O Novo Nascimento Rompe As Cadeias Da Maldição – Parte II

Os defensores da doutrina da Maldição Hereditária, afirmam que na vida de um crente em Cristo Jesus pode haver maldição. Afirmam ainda, que o crente deve pedir perdão por todos os pecados cometidos antes da sua conversão, e, se houver algum pecado não confessado, a maldição entrou por esta brecha. Ora, vejamos um pouco mais sobre o novo nascimento:

A conversão é uma atitude da pessoa, cujo ato foi em decorrência da obra do Espírito Santo no coração dela, ou seja, o Espírito de Deus a convenceu de que é pecadora, de que nenhuma obra a justifica diante de Deus e o que a espera, é o inferno como juízo e como resultado de sua escolha. Então, o indivíduo é conscientizado pelo Espírito Santo que lhe mostra a obra redentora da cruz. Convicto, ele vai a Jesus, confessando que é um pecador, que as suas obras são más e é escravo de satanás, mas que agora ele sabe que está sendo liberto pelo maior poder que há no universo: O poder de Jesus, do seu nome e do seu sangue. Creio que isto é tudo. Nesse momento, ele nasceu de novo e os seus pecados foram perdoados, e no dizer do próprio Deus, os seus pecados apagados (Jr 31.34; Hb 8.12; 10.17). Alguém objeta que o perdão só vem com a confissão. Concordo. Mas, nesse caso, é preciso observar que quando um homem vai a Jesus e faz uma aliança com Ele, conforme os textos citados acima, e ele se reconhece um pecador, então, a bênção da Aliança, faz isto por ele. As Escrituras em Hebreus condicionam “esse perdão” e “esse apagar da lembrança de Deus” à Aliança. Todavia, a nova vida é pavimentada por uma estrada diferente, e se ele pecar, tem que confessar. Crente tem pecado e pecado tem nome. Tem que ser confessado. Basta darmos uma olhada nos escritos de João em sua 1ª carta, quando ele trata do assunto. Por outro lado, imaginemos um homem com 50 anos de idade. Ele estava no mundo, servia a satanás, era promíscuo, devasso, avarento, idólatra e fazia tudo de ruim que uma pessoa pode fazer. Imaginemos que, dos 50 anos de sua vida, 30 deles, ele passou envolvido nesses pecados. Pois bem, esse homem se converte. Será que, para Deus perdoar o seu passado, ele tenha que lembrar de tudo o que cometeu?  Mesmo se lembrasse de tudo, quanto tempo da sua vida ele deveria passar confessando esses pecados?

Não creio que isto deva ser assim. Por isso tomo outra ilustração abordando o meu entendimento: O crente, à semelhança de um escravo exposto à venda na praça, foi comprado por preço, e que, agora, passa a pertencer totalmente ao seu novo Senhor. O antigo patrão não tem mais qualquer direito sobre ele, como rezava a legislação romana da época. Assim, Paulo diz que fomos comprados por preço (1 Co 6.20; comprar, redimir, pagar um resgate — termo usado para o ato de comprar um escravo na praça, ou pagar seu resgate para libertá-lo), e que sendo agora livres, não devemos nos deixar outra vez escravizar (1 Co 7.23). Fomos resgatados pelo precioso sangue de Cristo (1 Pe 1.18; cf. Ap 5.9). Aleluia!

O texto de Romanos 8:1 nos dá uma tremenda segurança quanto a isso. Vejamos:

 “Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus”.  

F.F. Bruce comenta esse texto deste modo: Se condenação fosse simplesmente o oposto de “justificação”, Paulo estaria dizendo que aqueles que estão em Cristo Jesus estão justificados; mas este estágio da argumentação foi alcançado em Romanos 3.21. A palavra “katakrina” (grego)  não significa provavelmente condenação, mas a punição que se segue à sentença (Arndt-Gingrich) – em outras palavras, “trabalhos forçados”. Não há razão porque aqueles que estão em Cristo Jesus devam continuar fazendo trabalhos forçados penais, como se nunca tivessem sido perdoados e como se nunca tivessem sido libertados da prisão do pecado.

Temos vários versículo nesta mesma linha que optei não publicar aqui para não estender o texto, mas finalizando, deixo  o de Efésios 2.6: “e, juntamente com ele, nos ressuscitou, e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus”.  Seria possível assentar-se nos lugares celestiais em Cristo Jesus vivendo sob maldição? Ou por outra, sendo um maldito?

A vida cristã é uma nova caminhada que se inicia no momento da conversão. Como nos diz Provérbios 4:18 “Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito”. Muito apropriado uma citação de F.F.Bruce: “Os que foram justificados estão agora sendo santificados; se um homem não está sendo santificado, não há razão para crer que foi justificado”.

Nossa posição em Cristo, recebida no momento da conversão, não pode deixar dúvidas que o nosso passado, a nossa dívida, as nossas mazelas, e tudo que não prestava e era contrário a Deus, foi cravado na cruz e perdoado, e, do ponto de vista de Deus, apagado. Glória a Jesus!!!

Entretanto, não podemos simplesmente achar que todas as nossas atitudes erradas foram anuladas por ocasião da nossa conversão. A Bíblia ensina claramente que é de nossa responsabilidade gerir nossa vida dia a dia, tomar decisões e corrigir as atitudes e comportamentos que não estão de acordo com a vontade do Senhor.