprezado que tendia a desaparecer;  uma família de reis sem reino: esta família faria uma volta espetacular. Reapareceria. Do seu tronco brotaria um renovo, um  rebento tão grande que se chamaria “O Rebento.”  

Pode-se notar, portanto, que a mensagem profética está diretamente ligada com o pecado do homem; isto é, Israel e as nações haviam infringido as leis de Deus e agora estavam sendo exortados a arrepender-se e, se não o fizessem, estariam à mercê do julgamento divino (maldição).

Assim, Isaías ao profetizar, diz que “Na verdade, a terra está contaminada por causa dos seus moradores, porquanto transgridem as leis, violam os estatutos e quebram a aliança eterna. Por isso a maldição consome a terra, e os que habitam nela se tornam culpados; por isso, serão queimados os moradores da terra, e poucos homens restarão” (Is 24:5,6); da mesma forma, profetizando contra Israel, Jeremias diz: “Por que assim diz o Senhor dos Exércitos, o Deus de Israel: Como se derramou a minha ira e o meu furor sobre os habitantes de Jerusalém, assim se derramará a minha indignação sobre vós, quando entrardes no Egito; sereis objeto de maldição, de espanto, de desprezo e opróbrio e não vereis mais este lugar ” ( Jr 42:18). Também neste mesmo teor, pode-se ver Daniel chegando à conclusão do motivo do sofrimento da nação: “Sim, todo o Israel transgrediu a tua lei, desviando-se, para não obedecer à tua voz; por isso, a maldição e as imprecações que estão escritas na lei de Moisés, servo de Deus, se derramaram sobre nós, porque temos pecado contra ti” (Dn 9:11). Zacarias também expressa o mesmo pensamento quando diz que a maldição alcançará todo aquele que não guardar toda a lei (Zc 5:3), e, também, Malaquias, quando diz que os sacerdotes seriam infligidos pela maldição por não temerem ao Nome de Javé (Ml 2:1). Nos livros proféticos, portanto, bem como nos livros já referenciados anteriormente, a maldição está ligada diretamente com a desobediência à lei de Deus, e sendo assim, é Ele quem determina, julga e emite sentença. O dicionário VINE diz:

“Só Deus verdadeiramente “amaldiçoa”. É uma revelação da Sua  Justiça, em defesa da Sua reivindicação de obediência absoluta”. 

Citando ainda Dr. Augustus que diz:

Os diferentes sofrimentos experimentados nessa vida pelos homens têm como origem, muitas vezes, não somente a desobediência humana, como também o castigo divino. Evidentemente, não sabemos ao certo dizer quando um termina e o outro começa. E é preciso reconhecer que, como já citamos acima, que em casos como o de Jó, Satanás pode servir como instrumento dentro dos propósitos divinos. Provavelmente os efeitos do pecado, os juízos divinos e a atuação dos demônios estão tão interligados em alguns casos que a separação na prática é impossível. De qualquer forma o conceito de que todo sofrimento, toda miséria e todo mal circunstancial que sobrevêm às pessoas hoje, têm origem demoníaca, não tem qualquer sustentáculo bíblico.

Não estou dizendo que os espíritos malignos não atuam na promoção da miséria e da dor, bem como na disseminação do pecado. Negar isso seria negar o ensino da Bíblia. Ela afirma que o diabo veio para matar, roubar e destruir (João 10.10). Afirma também que ele é o pai da mentira (Jo 8.44). Sabemos que Satanás se utiliza da nossa natureza depravada como instrumento de tentação, como se fosse um aliado interno, para nos levar ao pecado. O que estou questionando é a ênfase de que toda forma de mal (circunstancial e moral) provém diretamente de Satanás, e que ele é, em última análise, o responsável pela nossa escravidão a determinados pecados. 

Reconheço que muitos cristãos acham extremamente difícil romper com determinados comportamentos compulsivos que sabem ser pecaminoso, como ver pornografia, comer em excesso, sentir auto-piedade ou mentir. Estou também pronto a admitir que Satanás procura levar as pessoas a permanecerem escravas desses hábitos e padrões pecaminosos. Questiono, porém, a idéia de que tais crentes não conseguem se livrar porque estão debaixo do poder de um determinado espírito maligno que os levam a pecar sempre que esses demônios assim o desejem (grifo meu). Questiono essa idéia porque creio estar claro nas Escrituras que o homem é corrompido o suficiente para atrair sobre si sofrimentos e aflições decorrentes de seus próprios atos.

 

 

 

No próximo post: “Quem está debaixo de Maldição?”