Objeções ao ensino das Maldições na vida do crente.

Ao abrir as Escrituras e estudá-las com atenção e cuidado, vejo que não há uma conciliação possível para a afirmação de que “crentes em Cristo podem estar debaixo de Maldição”. Antes, porém, é bom saber que no conceito neo testamentário está a base da doutrina da igreja. Isto não quer dizer, absolutamente, que a igreja aboliu o Velho Testamento, mas que o Novo Testamento explica o Velho, e se firma em bases dos ensinamentos do Senhor Jesus, levando a rigor, os ensinos da velha aliança, em mais alta conta. Quando Jesus faz referência aos ensinos Mosaicos, Ele diz: “ouvistes o que foi dito”, mas na aliança superior Ele diz: “Eu, porém vos digo”. Assim sendo, colocamos as seguintes indagações:

  1. Por que não vemos o Senhor Jesus, mencionando e ensinando sobre quebra de maldições, de uma maneira clara para a igreja que se iniciava? 
  2. Por que o apóstolo Paulo não ensinou a respeito?  Em Atos 20.27, ele diz aos cristãos de Éfeso, que nunca deixou de ensinar todo conselho de Deus, mas não vemos nenhuma menção a este ensino. 
  3. Por que não vemos nenhum registro de uma reunião ocorrida na igreja primitiva, onde eles quebraram maldições?

 Estas questões são objetivas. Entretanto, temos outras subjetivas, tais como:

  1. Qual a situação dele, com relação à Graça de Deus? Essa maravilhosa Graça está sobre ele ou não?
  2. Romanos 8.1 diz: “nenhuma condenação há para aqueles que estão em Cristo Jesus”. Se tomarmos a palavra “condenação” como já vimos, ela se refere a uma “pena” ou sentença e até mesmo como uma “maldição”. Como conciliar esse texto com o ensino das maldições?
  3. 2 Coríntios 5.17 nos diz: Se alguém está em Cristo, é nova criatura, as coisas velhas já passaram, eis que tudo se fez novo”. Tirando a ênfase sobre a nova criatura e também sobre as coisas velhas que ficaram para trás, que por si só denotam “o novo indivíduo”, quero destacar “o estar em Cristo”. É possível alguém estar em Cristo e trazer sobre si, condenação (Rm 8.1), pena e maldição, segundo a Palavra de Deus?
  4. Êxodo 20:5,6. Vemos por essa passagem que a maldição recai sobre os transgressores e aborrecedores de Deus, e que a sua misericórdia é sobre aqueles que o amam. Em Romanos vemos o ensino de Paulo sobre a justificação. Pergunto: A pessoa que é justa, já não é mais transgressora diante de Deus. Como carregar, ainda, maldição dentro deste ensinamento da Palavra de Deus?
  5. Já ouvi dizer que um crente que está sob maldição, anda escravo dessa mesma maldição e, por isso não prospera e nem frutifica. Será? Como identificar Romanos 8.15 com essa afirmativa?
  6. Por escrituras como Romanos 14.12, Mt 12.36 e 1 Pe 4.5 fica entendido que “cada um dará conta de si mesmo”. Como harmonizar o ensino? 

Sem delongar mais, quero chamar a atenção para um pequeno detalhe: Há quanto tempo a igreja  convive com este ensino?  Que eu saiba, isso é realmente novo. Talvez de uns 25 anos para cá. Se exceder um pouco, não vai muito além. Como e onde surgiu? Será que é uma nova revelação para a igreja? Não quero ser irônico e nem que ninguém me entenda assim, mas é o que ouvi. Transcrevo  abaixo, um pequeno trecho do livro “Vento renovado, Fogo renovado”,de Jim Cymbala, pastor da igreja Tabernáculo do Brooklyn –NY. 

“No mundo da propaganda, os redatores conhecem o poder das palavras mágicas: “Grátis!” e “Novo!”. Nós as encontramos no supermercado, no jornal, nos anúncios publicitários. E os consumidores respondem à altura. Na igreja de hoje, estamos ficando presos ao apelo do “Novo!”. As antigas verdades do evangelho não parecem tão espetaculares. Sentimo-nos inquietos com o último, o melhor, o mais recente ensino ou técnica. Nós, pastores em particular, parecemos estar procurando um atalho ou alguma estratégia dinâmica que venha incendiar nossas igrejas”. A oração dos cristãos primitivos, mencionada em Atos 4, focaliza três fundamentos: “Concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra… enquanto estendes a Tua mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios (29-30). Quero analisar o primeiro fundamento: “Concede aos teus servos que falem a tua palavra…”. Não havia confusão na mente dos primeiros cristãos sobre o que proclamar. Ninguém buscava novas mensagens. O evangelho pleno que eles ouviram de Jesus era considerado totalmente adequado.

Tive uma surpresa em uma conferência há não muito tempo, quando entre uma sessão e outra, sentei-me casualmente para conversar com alguns preletores. A conversa versou sobre as ênfases da igreja atual. Logo me encontrei indagando sobre que religião estavam eles discutindo. Um homem afirmou como é importante para os crentes descobrir, se algum dos seus antepassados assistiram a uma sessão espírita, mesmo séculos atrás. A não ser que “a maldição de gerações” tenha sido quebrada, não podemos esperar que prosperemos como cristãos. Até nossos filhos e netos continuariam correndo perigo, declarou ele. Imagine um salvo, uma nova criatura em Cristo, “… que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou… para o reino do Filho do seu amor”  (Cl 1.13)  – de algum modo ainda sob a maldição de Satanás! Pensei nos inúmeros haitianos no Tabernáculo do Brooklyn que vieram para Nova York de uma terra onde a religião principal é o vodu. Se o que aquele homem ensinava fosse verdade, esses haitianos teriam muito dever de casa para fazer, tentando descobrir quais de seus avós trabalharam no ocultismo, para depois fazer alguma coisa a fim de quebrar este laço de longa data. Por que, imagino eu, Paulo não falou mais claramente sobre isso em suas cartas? O primeiro século viu muita feitiçaria. Será que os fiéis de Corinto, da Galácia e de Roma tiveram de explorar suas árvores genealógicas para localizar encantamentos do inimigo?” 

 

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